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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

MILIUMA

#145 true xmas tale

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No dia oito do mês oito deste ano decidi mudar a minha vida. E mudei.

Faceta visível: nos últimos quatro meses quase não tenho escrito no blog, nem visitado amigos, nem planeado viagens, nem outras coisas que tais. Consegui, a meio deste percurso, visitar o Porto Santo e sobre isso falarei muito em breve (aconselho vivamente a espreitarem os packs de passagem de ano na ilha mais quentinha de Portugal que a Vila Baleira tem preparados. Falo por mim, gostaria muito de estar a voar para lá agora, sozinha, com quatro livros e LCD Soundystem nos ouvidos.) Fechei um ciclo amoroso. Mudei de casa e de freguesia. Regressei à faculdade. Reencontrei pessoas e, principalmente, encontrei pessoas. 

Faceta invisível: Nestes meses de questionamento, o mais importante guardo em mim. Não que se esgote na partilha, simplesmente a intangibilidade da descoberta não tem importância para partilhar, senão para se traduzir nos mais pequenos gestos quotidianos. Hoje, enquanto caminhava na Foz, vi o sol a pôr-se e as gaivotas portuenses a pousarem na estátua do Homem do Leme e pensei no quanto sempre a amei, desde garota, enquanto trauteava a música homónima com o meu sotaque de infância. Chorei da candura que é encontrar a felicidade nas minhas próprias células. Foda-se, que belo sentir-me assim. Desejo-vos o mesmo para este Natal. Aos meus companheiros ateus, um dia de partilha feliz. 

 

 

#107 o natal ainda dou de barato, agora, a páscoa?

 

Em criança, passei sempre a Páscoa no Algarve. Viagens intermináveis de carro entre o Porto e o destino escolhido da costa algarvia, paragem obrigatória no Canal Caveira, duas semanas de piscina e de brincadeira com os filhos do Dr. Aroso. Éramos onze, nós e eles e nunca celebrámos a Páscoa. Depois vim morar para Lisboa e depois passei quase cinco anos fora de Portugal e entretanto voltei para Lisboa e, no meio dessa confusão, nunca me apercebi que as pessoas efectivamente celebravam a Páscoa. Este fim-de-semana, sozinha, com tudo fechado, fez-me sentir como se estivesse a passar o Natal num país tropical e toda a gente estivesse recolhida com as suas famílias enquanto eu permaneci, à secretária, a trabalhar em projectos novos até a solidão me agarrar.

 

 

#82 capacetes brancos

 

Não aguentei dez minutos a assistir o 60 minutos desta semana.

Comecei a soluçar no choro, de impotência, de empatia, de dor.

Um homem de capacete branco desenterra uma criança viva, com medo e sem choro, a respirar pó de cimento durante horas.

Leva-a para dentro da ambulância e chora no seu ombro. O capacete branco chora, copiosamente, no ombro da criança silenciosa.

 

Pensei: de que serve o dinheiro nestas merdas? Ajuda os que se salvaram, claro. Mas e os que todos os dias são cobertos por escombros?

Para isso existem eles. Um pesquisa rápida leva-me a este site, aqui os nossos trocos apoiam quem salva vidas.

O meu pai abraça-me e eu sinto o conforto de uma casa inteira e uma família (quase) inteira a providenciar-me a ilusão do inabalável e do incondicional, a ilusão a que me agarro um dia ou outro para aguentar todos os outros dias de realidade.

 

Um abraço apertado a todos os que, diariamente, apoiam e ajudam os demais.