Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Miliuma

insónias | ideias | publicações

#135 gula - ep.12

 

estoril-mandarim-miliuma.jpg

 

Com o jardim do Casino aos pés da esplanada, dificilmente encontro um lugar mais belo para se jantar neste verão, a meia hora de casa.

 

Dizem que é o (restaurante) Chinês mais chinês de Lisboa e arredores. O Estoril Mandarim, no piso inferior do Casino Estoril tem um atendimento irreprensível e estava lotado de pessoas aparentemente chinesas que, das duas uma, ou eram jogadoras do Casino e sabia-lhes bem ler um menu em mandarim ou aprovam este restaurante e isso, convenhamos, é muito bom sinal. Independentemente de aprovações tais, o Estoril Mandarim está aprovado por mim e para mim. Comi um fabuloso ninho de gambas e a S. uma carne com gengibre e cebolinho como nunca havia experimentado (nem ela, nem eu!).

 

No Zomato diz que o custo médio é de 75€ por duas pessoas, mas eu e a S. comemos até ficarmos satisfeitas e não pagámos mais de 20. Há pratos para todos os bolsos e sei que se um dia decidir gastar mais um pouco neste restaurante, não será em vão. A par do The Old House, foi o melhor chinês onde já comi. Next stop: China? Não, adoro viajar mas continuo a preferir as surpresas do Estoril às minhas dúvidas sobre Pequim. Por cá, Portugal, ainda há muito por descobrir.

 

estoril-mandarim-chinês-miliuma.jpg

 

PS - No final da refeição, corram ao átrio principal e comprem um bilhete para o belíssimo (belíssimo!) espectáculo dos Feist - LET THE SUNSHINE IN - um musical que me deixou, literalmente, de lágrima presa.

 

Estoril Mandarim Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

#127 gula - ep.10

saldanhamiliumachevere.jpg

 

Tinha cinco compromissos neste dia. Nos dias à volta, quase nenhum. Lei da atração, pode dizer-se, se a dilatarmos a tanto. Um dos compromissos era a festa de aniversário do Chévere, no Saldanha. O primeiro aniversário, com festa e música e apresentação da nova carta, convite do Zomato Gold a todos os seus aderentes.

 

 

#126 costa alentejana e vicentina I

 

setuballuisatodi.jpg

 

Mudou de emprego e teve menos de uma semana de pausa entre um e outro. Eu corri a bloquear esses dias para me poder escapar daqui. Não convinha voar para lado nenhum, íamos perder horas em aeroportos e viagens e o importante, o realmente importante, era estarmos juntos e fora de casa, num lugar qualquer que não fosse nosso, onde pudéssemos respirar. Antes, há uns tempos ou talvez apenas antes desta viagem, pensava que só sentiria férias se passasse a fronteira e recebesse a mensagem com a tarifa do roaming. Acabou-se o roaming e, com ele, acabou-se o meu preconceito - fui conhecer a costa alentejana.

 

 

#114 o salvador (sobral) de portugal

 

©Reuters

 

Pelo meio de tantas vidas normais, surge a voz de um jornalista da RTP a relatar o concurso da Eurovisão e a vibrar-lhe a voz cada vez que pronuncia: Salvador. Apaixonado pelo nome, pela pessoa, solta leves risadinhas nervosas quando a câmara aponta para o concorrente e este está de óculos e uma expressão cómica, concentrada e visivelmente inocente.

 

Salvador é o Salvador de Portugal, é a nossa essência de cauda da Europa, de país que não quer entrar em guerra, de nação virada para o mar. Nós, que só queremos abraços e amor e primavera e música bonita na nossa língua, melancolia e sorrisos ternos, abandonámos em conjunto e sintonia as nossas vidas normais para nos emocionarmos com o Salvador, irmão da Luísa. Demos as nossas mãos em filinha pirilau e chegámos juntos a Kiev, numa emoção limpa, sóbria, sem os gritos e as litrosas dos jogos da selecção nacional mas com igual contentamento genuíno. É isso que amamos em nós, às vezes pacóvios mas mais vezes genuínos. Salvador de Portugal é genuíno e é o homem mais amado do dia de hoje. 

 

Parabéns, rapaz. Hoje percebi o porquê de tanta efervescência.

 

#111 gula - ep.4

 

A primeira vez que provei sushi foi no Rio de Janeiro, em 2001, última refeição antes de regressar a Portugal. Não gostei nada. Hoje lembro-me da textura e percebo que não gostei porque era mal preparado. Em 2004, a medo, repeti a experiência e desde então nunca mais parei. Nos últimos treze anos, houve semanas após semanas em que nenhuma passava sem umas quantas fatias de sashimi. Mudei de morada para o outro lado do atlântico várias vezes, América do Norte, Caraíbas (onde quase só comi frango e lagosta), América do Sul. Foi em Los Angeles que comi o melhor temaki da minha vida.

 

©PAUL SIRISALEE

 

 

#100 sobre o orgulho em propriedade alheia

 

 

Mais ou menos na mesma altura que eu, ela foi tentar aprendar alguma coisa sobre cinema na faculdade. Eu em Lisboa, ela no Porto. Quando regressei ao Porto para estagiar, encontrámo-nos, não nos tornámos logo nas amigas que somos hoje. Hoje, ela é a minha maior confidente, a única pessoa no mundo inteiro com quem tenho uma linguagem distinta, própria, de poucas palavras e entendimento quase instantâneo.

Passou anos a lutar, desde a crise de 2008, entre o cinema e a moda, as suas paixões e talentos. Tentou tanto, quase tudo. Um dia deu o grito de ipiranga e o seu olhar mudou. Esse dia foi há muito pouco tempo. Expedita, pôs mãos à obra, juntou-se a uma velha amiga e ajudou-a a fazer nascer a ideia que, a hoje sócia, tinha há muito na gaveta: vestidos pretos, desenhar só vestidos pretos, para todas as ocasiões.

Como posso eu ter tanto orgulho nela, se, apesar de sempre ao seu lado, em nada pude, com estes 300km que nos separam, contribuir para isto? Como posso ter orgulho de um ser que não depende de mim, a não ser no afecto?

Mas estou cheia dele e aqui estão os links dela. O lançamento é hoje. Parabéns às duas.

 

http://www.dramatheblackdressbrand.com

https://www.instagram.com/dramatheblackdressbrand/

https://www.facebook.com/dramatheblackdressbrand/

 

 

 

 

 

#97 dia pessoal do teatro

 

Não é falta de interesse meu pelo teatro, não. É um amor a resolver, este entre mim e o teatro, uma tesão adiada que vamos ter de concretizar - e guardo no peito a esperança que daí comecemos a namorar para o resto da vida. 

 

 

No outro dia, fui assistir a “Encontrar o Sol” - de Edward Albee, com encenação de Ricardo Neves-Neves - no São Luiz. No fim, os actores conversavam com o público e uma senhora, às tantas, decide expor que considera que nós, actores, artistas, nos queixamos muito - que ela teve uma empresa que quase foi à falência durante a crise e ela pôs mãos à obra e construiu tudo do zero, de novo, com sucesso. Queixamo-nos muito e devíamos era fazer e, já agora, devia haver mais sessões porque realmente assim é difícil, a sala está quase sempre esgotada. Minha senhora, se estiver a ler isto, saiba que nesse momento senti vontade de saltar da cadeira e lhe espetar duas chapadas bem dadas. Mas a Cucha Cavalheiro foi muito mais inteligente do que eu e respondeu apenas o que eu pensei: Nós estamos a fazer, isto é fazer. Num segundo, passam pela memória todas as produções que fiz a custo de nada, equipas e equipas de pessoas com altos níveis académicos a fazer apenas para que isto não morra, para que arte continue, para que a expressão artística exista independentemente das piores crises económicas, para que uma crise económica não resulte sempre numa matança cultural. 

 

A primeira vez que interpretei uma personagem foi num grupo de teatro amador, há já 18 anos. A última vez que fiz teatro foi em 2013 e ainda não recebi os meus honorários. Teatro, teatro, fazes parte de mim.

 

O que dizer no dia mundial do teatro quando só me apetece falar de cinema, dos prémios sophia, dos júris do ica, de tudo o que se anda a passar nesta área em portugal? É mais fácil falar do que sei, ou do que conheço, pelo menos, um pouco.

  

A cerimónia dos Prémios Sophia foi seguida de um after-party que não era de todo uma festa, mas sim um encontro entre convidados e que permitiu falar sobre assuntos importantes da nossa área. Muitos saíram desiludidos com a falta de strobs e de DJs à altura. Confesso que um pouquinho mais de bebida e comida não fariam mal ao nosso povo, mas a maior satisfação que aquilo me deu foi ver que havia um objectivo de encontro para se conversar, para se debater num espaço próprio (ao invés de o fazer na plateia durante a cerimónia) e que esse objectivo, pelo menos por alguns, estava a ser concretizado. 

 

Perco-me no meu raciocínio ao falar de teatro ou de cinema, perco-me ao falar de interpretação, da importância do objecto artístico. É como se tivesse que resumir todos os meus sentimentos sobre a vida e considerações sobre o mundo num parágrafo e quando conseguir fazer isso, bom, talvez já tenha escalado o everest e visitado os monges tibetanos e tenha encontrado o nirvana, algures, perdido nos meus neurónios. Perco-me na definição de teatro, de cinema, de arte, de actor da mesma forma que me quero perder na definição de amor.

 

©Joanna Correia

#89 arroios também é lisboa

 

Ali estávamos os dois amigos, sozinhos, agraciados por copos de vinhos incríveis, apresentados pelo dono do Great Tastings, enquanto partilhávamos tártaro de atum com molho de wasabi, vieiras braseadas, crocantes de alheira e pratos de queijo com uvas. O Chef veio à mesa perguntar se estava tudo do nosso agrado.

Conversámos. Por mim, teria juntado toda a equipa na nossa mesa e jantava com eles. Só que o Great Tastings não é no meio dos turistas, nem à frente de uma paragem de tuk tuks. Não é no Príncipe Real, no Intendente ou na Praça das Flores. É no Jardim Constantino, lindo, ao lado da linda fonte da Estefânia. E aí só vai quem conhece Lisboa.

Eu, que conheço um bocadinho de Lisboa, vou lá.

 

 

Great Tastings Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

#88 o restaurante mais bonito de lisboa

 

À entrada, ainda que haja lugares disponíveis, é-se reencaminhado para o bar, numa mezzanine maravihosa. A paixão começa aí: é, na minha opinião, o restaurante mais bonito de lisboa. Não descrevo o espaço porque há um risco demasiado grande em ser injusta, em criar imagens mentais demasiado aquem da realidade. A visita ao Asiático, do famigerado Chef Kiko, é obrigatória pelo seu espaço. Se fosse turista em Lisboa, sairia feliz com a visita - ver arte, comer, comer-arte é tempo mais bem vivido do que em alguns museus.

 

Mas não sou turista em Lisboa. E o meu companheiro cozinha horrorosamente bem, como toda a gente já sabe. E tenho amigas que viveram na ásia e me levam a restaurantes muito fiéis aos sabores asiáticos lá do sítio.

 

O Asiático peca pelas doses pequenas e caras para quem quer satisfazer-se com várias. O couvert é fraquinho e caro. Falha nas texturas - demasiadas a focar-se no gelatinoso e ligeiro - e em informar os clientes que devem usar com fartura as especiarias disponíveis nas mesas. Sem elas, a cru, como eu comi, a comida sabe a pouco. Voltarei para um menu de degustação regado a especiarias e só assim poderei dar o meu veredito final. E para beber mais do pisco sour, que é bom! Contudo, como em alguns museus, uma visita chega.

 

Até lá, deliciar-me-ei vezes sem conta n’O Talho e n' A Cevicheria, que o Chef Kiko, nesses, acertou na mouche.

 

 

O Asiático Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

#64 a boa da reversibilidade

 

Os meus últimos meses têm sido preenchidos com imenso trabalho como actriz, desde novelas a séries e publicidades. À parte das locuções, que me escondem as caretas por trás de um vidro espesso e uma porta pesada, a preocupação com a imagem e com o corpo é uma necessidade. O corpo é a nossa ferramenta de trabalho, o nosso veículo de comunicação, MacLuhanamente falando.  Assim, tenho de fazer as pazes com ele. Se seguem o blogue, o meu Facebook e/ou o meu Instagram, sabem que isso tem sido um processo; também saberão que a partir de hoje é a reentré aqui deste cantinho esquizofrénico chamado Miliuma e que tentarei partilhar o máximo que vos for útil e interessante nesta jornada.

 

A propósito do corpo e da profissão, perguntam-me sempre se tenho tatuagens. Bom, mais ou menos. Tive, feita sem pensar nas consequências, na altivez dos meus dezoito anos e com um desenho tosco na mão que foi, para piorar, desenhado por um tosco ainda mais tosco que tinha aprendido a desenhar na semana anterior (espero eu, caso contrário não há justificação para tamanho disparate que ele prali fez!). Passei anos a rejeitar a existência daquela mancha na pele e outros tantos a escolher desenhos lindíssimos para cobrir a asneira. Falei com dermatologistas, com o meu pai - meu médico e meu melhor conselheiro - com tatuadores e com o google. Depois de muito ponderar, decidi tomar uma decisão consciente que fizesse contraste à inconsciência do passado e remover a tatuagem.

Escrevo-vos a umas horas da sexta sessão de remoção, com uma mancha quase desaparecida. E escrevo para vos elucidar o melhor que conseguir sobre este tema, bem como partilhar a experiência e alguns dados da minha pesquisa.