Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MILIUMA

insónias | ideias | publicações

#81 a cadeira que tinha fita-cola

 

Antes de mais, queremos anunciar que criámos uma menção honrosa porque não podíamos deixar de premiar o excelente trabalho e o... ai tanto árabe e espanhol, deixa-me ver se a minha carteira está bem fechada... Helena Canhoto.

Hum? O que se passa?

Helena, ganhaste! Levanta-te, vai pro palco, estão a bater-te palmas, é para ires, vai!

Porquê? Ganhei o quê? Hum? Não estou a perceber!!

Helena, vai!

Piiiii. 

Parecia que estava drogada. As imagens estava pouco focadas, não conseguia parar de rir e não percebia nada do que estava a acontecer. Foi tudo longo e rápido ao mesmo tempo. Discursei em espanhol, tentei sair do palco antes do discurso e ainda antes da fotografia para a imprensa. Uma confusão absolutamente dominada pela inesperada sensação de felicidade absoluta. Já tinha ganho outros prémios no passado, mas nada se equiparou a esta surpresa.

Sentei-me e perguntei ao meu amigo Tiago:

O que é que eu disse?

Não te preocupes, estiveste muito bem.

Aterrei em Lisboa e amanhã aterrarei no Porto, mas ainda me sinto colada na mesma cadeira marroquina. Não tenho a certeza, mas acho que tinha fita-cola.

 

 

#51 avanca, a capital deste fim-de-semana

 

Foi o nosso primeiro filme em conjunto, meu, do Tiago, da Patrícia, do Miguel, do João, e de outros tantos mais. Não foi o primeiro filme de ninguém individualmente, mas como num relacionamento, cada filme é um filme e é sempre o primeiro quando a equipa é outra. Idealmente, gostava de repetir as mesmas 19 pesssoas envolvidas e fazer assim um segundo filme.

 

Até lá, este primeiro faz o seu caminho. Em Abril, a ante-estreia incrível (deu vontade de fazer mais filmes só para fazer mais festas assim) e a estreia na nossa pérola do atlântico. Mais tarde, exibição no Shortcutz Lisboa e estreia internacional no famigerado Festival Internacional de Huesca. Até aqui, tudo maravilhoso. Mas felizmente, ficámos a saber que não terminou por aqui. Cada selecção oficial para um festival é motivo de celebração, quais adolescentes numa festa de aniversário. Desta vez, no Festival de Cinema de Avanca.

 

 

#44 huesca, capital de huesca

 

Se tudo correr bem, no momento em que este post aparecer na minha timeline, estarei com o Tiago R. Santos em Huesca, após o que se avizinha ser uma longa e cansativa viagem de carro de Lisboa quase aos Pirinéus.

 

Aparte - Há uns anos assisti a uma palestra com Q&A (questions & answers) numa escola de representação que frequentei em Nova Iorque e cujo principal interveniente era Philip Seymour Hoffman. Ele disse e eu nunca esqueci: o actor está sempre a trabalhar, seja quando trabalha, seja quando procura trabalho. - 

 

Huesca, uma das principais cidades de Aragón (lembro-me logo do reino de Aragão estudado na escola), situa-se bem lá no fundo, com o País Basco de um lado e Barcelona do outro. Lá, o nosso filme (meu, do Tiago e das outras dezassete pessoas que nele participaram), a ser exibido num teatro para gente de todo o mundo. Serão muitos e muitos dias de festival, quatro dos quais estarei presente a ver dezenas de outras curtas-metragens. Por fim, o regresso a Lisboa. Não há tempo para viagens às cidades que não conheço no norte de Espanha, não há férias à vista. São Sebastião virá outro dia, outro ano. Até lá, a indiscutível felicidade deste trabalho.

 

 

 

 

 

 

#23 contagem decrescente

 

Nunca te visitei, Madeira, mas já gosto tanto de ti.

Não sei se é este abismo hipnotizante das fotografias pelas quais vagueio no Google, se é do nevoeiro que parece pousado de propósito para o quadro.

Eu tenho vertigens e anseio subir-te, ignorar a tontura e o enjoo, encostar-me a uma montanha e olhar-te de frente, sentir o ar rarefeito do topo do Pico e, bom, e se realmente corresponderes à expectativa, sorrir.

 

Só falta uma semana para pisar-te. Saberás tão bem quanto eu como correu, se esse será o primeiro de muitos dias, se será a primeira de muitas viagens.

 

Não sei se é deste verde que te emoldura, Madeira, bonita, não sei se é por saber que após tantas montanhas e tanto nevoeiro vou conseguir ver o teu mar. 

 

© desconhecido

 

E, claro, aceito dicas para a viagem e truques úteis. Vou estar no Madeira Film Festival (com o Vícios Para Uma Família Feliz) todos os dias e, tenho a certeza, bastante e muito bem ocupada. Mas e coisas como: mosquitos, temperatura e etc? Transportes? Contactos importantes dos que não se encontram na internet? Agradeço!

 

Chega de romantismos, é hora de ir gravar! 

 

 

 

#20 a ante-estreia

 

A prova de que em pouco tempo se conseguem criar grandes emoções. - Fernando Fragata

 

Bela, cruel e hipnótica, “Vícios para uma família feliz” é a ficção da pior realidade que todos escondemos sobre nós próprios. - Nuno Duarte

 

Terminou em Março. Daqui a duas semanas rumamos à Madeira para a estreia oficial. Em Maio estará, sozinho, em Cannes.

O nome "Vícios Para Uma Família Feliz" esteve dois anos e meio nas nossas cabeças; saiu das nossas mãos e do nosso sangue. (ler mais sobre o processo aqui)

E desde sexta-feira, dia 8 de Abril, que ele tem a sua própria vida e já não nos pertence só a nós. 

 

A ante-estreia à porta fechada (um filme em circuito de festivais não pode ser exibido publicamente) foi, com todo o carinho, alimentada pelo Pito do Bairro, do Olivier e acolhida no maravilhoso Cargo 111, no Bairro Alto, em Lisboa. 

 

 

© Bruno Veiga

 

A todos os presentes, a todos os que morreram um pouquinho por não terem conseguido estar presentes, a todos que me perguntam quando posso ver, quando posso ver:

Muito obrigada.

 

www.addictionsforahappyfamily.com

 

 

 

#8 vícios para uma família feliz

 

Voltei definitivamente de São Paulo, instalei-me em Lisboa e liguei ao Tiago. E se fizéssemos alguma coisa os dois? Tu escreves, eu interpreto, já está. OK. Ainda bem, vou ligar a um amigo meu que de certeza que também vai gostar da ideia. O Eurico gostou da ideia. Ganhámos o concurso para ficar na sala 3 do Teatro Rápido, no Chiado. Entre o telefonema e a estreia passaram-se uns singelos dois meses.

 

Tivémos uma estreia fantástica aos olhos de todos, o que não costuma ser grande agoiro na prática teatral. Eu, arrasada por um drama pessoal que se me caíra no colo quatro minutos antes da entrada em cena, fiz a peça com a maior adrenalina de todo o mês. Usa isso, disse o Tiago. E diz-se muito, usa isso a teu favor. Hoje estou profundamente grata por esse infortúnio. Mudou todo o curso da minha história, para melhor. Usei isso para estreia e para a vida.

 

Dois anos depois, ainda à espera de sermos pagos pelo Teatro Rápido/Encena/Alexandre Gonçalves, decidimos investir outra vez o nosso tempo sem expectativa de retorno. No sábado em que gravámos "Vícios Para Uma Família Feliz" - o filme - senti a adrenalina fluir e arrepiar-me o pescoço, numa felicidade pura pelo que estávamos a fazer, num prazer genuíno em conhecer todas aquelas pessoas que quiseram amar este filme connosco. Foi um dia de amor. Acabámos a comer migas do pingo doce e a beber minis da bomba de gasolina mais próxima. 

 

Março de 2016, o filme é exportado e as lágrimas sobem. Sem ainda ter tido um dia para apresentá-lo à equipa, já recebi duas boas notícias: Short Film Corner do Festival de Cannes, Selecção Oficial do Madeira Film Festival.

 

Um dia perguntaram-me: e se não houvesse dinheiro no planeta e pudesses fazer qualquer coisa, o que farias ou o que serias?

Actriz.

 

imagem de cima © Alípio Padilha // imagem de baixo © Miguel Sales Lopes