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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#135 gula - ep.12

 

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Com o jardim do Casino aos pés da esplanada, dificilmente encontro um lugar mais belo para se jantar neste verão, a meia hora de casa.

 

Dizem que é o (restaurante) Chinês mais chinês de Lisboa e arredores. O Estoril Mandarim, no piso inferior do Casino Estoril tem um atendimento irreprensível e estava lotado de pessoas aparentemente chinesas que, das duas uma, ou eram jogadoras do Casino e sabia-lhes bem ler um menu em mandarim ou aprovam este restaurante e isso, convenhamos, é muito bom sinal. Independentemente de aprovações tais, o Estoril Mandarim está aprovado por mim e para mim. Comi um fabuloso ninho de gambas e a S. uma carne com gengibre e cebolinho como nunca havia experimentado (nem ela, nem eu!).

 

No Zomato diz que o custo médio é de 75€ por duas pessoas, mas eu e a S. comemos até ficarmos satisfeitas e não pagámos mais de 20. Há pratos para todos os bolsos e sei que se um dia decidir gastar mais um pouco neste restaurante, não será em vão. A par do The Old House, foi o melhor chinês onde já comi. Next stop: China? Não, adoro viajar mas continuo a preferir as surpresas do Estoril às minhas dúvidas sobre Pequim. Por cá, Portugal, ainda há muito por descobrir.

 

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PS - No final da refeição, corram ao átrio principal e comprem um bilhete para o belíssimo (belíssimo!) espectáculo dos Feist - LET THE SUNSHINE IN - um musical que me deixou, literalmente, de lágrima presa.

 

Estoril Mandarim Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

#117 as noites de ouro (e não os globos de ouro)

Eu sei que hoje os globos de ouro 2017 devem constituir os termos mais pesquisados em Portugal. Nada contra, pelo contrário, gosto muito de festas, de Portugal e de categorias como Cinema e Teatro serem premiadas. Mas as verdadeiras noites de ouro para mim e que tudo (e em tudo) têm a ver comigo ocorrerão a 7 e 8 de Junho.

Na cinemateca.

Em Lisboa.

 

 

 

#97 dia pessoal do teatro

 

Não é falta de interesse meu pelo teatro, não. É um amor a resolver, este entre mim e o teatro, uma tesão adiada que vamos ter de concretizar - e guardo no peito a esperança que daí comecemos a namorar para o resto da vida. 

 

 

No outro dia, fui assistir a “Encontrar o Sol” - de Edward Albee, com encenação de Ricardo Neves-Neves - no São Luiz. No fim, os actores conversavam com o público e uma senhora, às tantas, decide expor que considera que nós, actores, artistas, nos queixamos muito - que ela teve uma empresa que quase foi à falência durante a crise e ela pôs mãos à obra e construiu tudo do zero, de novo, com sucesso. Queixamo-nos muito e devíamos era fazer e, já agora, devia haver mais sessões porque realmente assim é difícil, a sala está quase sempre esgotada. Minha senhora, se estiver a ler isto, saiba que nesse momento senti vontade de saltar da cadeira e lhe espetar duas chapadas bem dadas. Mas a Cucha Cavalheiro foi muito mais inteligente do que eu e respondeu apenas o que eu pensei: Nós estamos a fazer, isto é fazer. Num segundo, passam pela memória todas as produções que fiz a custo de nada, equipas e equipas de pessoas com altos níveis académicos a fazer apenas para que isto não morra, para que arte continue, para que a expressão artística exista independentemente das piores crises económicas, para que uma crise económica não resulte sempre numa matança cultural. 

 

A primeira vez que interpretei uma personagem foi num grupo de teatro amador, há já 18 anos. A última vez que fiz teatro foi em 2013 e ainda não recebi os meus honorários. Teatro, teatro, fazes parte de mim.

 

O que dizer no dia mundial do teatro quando só me apetece falar de cinema, dos prémios sophia, dos júris do ica, de tudo o que se anda a passar nesta área em portugal? É mais fácil falar do que sei, ou do que conheço, pelo menos, um pouco.

  

A cerimónia dos Prémios Sophia foi seguida de um after-party que não era de todo uma festa, mas sim um encontro entre convidados e que permitiu falar sobre assuntos importantes da nossa área. Muitos saíram desiludidos com a falta de strobs e de DJs à altura. Confesso que um pouquinho mais de bebida e comida não fariam mal ao nosso povo, mas a maior satisfação que aquilo me deu foi ver que havia um objectivo de encontro para se conversar, para se debater num espaço próprio (ao invés de o fazer na plateia durante a cerimónia) e que esse objectivo, pelo menos por alguns, estava a ser concretizado. 

 

Perco-me no meu raciocínio ao falar de teatro ou de cinema, perco-me ao falar de interpretação, da importância do objecto artístico. É como se tivesse que resumir todos os meus sentimentos sobre a vida e considerações sobre o mundo num parágrafo e quando conseguir fazer isso, bom, talvez já tenha escalado o everest e visitado os monges tibetanos e tenha encontrado o nirvana, algures, perdido nos meus neurónios. Perco-me na definição de teatro, de cinema, de arte, de actor da mesma forma que me quero perder na definição de amor.

 

©Joanna Correia

#95 a luxwoman perguntou-me umas coisas e eu respondi

 

Mas isso não me preparou para o impacto de abrir a página da LuxWoman e deparar-me com isto:

 

 

 

Mulheres com atitude e Helena Canhoto no mesmo sítio. Já ganhei o dia. :)

http://www.luxwoman.pt/helena-canhoto/

 

 

Obrigada LuxWOMAN, Carolina Almeida e Masemba pelo simpático convite!

#80 o natal pró menino e prá menina

 

Nos meus pais, aproveitamos a consoada para comer um belíssimo bacalhau e jantarmos os quatro, regados a excelentes vinhos, espumantes e azeite caseiro. Mas há quem tenha muitas prendas para oferecer. Assim, aqui vão umas ideias (desta vez não são miliuma) para vos ajudar:

 

1 - Click & Grow

Testadíssimo, é uma maravilha ter, por exemplo, manjericão fresco e cheiroso sempre à mão.

 

2 - T-shirt rolling stones coleção temporária da zara

Antes que desapareçam ;)

 

 

#24 peixe em lisboa

 

Foi o primeiro ano em que ouvi falar do Peixe em Lisboa. A atenção selectiva tem destas coisas, não é que não gostasse de peixe, mas mais rapidamente teria dado ouvidos a uma rota de tapas ou uma convenção de pintxos bascos.

 

Tinha credencial e, armada em altruísta, achei que devia pagar a minha entrada para contribuir. Sim, é óptimo contribuir para que as organizações se mantenham de pé, o problema é que ninguém me avisou que eu devia guardar o meu copo para os dias seguintes e quando entrei com credencial no segundo dia (não estavam à espera que pagasse duas entradas podendo não o fazer, certo?), lá tive de pagar três euros pelo meu copo outra vez. A única real borla que tive foram três senhas pequeninas do Joe Best e da Ana Rosa, duas criaturas com uma simpatia que nunca cessa.

 

E lá me abandonaram numa mesa - não, eu é que quis ficar - onde se juntaram uma cambada de tipos simpáticos, metade meus conterrâneos, que eu não conhecia e que, prazerosamente, passei a conhecer naquela noite. Chefs, tatuadores, senhores de vinícolas, tudo mais novo que eu, a comer comigo em mesas corridas e a fazer daquela noite um gasto de dinheiro altamente justificado. É caro? Não, senhores, não é barato, mas vale a pena cada cêntimo. Dou graças por não haver Peixe em Lisboa todos os meses. Não me cansaria, não. Seria uma paixão para durar.

 

Achava que estava tudo bem assim, mas pelos vistos havia uma porta mágica com as palavras Mercado Gourmet por cima. Passei essa porta e todo um mundo de tendinhas estava ali, petiscos para provar, vinhos para degustar (não esquecer o tal copo), azeites, queijos, doces, lojas de utensílios de cozinhas e conservas portuguesas, ai, as conservas.

 

Fiquei ali, a ser mimada por um rapaz e uma rapariga sorridentes, da Conserveira do Sul. Falámos sobre paladar, sobre sabor, sobre comida. Ela disse-me que o rapaz da embalagem era o tio avô dela. Emocionei-me, como tanto me emociono com as histórias dos estranhos e me contenho para ver se ninguém repara. Como eram simpáticos, os dois. Comprei logo umas latas de conservas e ofereceram-me um iô-iô de madeira, pintado de amarelo, como antigamente. Disseram-me que nem sempre fizeram aquilo, que tinham formação em audiovisual. Li os nomes nas plaquinhas identificativas das t-shirts, juntei os nomes com a proveniência (olhão), as caras, o curso e ainda o blog de comida que mencionaram pelo meio da conversa e fez-se luz.

 

Dois dias depois da ante-estreia do filme “Vícios Para Uma Família Feliz” encontrei ali, no meio da cavala com malagueta e do atum com limão, os fotógrafos do poster da peça de teatro “Vícios Para Uma Família Feliz”, na qual, obviamente, se baseou o filme. Dois dias de uma coisa, dois anos da outra. E a vida a contar-se com números quando nada disto interessa, passou o tempo e estamos todos diferentes; não interessa se tive de pagar três euros por outro copo, agora o copo está comigo e eu tenho vontade de repetir aqueles caranguejos de casca mole do Ribamar.

 

 

1 - Chef Kiko

2 - Tasca da Esquina (Vítor Sobral)

3 & 4 - Conserveira do Sul

5 - Four Seasons (Chef Pascal)

6 - Chapitô à Mesa (Bertílio Gomes - tão simpático, obrigada!)

 

#20 a ante-estreia

 

A prova de que em pouco tempo se conseguem criar grandes emoções. - Fernando Fragata

 

Bela, cruel e hipnótica, “Vícios para uma família feliz” é a ficção da pior realidade que todos escondemos sobre nós próprios. - Nuno Duarte

 

Terminou em Março. Daqui a duas semanas rumamos à Madeira para a estreia oficial. Em Maio estará, sozinho, em Cannes.

O nome "Vícios Para Uma Família Feliz" esteve dois anos e meio nas nossas cabeças; saiu das nossas mãos e do nosso sangue. (ler mais sobre o processo aqui)

E desde sexta-feira, dia 8 de Abril, que ele tem a sua própria vida e já não nos pertence só a nós. 

 

A ante-estreia à porta fechada (um filme em circuito de festivais não pode ser exibido publicamente) foi, com todo o carinho, alimentada pelo Pito do Bairro, do Olivier e acolhida no maravilhoso Cargo 111, no Bairro Alto, em Lisboa. 

 

 

© Bruno Veiga

 

A todos os presentes, a todos os que morreram um pouquinho por não terem conseguido estar presentes, a todos que me perguntam quando posso ver, quando posso ver:

Muito obrigada.

 

www.addictionsforahappyfamily.com

 

 

 

#8 vícios para uma família feliz

 

Voltei definitivamente de São Paulo, instalei-me em Lisboa e liguei ao Tiago. E se fizéssemos alguma coisa os dois? Tu escreves, eu interpreto, já está. OK. Ainda bem, vou ligar a um amigo meu que de certeza que também vai gostar da ideia. O Eurico gostou da ideia. Ganhámos o concurso para ficar na sala 3 do Teatro Rápido, no Chiado. Entre o telefonema e a estreia passaram-se uns singelos dois meses.

 

Tivémos uma estreia fantástica aos olhos de todos, o que não costuma ser grande agoiro na prática teatral. Eu, arrasada por um drama pessoal que se me caíra no colo quatro minutos antes da entrada em cena, fiz a peça com a maior adrenalina de todo o mês. Usa isso, disse o Tiago. E diz-se muito, usa isso a teu favor. Hoje estou profundamente grata por esse infortúnio. Mudou todo o curso da minha história, para melhor. Usei isso para estreia e para a vida.

 

Dois anos depois, ainda à espera de sermos pagos pelo Teatro Rápido/Encena/Alexandre Gonçalves, decidimos investir outra vez o nosso tempo sem expectativa de retorno. No sábado em que gravámos "Vícios Para Uma Família Feliz" - o filme - senti a adrenalina fluir e arrepiar-me o pescoço, numa felicidade pura pelo que estávamos a fazer, num prazer genuíno em conhecer todas aquelas pessoas que quiseram amar este filme connosco. Foi um dia de amor. Acabámos a comer migas do pingo doce e a beber minis da bomba de gasolina mais próxima. 

 

Março de 2016, o filme é exportado e as lágrimas sobem. Sem ainda ter tido um dia para apresentá-lo à equipa, já recebi duas boas notícias: Short Film Corner do Festival de Cannes, Selecção Oficial do Madeira Film Festival.

 

Um dia perguntaram-me: e se não houvesse dinheiro no planeta e pudesses fazer qualquer coisa, o que farias ou o que serias?

Actriz.

 

imagem de cima © Alípio Padilha // imagem de baixo © Miguel Sales Lopes