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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#134 fãs, quem sois vós

katy perry miliuma.png

 

Sigo, no instagram, uma boa quantidade de figuras ditas públicas. Mais de 90% são minhas colegas ou amigas, pessoas com quem me relaciono na vida não virtual. Todas elas são, como seria de esperar, seres humanos iguais aos outros em variadíssimos aspectos. Comem, dormem, dão puns, têm horários de intestinos, mau-humor, ressaca, mandam piadas secas de vez em quando. Têm constrangimentos, medos, inseguranças e ainda uma porrada de defeitos. Independentemente de tudo isto, proporcional ao número de likes no instagram, surgem as páginas de fãs. A mim já me criaram e desfizeram umas quantas, sem que eu soubesse ou desconfiasse quem assinaria a sua autoria. Uma vez, ainda, pediram-me autorização para fazer uma. Era um garoto, adolescente, simpático e educado. Disse-lhe que não podia dar ou deixar de dar autorização, mas que não era de todo algo com o qual me identificasse e que se ele pudesse não o fazer, que agradecia. E ele desejou-me sorte.

 

 

#20 a ante-estreia

 

A prova de que em pouco tempo se conseguem criar grandes emoções. - Fernando Fragata

 

Bela, cruel e hipnótica, “Vícios para uma família feliz” é a ficção da pior realidade que todos escondemos sobre nós próprios. - Nuno Duarte

 

Terminou em Março. Daqui a duas semanas rumamos à Madeira para a estreia oficial. Em Maio estará, sozinho, em Cannes.

O nome "Vícios Para Uma Família Feliz" esteve dois anos e meio nas nossas cabeças; saiu das nossas mãos e do nosso sangue. (ler mais sobre o processo aqui)

E desde sexta-feira, dia 8 de Abril, que ele tem a sua própria vida e já não nos pertence só a nós. 

 

A ante-estreia à porta fechada (um filme em circuito de festivais não pode ser exibido publicamente) foi, com todo o carinho, alimentada pelo Pito do Bairro, do Olivier e acolhida no maravilhoso Cargo 111, no Bairro Alto, em Lisboa. 

 

 

© Bruno Veiga

 

A todos os presentes, a todos os que morreram um pouquinho por não terem conseguido estar presentes, a todos que me perguntam quando posso ver, quando posso ver:

Muito obrigada.

 

www.addictionsforahappyfamily.com

 

 

 

#14 the amelia project

 

Eu não estou a viver no aeroporto para salvar o Nyan, mas vim dar a minha contribuição.

 

 

Nyan é a representação de milhares de crianças que morrem anualmente de cancro no Myanmar, um país paupérrimo com 50 milhões de habitantes e apenas um hospital pediátrico capaz de receber estas crianças.

 

Leiam mais aqui, mas leiam mesmo, porque é quase inacreditável (e nós, eu e quem me estiver a ler, podemos ajudar!).

http://www.theameliaproject.eu

 

Quando o meu colega Luís Eusébio me disse que ia passar 24 horas no aeroporto e me explicou do que se tratava, em minutos reajustei a agenda toda e fui visitá-lo, conhecer o Fernando Pinho e fazer parte da mudança. Mostraram-me imagens e contaram-me as histórias. Pelo contexto, contei-lhes como eram os hospitais em cuba, os não turísticos - uma casa-de-banho para todos, cães moribundos a percorrerem a ala da maternidade, pareos a servirem de divisórias entre salas de observação, agulhas não esterilizadas, algodão sujo a ser reutilizado. E eu, que vivi lá e estive lá hospitalizada à custa de umas dorzitas, multipliquei a falta de condições e sensação de medo por mil e juntei-lhe a impotência da falta de alternativa. 

 

Eles agradeceram muitas vezes e ainda não compreendi porquê. Eu é que tenho de agradecer por ter uma vida boa e poder ajudar os outros. Por me ser possível, com menos do que o preço do voo Lisboa-Porto, salvar uma vida. E isso é brutal.