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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

MILIUMA

#96 a fobia da justificação

 

Eu sento-me no computador e ele, ao meu lado, olha distraído e de passagem. Algo o chama a atenção no ecrã, pergunta o que é, respondo. Depois começa a ler o que estou a escrever, inocente curiosidade de um amigo que também é marido e que sabe que não tenho nada a esconder. Conhece os meus desejos mais secretos e os nojos que mais me envergonhariam se alguma vez ditos em voz alta; sabe de mim e sobre mim o que nunca ninguém soube e, mesmo assim, contei-lhe nem metade das histórias que contei aos outros namorados, alguns em particular que pediam muito muito para saber de todas as histórias, todas as histórias. Com esses, um dia cansámo-nos e esse cansaço durou para sempre. Com este está tudo bonito e ainda não temos cansaços humanos. Não comenta nem condena. Eu olho para ele e digo-lhe para parar de ler as conversas. Ele diverte-se, muitas vezes, com o que lê e acha que não faz mal. Eu digo-lhe que faz, até porque as outras pessoas não estão a falar com ele mas comigo. E aí veste o respeito e afasta-se.

 

Na casa dos meus pais, o ecrã do computador está de frente para a porta do quarto que me pertence, o meu na casa deles. O meu pai entra, esquece-se que já passei dos trinta e entra como se eu fosse uma menina, batendo à porta a meio do caminho da entrada. Queres vir jantar uma francesinha? Ah, que interessante, o que é isso que estás a fazer no computador?

 

 

#78 nunca é tarde para começar

 

Passaram-se quase vinte e cinco anos até finalmente conhecer o meu avô. Quando nos vimos, foi paixão à primeira vista. A história completa está aqui.

 

Na última vez que o vi, levei-lhe uma fotografia. Nas costas, escrito com a minha letra: “Nunca é tarde para amar”.

 

Hoje comecei uma nova aventura. Sozinha, sem cobranças nem exigências, decidi dedicar alguns minutos da minha semana a aprender um novo instrumento. Provavelmente só daqui a dez anos tocarei alguma coisa de jeito. Mas, como ele sempre diz, “não faz mal”.

 

Olho para ela e sorrio, bonita, à espera dos meus dedos. Estou apaixonada.

 

 

 

#25 conta-me tudo

 

A S. disse: então o teu blog? Tenho escrito, disse eu. Não quero saber do teu lifestyle. Tens piada, gosto do que escreves mas quero as tuas histórias. Onde estão as tuas histórias?

 

E em dois segundos o meu cérebro invadiu-se de memórias e mais memórias e mais memórias e fiquei cansada, cansada, cansada. Dormi mal. Acordei mal. Dor de cabeça. Levantei-me, lavei os dentes e caminhei por Lisboa fora, cinco, seis quilómetros. Tenho tantas memórias, tantas tão boas de descrever e tantas tão más de se esconder.

 

Hoje o Conta-me Tudo volta a acontecer, mas com novos intervenientes. Da última vez, estive lá eu e, em tom de improviso, contei uma parte de mim. Aqui segue a imagem verdadeira desta história cem-por-cento verdadeira. Têm quinze minutos para mim?

 

(à escolha!)

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