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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#125 tráfico humano e escravidão sexual em 2017

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Eu tenho uma amiga chamada Christina. Começou por ser minha professora de improvisação e, na altura, não tínhamos uma química especial. No fim do curso em Nova Iorque, deu-me A+, o único A+ da minha pauta. Um ano depois, encontrei-a em Los Angeles e tornámo-nos amigas. Ela, na altura com quarenta e nove anos, parecia uma garota de vinte e cinco. As duas partilhámos uma história de tragédia pessoal, tornámo-nos confidentes e ainda hoje nos correspondemos. Filha da vencedora do Óscar de Melhor Atriz Secundária Olympia Dukakis e do brilhante Louis Zorich, a Christina nunca teve a vida feita por ser filha de quem é. Ela é, aliás, um furacão e quem a conhece que o confirme.

 

#40 a culpa não é tua

 

Na sua voz rouca tão particular, a cantautora espanhola Bebe musicava em ritmo acelerado as palavras “Malo, malo eres, no se daña a quien se quiere, no”. Admirava-a por ter escrito esta letra, por ter lançado uma música despudorada na sua referência à violência. Mais tarde, dividi um apartamento em Cuba com uma espanhola que era amiga da Bebe e fiquei feliz por ser amiga de uma amiga da mulher guerreira. A ilha transpira sexualidade, o calor húmido, a salsa e o rum patrocinam o erotismo de um país que já foi (ou ainda é) destino de turismo sexual. Quando lá morei, Cuba tinha a taxa mais baixa de homicídio por violência doméstica da America Latina.

 

Nos quase cinco anos que estive fora de Portugal, morei um inteiro na cidade de São Paulo. São Paulo é deslumbrante e assustador ao mesmo tempo. É tenso, é quente e chuvoso. Nas carruagens de metro, cartazes da campanha “Homem de verdade não bate em mulher”. Brasil, um país onde 1 em cada 5 mulheres sofre ou sofreu de violência doméstica.