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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#137 gula - ep.13

 

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À porta do hotel, um senhor bem parecido esperava com o seu jipe e um sorriso vestido. Enquanto falava sobre a ilha do Porto Santo, subia as montanhas com a destreza de quem as conhece de cor, mesmo nos dias de nevoeiro serrado. Quando parou o carro, voltou a sorrir e percebeu que ficámos deslumbrados com a vista. Sim, só podia chamar-se Panorama.

 

 

#124 gula - ep.9

 Japão, anseio-te.

 

ataribabymiliuma.jpg

 

Aparte sobre viagens:

Ontem jantei com uma amiga que esteve duas vezes no Japão, recentemente. Falámos sobre tudo menos sobre isso, um disparate. Tenho quinhentas perguntas (quase literalmente), uma vontade enorme de embarcar já para a semana e levar comigo uma câmara, um smartphone e um bloco de notas, para registar tudo. É muito dinheiro, há-que saber gerir a visita. Prometo, portanto, partilhar todas as dicas, seja antes ou depois de um dia lá colocar o pé.

 

 

#93 a garrafita precisa de amorzito

 

 

Para quem ainda não viu a campanha, aqui vai uma fotografia a uma página de jornal:

 

É. Eu sei.

 

No outro dia estava a gravar com o telemóvel um famoso InstaStories sobre a beleza dos prédios de Lisboa ao pôr-do-sol e, enquanto proferia essa frase cliché mas sempre digna de lembrança, um carro com uns otários quaisquer passou e ouvi: és mesmo ljdhozfg, fazia-te çfhaglijdbeg, ó sfglahfna. Juro que foi isto que disseram. Eu, num tripeiro menos educado, proferi a seguinte frase: “Só para lembrar que os prédios de Lisboa ficam mesmo vai pró cará* ó filho da p*!”. Parei de gravar e ri-me muito, pensando na alegria de aquilo não ser um directo.

 

Ora, a Débora Monteiro tem curvas. Bonitas. E é giríssima. Está tudo bem. E se alguém se atrevesse a soltar verborreias semelhantes às acima retratadas, ela responderia certamente com o nível tripeiro que lhe vai na veia: Bonita é a garrafita, ó morcom! E nisto ficaríamos. Bonita, bonita, é a nova garrafita. Não que eu seja condescendente com estes pseudo-piropos untados a violência, mas juro que aqui só vejo boa intenção. Por exemplo: porquê “Bonita, Bonita” e não “bonito, bonito” que, como toda a gente sabe, é rapidamente completado com algo sobre tomates e, às vezes, as canções de Tozé Brito? Porque a campanha anterior era:

 

 

E isto, sim, é de mau gosto, senhores. Porque toda a gente percebe o trocadilho do “bonito bonito” e do favaíto.

 

Na nova campanha houve, claramente, uma provocação, uma crítica aos anúncios das gajas boas, falando das curvas da garrafa que, essa, sim, é o que interessa.
Contudo, há um tiro no pé. A Débora é bonita, a garrafa é, de facto, para o target, vá, bonita, mas a fotografia é péssima. E a roupa. E a produção. Porquê? Parece que um leitor do post do MCSomsen sobre o assunto acertou:

 

 

Pois quem teve a ideia de melhorar o “bonito bonito”, tirar-lhe a brejeirice, brincar com o sexismo e quase atribuir o poder à mulher nortenha, que, banhada pelo Douro, os manda a todos olhar para as curvas da garrafa, não esteve nada mal. Às tantas tinha esta e mais três ou quatro ideias em carteira, como é comum nestas andanças da publicidade e como o autor do comentário sugere. Mas foi esta a ideia escolhida - afinal, para quê responsabilizarmo-nos por uma subida de bom gosto e tacto do target a que se dirige?  Se a respeitável Débora tivesse sido bem vestidinha com uma direcção de arte à maneira, provavelmente tudo isto teria sido engraçado o suficiente para que o trocadilho,a provocação e o gozo com este tipo de campanhas fosse evidente em um nanosegundo. 


Como nos filmes a gozarem com os maus filmes, cujo target são os espectadores desses mesmos maus filmes, há sempre uma linha muito difícil de definir. E de defender.

Bonita, Bonita, é a nova garrafita e a verdade que é o Favaito continua a ser uma maravilha de se consumir na verdadeira tasca portuguesa, onde ainda nos rimos com os bigodes nojentos e farfalhudos e os calendários das mulheres de Santarém - tascas onde os turistas ainda não nos obrigaram a ter de viver sempre no melhor do bom gosto e onde ainda podemos mandar pra certo sítio os homens dos moscatéis.

 

 

 

#91 o primeiro aniversário da Miliuma

 

Há um ano estava ansiosa a escrever os primeiros posts para ficarem prontos no dia 1, a decidir com a Sapo tipos de letra e tamanhos das fontes.

Há um ano estava a provar gins na Gin Lovers® até chegar ao Gin Miliuma®, a convidar amigos para celebrarem comigo este começo de qualquer coisa.

Há um ano o céu estava menos nublado e a temperatura um pouquinho mais alta. Há um ano estava cheia de medo.

 

Não me tomem, por favor, como presunçosa. Eu sei que esta coisa não é de extrema importância para qualquer um dos leitores que por aqui se deixa ficar. Nem para mundo, portanto, porquê o medo e a ansiedade? Porque é importante para mim. É uma desconstrução do meu eu nas suas diversas esferas de interesse, é uma tentativa de, paradoxalmente, roçar um narcisismo necessário com o intuito de expor o que guardo em demasia e quizas, nessa nessa fuga interna-externa, a informação e as sensações se colarem também a vocês - e o que antes era meu passar a ser também, de alguma forma vosso.

 

Conheci umas quantas pessoas que, de um dia para o outro, desapareceram do planeta. Os mais optimistas dizem que se tornaram pó de estrela. Assim, de um dia para o outro. Não posso de todo almejar que um simples blog onde falo de tantas coisas tenha qualidade para ser considerado um legado. Mas se há coisa que aprendi neste rápido e breve primeiro ano de existência do Miliuma, é que ele pode ser um postal, uma fotografia de um lado, um texto do outro, destinatário world wide web.

 

Promessas eleitorais

O ano que agora termina foi uma introdução, ano zero desta aventura.

Este ano vou escrever muito, sobre quase tudo o que penso, me incomoda ou me agrada.

Vou filmar-me, vou filmar os outros, vou filmar a vida.

Vou continuar a motivar-me com a maravilha de comentários que recebo e com as mensagens quem me pede que escreva mais.

Vou partilhar! ♥︎

Vou viajar e falar de tudo, vou calcorrear Lisboa e Porto e Portugal e falar de tudo, vou criar projectos novos e falar de tudo.

Uma coisa é certa, eu sempre fui feita de miliuma coisas. Com este meu pequeno grande projecto, só passei a assumi-lo todos os dias.

 

Este ano vou fechar um ciclo e começar outro que se espera que seja ainda mais intenso e positivo.

 

 

 

Obrigada pela preferência, pessoas.

Que ano!

 

#90 maria helena vieira da silva

 

Uma amiga liga-me a dar os parabéns. Pessoal, é hoje o meu episódio do Ministério do Tempo. Rebobinámos na box e assistimos, os quatro, à magia moderna de me ver a interpretar a Maria Helena Vieira da Silva numa placa de LEDs luminosos. Para eles, esteve bem e passou num instante. Boa, miúda. Para mim, não foi bem assim.

 

Enquanto passamos pelos vossos televisores como hologramas, apropriamos palavras que vós, espectadores atentos, acreditam desaparecer connosco quando desligam o botão e vão dormir. ( os espectadores desatentos não escutam essas palavras, ouvem manchas sonoras que fazem companhia nos fins de dia, nada contra, acho enternecedor pensar que a minha voz pode fazer parte dessa tecelagem humana.)

 

Escrevo aos espectadores atentos, os que imaginam como será a nossa vida de ler textos, ensaios, talentos naturais a debitar as palavras das personagens que parece que têm sempre tanto a ver connosco. Escrevo para lhes dizer que em cada episódio há dias e dias de trabalho, de doze horas diárias em estúdios, de acordar de madrugada e chegar a noite a casa, de receber textos à última da hora de cenas que ainda estão longe de acontecer e que estão descontextualizadas daquilo que já conhecemos da personagem, textos com palavras que não foram escritas nem pensadas por nós mas, tantas vezes, por pessoas que nunca conhecemos na vida. Com as tais palavras que se tornam nossas. Para lhes lembrar que chegamos a casa e também gostamos de fazer sopa para o jantar, dar um beijo a alguém, tomar um banho, fazer algo de diferente, mas há textos para estudar e de repente já só faltam outra vez cinco horas para acordar e ter a cara mais lavadinha do mundo em frente a lentes e câmaras que nos engordam e disformam para duas dimensões, favorecendo uns e acabando com a auto-estima de muitos, muitos mais.

 

Eu, eu não tenho razão de queixa. Quanto mais trabalho mais gosto do que faço, interpretar é uma fonte infinita de felicidade. Contudo, espectadores atentos, expectantes e especuladores, as palavras não desaparecem quando o televisor desliga. Podem desligar todos os televisores do mundo e destruir todas as boxes e gravadores existentes que o nosso cérebro guarda as palavras, uma a uma, e bebe as personagens e aglutina-as em nós, qual Pessoa, qual Álvaro de Campos. As palavras não vão embora porque nós também não vamos embora e, enquanto se cruzam com os nossos hologramas televisivos, os espectadores atentos e desatentos estão, apenas e na verdade, a ver-nos a crescer. 

 

 

#88 o restaurante mais bonito de lisboa

 

À entrada, ainda que haja lugares disponíveis, é-se reencaminhado para o bar, numa mezzanine maravihosa. A paixão começa aí: é, na minha opinião, o restaurante mais bonito de lisboa. Não descrevo o espaço porque há um risco demasiado grande em ser injusta, em criar imagens mentais demasiado aquem da realidade. A visita ao Asiático, do famigerado Chef Kiko, é obrigatória pelo seu espaço. Se fosse turista em Lisboa, sairia feliz com a visita - ver arte, comer, comer-arte é tempo mais bem vivido do que em alguns museus.

 

Mas não sou turista em Lisboa. E o meu companheiro cozinha horrorosamente bem, como toda a gente já sabe. E tenho amigas que viveram na ásia e me levam a restaurantes muito fiéis aos sabores asiáticos lá do sítio.

 

O Asiático peca pelas doses pequenas e caras para quem quer satisfazer-se com várias. O couvert é fraquinho e caro. Falha nas texturas - demasiadas a focar-se no gelatinoso e ligeiro - e em informar os clientes que devem usar com fartura as especiarias disponíveis nas mesas. Sem elas, a cru, como eu comi, a comida sabe a pouco. Voltarei para um menu de degustação regado a especiarias e só assim poderei dar o meu veredito final. E para beber mais do pisco sour, que é bom! Contudo, como em alguns museus, uma visita chega.

 

Até lá, deliciar-me-ei vezes sem conta n’O Talho e n' A Cevicheria, que o Chef Kiko, nesses, acertou na mouche.

 

 

O Asiático Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

#72 o benefício

 

Ninguém sabe o que é, mas vai ser incrível! - diz o R.

 

Eu tenho uma ideia. Ouço falar d' O Benefício há três anos e só isso já é o suficiente para perceber que se trata do fruto de um pensamento acarinhado pelo tempo. Não sei há quanto tempo, quantos anos, talvez décadas, está O Benefício a ser marinado na mente de um dos amigos mais criativos deste país. Sei que O Benefício chegou. Com ele o seu website e a breve oportunidade de entrar na pré-compra da primeira edição limitada de cem exemplares deste maravilhoso regalo. Não, isto não é um giveaway, mas antes um post de alta utilidade para quem é apreciador da excelência, singularidade e exclusividade do que temos de melhor em Portugal. 

 

Que bonita esta forma de seleccionar o número da edição limitada, parece um cartão picado:

 

Sim, eu também estou muito curiosa. Para ajudar, aqui segue o teaser:

 (se não abrir, cliquem aqui)

 

"O BENEFÍCIO É DE TODOS e para todos, merece ser partilhado com o mundo e apreciado em momentos únicos com aqueles que mais gostamos. É uma história sem reticências ou ponto final que queremos continuar a escrever. A várias mãos. Em várias línguas."

 

#67 mariscada na ribeira

 

Desde o Peixe em Lisboa que procurava incessantemente bons locais para comer caranguejo de casca mole, essa paixão instantânea surgida no último dia do evento. Na Marisqueira Ribamar, em Sesimbra, não os fazem constantemente e ficam-me, com franqueza, fora de mão. Entretanto, experimentei na maravilhosa Miss Jappa mas pareceu-me caro para um maki de tempura do dito caranguejo. Dizem que o Prego na Peixaria já tem, mas ainda não provei. O Chapitô à Mesa serviu-os também em tempura durante uns dias, mas não cheguei a tempo de os degustar. Restava a Marisqueira Azul, na esplanada exterior do Mercado da Ribeira. Confesso que pensei que seria demasiado caro, pela localização e o excelente ambiente e por isso fui adiando a visita.

 

 

 

#65 hashtag férias

 

2016 tem sido interessantíssimo. Sem ironia, tem mesmo. Mas o interessante nem sempre paga as contas e agora que vou ter a minha semana de férias anual a dois - é preciso chegarmos a Novembro para conciliarmos 7 noites consecutivas. Assim, para as nossas importantes férias de uma semana e qualquer coisa a descansar o cérebro e a alimentar o coração, num instantinho percebemos que precisávamos de praia e pouca movimentação. Contudo, com 7 noites apenas, torna-se apertado ir para a Ásia e destinos com os quais sonhamos persistentemente (sim, o advérbio é mesmo este!) Portanto começámos a ver destinos mais próximos e que ainda nos permitam apanhar sol e umas temperaturas simpáticas. Confesso: eu comecei, eu faço a pesquisa, com todo o gosto. Quando era pequena, o meu pai trazia-me carradas de revistas da agência Abreu e eu brincava com a minha vizinha às agências de viagens. Hoje continuo a ter um gostinho especial por esse cargo de direcção turística familiar.

 

 

#63 enfim, cenas (do próximo capítulo)

 

Vinte e dois dias sem escrever uma linha. Duas semanas e qualquer coisa a descomprimir depois de um ano recheado de trabalhos, projectos, ideias, propostas, tantos nãos e uma mão cheia de sins. 

 

Não acredito que seja ainda algum vestígio do horário escolar. Depois do calor intenso do verão e das férias e com a chegada desta brisa fresca, o nosso corpo diz-nos que está na altura de começar outra vez. Novos planos, novas agendas, nova estação, novas roupas, novos cheiros, novas promessas. Eu faço de Setembro um prólogo ao meu ano que começa em Outubro, com o meu aniversário.

 

Partilho que este mês decidi uma série de coisas, quase-resoluções de ano novo sem a pressão de Janeiro a desfazer-se nas mãos demasiado depressa. A parte das minhas decisões que mais interessa é que a reentré do Miliuma é feita já - esta segunda-feira. Dentro da minha capacidade, claro, porque o tempo não estica e o dom da ubiquidade ainda não me foi concedido apesar dos múltiplos formulários que já preenchi nesta requisição infrutífera, estarei a dedicar-me a este novo semestre de Miliuma com o apoio de profissionais que me orientarão nesta próxima jornada. Quando o Miliuma, em Março, completar o seu primeiro aniversário, então aí faremos uma festa e logo decidirei os planos de futuro. Por agora, baby steps.

 

Que venha um semestre cheio de força e que eu consiga manter-me com este entusiasmo com o qual agora vos escrevo. Contem com nada menos do que vos dei até agora: um blogue humilde, sem pretensões nem maroscas, feito de posts íntegros, frutos da minha opinião própria, das minhas pesquisas e investigações, das minhas escolhas pessoais, da minha aprendizagem e das minhas manias. Das miliuma insónias e das miliuma ideias que me surgem diariamente e que vão mudando, com(o) o tempo. Enfim, cenas.

 

©José Pinto Ribeiro

 

 

Está tudo bem, diria ele. E está. Não é para ser perfeito, porra, é para ser real.