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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

MILIUMA

#31 polaroid

 

No dia em que percebi que todos os meus documentos de 2008 a 2013 tinham desaparecido para sempre, não chorei. Eram duas da tarde, enfiei-me debaixo dos lençóis e dormi.

Fiquei de ressaca desde essa quinta-feira até domingo, em silêncio, sem vontade de pronunciar frases inteiras e correr o risco de as perder também. 500 gigas de memória falsa, 5 anos passados quase a viver fora de Portugal, a viajar o mundo, a aprender, a conhecer pessoas das quais nem uma fotografia guardei. E assim ficaram as minhas memórias, quais polaroids instantâneas que se desfazem em três pela tesoura da cozinha e das quais ficas só com a parte desfocada, que não prova coisa alguma.

 

 

#30 chegou o calor

 

Começo a segunda com esta sensação de que é quinta, cinco da tarde, e ainda falta tanto para fazer e tenho tao pouco tempo até ao fim de semana, em que quase me obrigo a não trabalhar, em que exerço o poder de ser patroa de mim própria e me mando para casa, vai helena, está na altura de descansares. E eu, que divido o cargo de gerência com o de faz-tudo lá do sítio, vou para casa, transportando-me da mesa para a chaise longue do sofá, onde não dá jeito nenhum usar o computador, e passo dois dias a alternar entre trabalhar um bocadinho às escondidas e fingir que descanso enquanto penso em todas as coisas que ainda tenho para fazer, que aposto que esta segunda-feira vai começar e me vai parecer que é quinta. Durmo até mais tarde na segunda porque posso, não porque tenha sono, afinal passei o domingo na chaise-longue, mas porque tem de haver alguma vantagem nisto de trabalhar por conta-própria. Por falar em trabalhar por conta-própria, hoje foi diferente, hoje acordei a pensar no IRS. Vivam as segundas-feiras, viva Maio, viva o dia do trabalhador!

 

© Fabrice Pinto

 

O texto poderia acabar assim, com a aparente amargura do início da semana. Trata-se exactamente do oposto. Os dias correm, o IRS faz-se, o dinheiro esgota-se e o sorriso continua, enquanto houver esta luz de fim de quinta-feira na Avenida a iluminar-me. Obrigada Sr Fotógrafo, bela cápsula de memória.

 

 

#20 a ante-estreia

 

A prova de que em pouco tempo se conseguem criar grandes emoções. - Fernando Fragata

 

Bela, cruel e hipnótica, “Vícios para uma família feliz” é a ficção da pior realidade que todos escondemos sobre nós próprios. - Nuno Duarte

 

Terminou em Março. Daqui a duas semanas rumamos à Madeira para a estreia oficial. Em Maio estará, sozinho, em Cannes.

O nome "Vícios Para Uma Família Feliz" esteve dois anos e meio nas nossas cabeças; saiu das nossas mãos e do nosso sangue. (ler mais sobre o processo aqui)

E desde sexta-feira, dia 8 de Abril, que ele tem a sua própria vida e já não nos pertence só a nós. 

 

A ante-estreia à porta fechada (um filme em circuito de festivais não pode ser exibido publicamente) foi, com todo o carinho, alimentada pelo Pito do Bairro, do Olivier e acolhida no maravilhoso Cargo 111, no Bairro Alto, em Lisboa. 

 

 

© Bruno Veiga

 

A todos os presentes, a todos os que morreram um pouquinho por não terem conseguido estar presentes, a todos que me perguntam quando posso ver, quando posso ver:

Muito obrigada.

 

www.addictionsforahappyfamily.com