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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

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#87 vamos lá ter um emprego como deve ser

 

Já não é a primeira vez que Candela Peña pede trabalho em público, à comunicação ou em entregas de prémios, sem qualquer pudor. Não tenho como não empatizar com a sua causa. Desta vez, foi na passadeira vermelha dos Goya, que, quando abordada pelos jornalistas, soltou: «Pues muy bien, que me den trabajo, porque llevo meses sin rodar y tengo que pagar la luz y las facturas.»

 

O documentarista Paulo Carneiro chamou-me à atenção para este artigo, que menciona Candela Peña e descreve brevemente a precariedade na área do cinema. Passei para os comentários que, como é habitual - e, pelos vistos, não são só um cancro das publicações portuguesas - são tremendos. Um tipo dizia-lhe que arranjasse um trabalho normal, de gente normal.  E outra: Que vá lavar escadas, como as outras pessoas.

 

Vamos lá ver: o que é ter um trabalho normal? Como gente normal? É ter um trabalho não-qualificado? Não pode ser um trabalho qualquer, como médico, advogado ou professor, com certeza. Porque para esses também é preciso um curso superior, colocações - e eles também correm o risco de se queixarem, atenção. Um trabalho normal é lavar escadas, servir a mesas de restaurantes de segunda que não peçam curso de hotelaria, reposição em armazéns e supermercados, ser funcionária da caixa registadora, empregada doméstica? É isso, não é? Porque fora desses trabalhos, bom, somos todos uns queixinhas exigentes. Trabalho artístico? Isso é para mandriões! Vão trabalhar, chupistas!

 

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