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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

MILIUMA

#56 mais amor, por favor

 

Hoje conversava com uma amiga, a A. sobre os incêndios. Ela contava-me que, salvada a casa, todo o resto do terreno do sogro ardeu. Que vizinhos deste perderam tudo. Duas horas depois, a J. escreveu-me sobre os incêndios na Madeira, enviámos emoticons a chorar uma à outra e consolámos-nos assim virtualmente. Procurei o telemóvel e vi o número de likes na minha foto no Instagram, tirada de cabelo ao vento ao pé da piscina. Céu azul, sem sinais de fumo por aqui. Por isso, o assunto é distante. Escrevo agora, quase à uma da manhã, televisão em silêncio, o fogo cada vez mais longe. Vem o sono e penso que não, não posso ir dormir sem pensar nisto, sem reflectir nem que por cinco minutos nesta tragédia. 

 

Ano após ano, fogo após fogo, Portugal fica coberto de cinza, manchas de árvores castanhas ocupam áreas cada vez maiores dos campos que se vêm da auto-estrada, terrenos de uma população envelhecida que não viverá anos suficientes para ver os seus pedaços de terra a gerar mais vida. A população envelhecida somos nós, os portugueses, a morte é de todos nós. Não me chega desligar a televisão, porque as dúvidas não vão embora. Já não me debruço apenas nas limpezas das matas, na fiscalização, nas leis que continuam a ser vantajosas para estes crápulas. Penso pior:

Tem de haver um nível de psicopatia em quem acende um fogo intencionalmente. Essa falta de empatia pelo próximo e incapacidade de sentir culpa ou remorso é grave e partilhada pelos mais impiedosos assassinos. E os incêndios, são muitos, em todo o país, todo o verão. Estamos rodeados de pessoas ligeiramente psicopatas que nos ganham sem punição.

 

 

#49 o meu post dava uma reportagem - errata RTP

 

Alguns dizem "a minha vida dava um livro". Hoje digo "o meu post dava uma reportagem". E deu! Aqui.

Não consigo, contudo, completar a sensação de dever cumprido se não clarificar este assunto:

 

A RTP contactou-me para fazer uma reportagem depois de terem lido o meu post no blog. O tema interessou-os e ainda bem. Fui entrevistada na qualidade de blogger, falei sobre o Miliuma, os meus objectivos com o blog, o post em si, dei as minhas dicas sobre o assunto das burlas nos arrendamentos. Tenho respeito e carinho pela jornalista que fez a reportagem e já a informei da minha sincera opinião sobre a reportagem, opinião que ela compreende. Fui informada pela mesma que a peça foi cortada para caber no Telejornal e que, nessa edição final, tinham retirado todas essas partes. E cortar é um acto de sensibilidade. Rapidamente, passei a ser a Helena que está à procura de casa. E não é bem assim.

 

Quero, assim, elucidar-vos: não estou à procura de casa para ir morar com o meu namorado, eu vivo actualmente com o meu companheiro, procuro casa há muito tempo e continuarei a procurar durante uns anos, até encontrar "o" lugar. Não fui vítima de burla de arrendamentos e a única razão pela qual fui entrevistada é porque o meu post deu origem à reportagem, ainda que isso não tenha aparecido no corte final. Lamento que o mesmo não tenha sido identificado, nem o meu sobrenome, nem eu como autora. Fica aqui, para quem ler. E ficam os conselhos e o alerta, que no meio de tudo isto, é o mais importante.

 

Obrigada.