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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

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#17 parte II - comida e amor

 

(continuação de parte I - amor e comida)

 

O Miguel Somsen também consegue passar horas a falar da sua relação com a comida, e da comida com os portugueses e com as diferentes culturas.

 

No meio de mais uma conversa sobre este tema, falámos das nossas descobertas minimamente recentes (meia dúzia de anos, vá) sobre a forma como comemos dependendo da bebida que acompanha o prato. E eu dizia-lhe que não queria ir a um restaurante michelin pagar um menu de degustação para pedir um vinho só, porque esse vinho não iria acompanhar igualmente todos os pratos servidos; portanto, também teria de pedir um menu de degustação de vinhos para acompanhar e, para isso, vou ter esperar mais uns tempos para poupar a quantia certa. Ou então, bebo água, que essa não condena o sabor.

 

O Somsen gosta muito de vinho, mas é o senhor do Gin. E se houvesse um jantar de degustação de cozinha de autor acompanhada por degustação de gins como complementos (ou até potenciadores) de cada prato? Há:

 

 

#16 parte I - amor e comida

 
 

Primeiro ele começou a cozinhar para mim. Depois percebeu que isso o fazia muito feliz. Pelo meio, fui convencendo-o que ele tem talento para a culinária. Entretanto, fez o curso. Hoje trabalha num restaurante com duas estrelas michelin. E eu, eu fiz um blog depois de acabar a novela e decidi falar sobre o meu novo ano, a minha nova vida, as minhas mudanças e, hoje, sobre a minha relação com a comida.

 

Não é novidade que comecei uma dieta com a Ni, se bem que prefiro chamar-lhe reeducação alimentar. Dieta é, na verdade, um regime alimentar, é aquilo que comemos. E eu estou a alterar muitas coisas de há três semanas para cá.

 

Nem um mês passou e sinto-me diferente, o meu palato reconhece mais subtilezas e o meu estômago manda-me parar mais cedo. Como se a gula de comer até cair não me deixasse apreciar a complexidade do que ingiro. O mais importante, comecei a escolher, sempre que possível, aquilo que me alimenta. Desde o azeite à couve roxa da salada. E essa mesma couve roxa pode ser rica de sabor e percebo hoje que posso precisar de mais uns segundos para sentir o sabor dessa couve, essa couve que já não me sabe a corredor dos frescos e passou a saber a terra e a oxigénio e a verde, mesmo sendo roxa. 

 

Desta mudança na minha relação com a comida, comecei a frequentar restaurantes diferentes. Sem snobismos, o meu “craving” passou a ser outro. Como o orçamento não se dilatou nesta minha aventura, como fora menos vezes, mas compenso na qualidade, no sabor e na experiência.

 

 

 - TO BE CONTINUED @ parte II - comida e amor - 

 

 

© lisbonlux.com

 

 

  - TO BE CONTINUED @ parte II - comida e amor - 

 

 

 

 

 

#8 vícios para uma família feliz

 

Voltei definitivamente de São Paulo, instalei-me em Lisboa e liguei ao Tiago. E se fizéssemos alguma coisa os dois? Tu escreves, eu interpreto, já está. OK. Ainda bem, vou ligar a um amigo meu que de certeza que também vai gostar da ideia. O Eurico gostou da ideia. Ganhámos o concurso para ficar na sala 3 do Teatro Rápido, no Chiado. Entre o telefonema e a estreia passaram-se uns singelos dois meses.

 

Tivémos uma estreia fantástica aos olhos de todos, o que não costuma ser grande agoiro na prática teatral. Eu, arrasada por um drama pessoal que se me caíra no colo quatro minutos antes da entrada em cena, fiz a peça com a maior adrenalina de todo o mês. Usa isso, disse o Tiago. E diz-se muito, usa isso a teu favor. Hoje estou profundamente grata por esse infortúnio. Mudou todo o curso da minha história, para melhor. Usei isso para estreia e para a vida.

 

Dois anos depois, ainda à espera de sermos pagos pelo Teatro Rápido/Encena/Alexandre Gonçalves, decidimos investir outra vez o nosso tempo sem expectativa de retorno. No sábado em que gravámos "Vícios Para Uma Família Feliz" - o filme - senti a adrenalina fluir e arrepiar-me o pescoço, numa felicidade pura pelo que estávamos a fazer, num prazer genuíno em conhecer todas aquelas pessoas que quiseram amar este filme connosco. Foi um dia de amor. Acabámos a comer migas do pingo doce e a beber minis da bomba de gasolina mais próxima. 

 

Março de 2016, o filme é exportado e as lágrimas sobem. Sem ainda ter tido um dia para apresentá-lo à equipa, já recebi duas boas notícias: Short Film Corner do Festival de Cannes, Selecção Oficial do Madeira Film Festival.

 

Um dia perguntaram-me: e se não houvesse dinheiro no planeta e pudesses fazer qualquer coisa, o que farias ou o que serias?

Actriz.

 

imagem de cima © Alípio Padilha // imagem de baixo © Miguel Sales Lopes