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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

#49 o meu post dava uma reportagem - errata RTP

 

Alguns dizem "a minha vida dava um livro". Hoje digo "o meu post dava uma reportagem". E deu! Aqui.

Não consigo, contudo, completar a sensação de dever cumprido se não clarificar este assunto:

 

A RTP contactou-me para fazer uma reportagem depois de terem lido o meu post no blog. O tema interessou-os e ainda bem. Fui entrevistada na qualidade de blogger, falei sobre o Miliuma, os meus objectivos com o blog, o post em si, dei as minhas dicas sobre o assunto das burlas nos arrendamentos. Tenho respeito e carinho pela jornalista que fez a reportagem e já a informei da minha sincera opinião sobre a reportagem, opinião que ela compreende. Fui informada pela mesma que a peça foi cortada para caber no Telejornal e que, nessa edição final, tinham retirado todas essas partes. E cortar é um acto de sensibilidade. Rapidamente, passei a ser a Helena que está à procura de casa. E não é bem assim.

 

Quero, assim, elucidar-vos: não estou à procura de casa para ir morar com o meu namorado, eu vivo actualmente com o meu companheiro, procuro casa há muito tempo e continuarei a procurar durante uns anos, até encontrar "o" lugar. Não fui vítima de burla de arrendamentos e a única razão pela qual fui entrevistada é porque o meu post deu origem à reportagem, ainda que isso não tenha aparecido no corte final. Lamento que o mesmo não tenha sido identificado, nem o meu sobrenome, nem eu como autora. Fica aqui, para quem ler. E ficam os conselhos e o alerta, que no meio de tudo isto, é o mais importante.

 

Obrigada.

 

#40 a culpa não é tua

 

Na sua voz rouca tão particular, a cantautora espanhola Bebe musicava em ritmo acelerado as palavras “Malo, malo eres, no se daña a quien se quiere, no”. Admirava-a por ter escrito esta letra, por ter lançado uma música despudorada na sua referência à violência. Mais tarde, dividi um apartamento em Cuba com uma espanhola que era amiga da Bebe e fiquei feliz por ser amiga de uma amiga da mulher guerreira. A ilha transpira sexualidade, o calor húmido, a salsa e o rum patrocinam o erotismo de um país que já foi (ou ainda é) destino de turismo sexual. Quando lá morei, Cuba tinha a taxa mais baixa de homicídio por violência doméstica da America Latina.

 

Nos quase cinco anos que estive fora de Portugal, morei um inteiro na cidade de São Paulo. São Paulo é deslumbrante e assustador ao mesmo tempo. É tenso, é quente e chuvoso. Nas carruagens de metro, cartazes da campanha “Homem de verdade não bate em mulher”. Brasil, um país onde 1 em cada 5 mulheres sofre ou sofreu de violência doméstica.