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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#134 fãs, quem sois vós

katy perry miliuma.png

 

Sigo, no instagram, uma boa quantidade de figuras ditas públicas. Mais de 90% são minhas colegas ou amigas, pessoas com quem me relaciono na vida não virtual. Todas elas são, como seria de esperar, seres humanos iguais aos outros em variadíssimos aspectos. Comem, dormem, dão puns, têm horários de intestinos, mau-humor, ressaca, mandam piadas secas de vez em quando. Têm constrangimentos, medos, inseguranças e ainda uma porrada de defeitos. Independentemente de tudo isto, proporcional ao número de likes no instagram, surgem as páginas de fãs. A mim já me criaram e desfizeram umas quantas, sem que eu soubesse ou desconfiasse quem assinaria a sua autoria. Uma vez, ainda, pediram-me autorização para fazer uma. Era um garoto, adolescente, simpático e educado. Disse-lhe que não podia dar ou deixar de dar autorização, mas que não era de todo algo com o qual me identificasse e que se ele pudesse não o fazer, que agradecia. E ele desejou-me sorte.

 

 

#64 a boa da reversibilidade

 

Os meus últimos meses têm sido preenchidos com imenso trabalho como actriz, desde novelas a séries e publicidades. À parte das locuções, que me escondem as caretas por trás de um vidro espesso e uma porta pesada, a preocupação com a imagem e com o corpo é uma necessidade. O corpo é a nossa ferramenta de trabalho, o nosso veículo de comunicação, MacLuhanamente falando.  Assim, tenho de fazer as pazes com ele. Se seguem o blogue, o meu Facebook e/ou o meu Instagram, sabem que isso tem sido um processo; também saberão que a partir de hoje é a reentré aqui deste cantinho esquizofrénico chamado Miliuma e que tentarei partilhar o máximo que vos for útil e interessante nesta jornada.

 

A propósito do corpo e da profissão, perguntam-me sempre se tenho tatuagens. Bom, mais ou menos. Tive, feita sem pensar nas consequências, na altivez dos meus dezoito anos e com um desenho tosco na mão que foi, para piorar, desenhado por um tosco ainda mais tosco que tinha aprendido a desenhar na semana anterior (espero eu, caso contrário não há justificação para tamanho disparate que ele prali fez!). Passei anos a rejeitar a existência daquela mancha na pele e outros tantos a escolher desenhos lindíssimos para cobrir a asneira. Falei com dermatologistas, com o meu pai - meu médico e meu melhor conselheiro - com tatuadores e com o google. Depois de muito ponderar, decidi tomar uma decisão consciente que fizesse contraste à inconsciência do passado e remover a tatuagem.

Escrevo-vos a umas horas da sexta sessão de remoção, com uma mancha quase desaparecida. E escrevo para vos elucidar o melhor que conseguir sobre este tema, bem como partilhar a experiência e alguns dados da minha pesquisa.

 

 

#61 podia tatuar verdade no corpo

 

Eles não precisam de ser iguais a mim para serem meus amigos. Colocam fotografias no instagram dos seus braços a crescerem no ginásio, de costas, a explicar o treino, com o número de burpees e de sequências. Fotografias esteticamente descuidadas, semelhantes a cada dia, sem luz para parecer bonito, só um relato de uma superação. Na verdade, não quero saber se as pessoas vão ao ginásio ou não, isso não é o que interessa ali. Dou o meu like de imediato porque sinto a verdade, o orgulho na superação; cada um tem as suas metas.

 

Nenhuma daquelas fotografias é tirada para ser bonita, mas é mostrada por ser a realidade, qual Alicia Keys sem maquilhagem a ser mundialmente elogiada pela coragem de aparecer perante as câmaras ao natural. Quando é que passou a ser um acto de coragem mostrarmos o que somos? Mais do considerar louvável, considero (a realidade) imprescindível.

 

 

Esta sou eu, com um fato que em nada me favorece, num dia de barriga inchada, numa posição dolorosa e desconfortável. Estou há quase meio ano a alterar o meu estilo de vida, a comer de forma mais saudável, a melhorar as minhas escolhas, a fazer exercício físico. Pela primeira vez na vida, a ter  muita dificuldade em emagrecer. Uma magrita a vida toda que de repente fez trinta anos e se deparou com uma realidade diferente. Custou-me aceitar esta imagem, tinha medo que ao aceitá-la estivesse a compactuar com a sua presença e a acomodar-me.

 

Hoje acordei, literalmente, hoje acordei e percebi que é mais importante partihar esta fotografia sobre a primeira vez que me encostei a uma barra com um fato de ballet com uma professora russa a gritar comigo, sobre a superação e a aprendizagem e a insistência em prol da interpretação da minha personagem, do que publicar apenas fotografias em ângulos elogiosos e calculados ou do que não publicar nada sobre este momento sequer, só porque não gosto do meu corpo assim e porque estou numa fase de mudança. Ele diria, não faz mal. E não faz. Estou em mudança e este é o meu corpo hoje e o mais importante que tenho para vos dizer é: tenho muito orgulho em mim, este dia foi do caraças.