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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#135 gula - ep.12

 

estoril-mandarim-miliuma.jpg

 

Com o jardim do Casino aos pés da esplanada, dificilmente encontro um lugar mais belo para se jantar neste verão, a meia hora de casa.

 

Dizem que é o (restaurante) Chinês mais chinês de Lisboa e arredores. O Estoril Mandarim, no piso inferior do Casino Estoril tem um atendimento irreprensível e estava lotado de pessoas aparentemente chinesas que, das duas uma, ou eram jogadoras do Casino e sabia-lhes bem ler um menu em mandarim ou aprovam este restaurante e isso, convenhamos, é muito bom sinal. Independentemente de aprovações tais, o Estoril Mandarim está aprovado por mim e para mim. Comi um fabuloso ninho de gambas e a S. uma carne com gengibre e cebolinho como nunca havia experimentado (nem ela, nem eu!).

 

No Zomato diz que o custo médio é de 75€ por duas pessoas, mas eu e a S. comemos até ficarmos satisfeitas e não pagámos mais de 20. Há pratos para todos os bolsos e sei que se um dia decidir gastar mais um pouco neste restaurante, não será em vão. A par do The Old House, foi o melhor chinês onde já comi. Next stop: China? Não, adoro viajar mas continuo a preferir as surpresas do Estoril às minhas dúvidas sobre Pequim. Por cá, Portugal, ainda há muito por descobrir.

 

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PS - No final da refeição, corram ao átrio principal e comprem um bilhete para o belíssimo (belíssimo!) espectáculo dos Feist - LET THE SUNSHINE IN - um musical que me deixou, literalmente, de lágrima presa.

 

Estoril Mandarim Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

#133 tenho amigas homossexuais

 

Tenho amigas homossexuais.

Tenho amigas homossexuais que estão tristes.

Tenho amigas homossexuais que estão tristes porque não encontram uma pessoa para amar agora, neste momento.

Tenho amigas homossexuais que estão tristes porque não encontram uma pessoa para amar agora, neste momento, devido à impaciência, egocentrismo e falta de tempo para cultivar relacionamentos e cuidá-los como a uma flor, que hoje afectam tanta gente.

 

Tenho amigos heterossexuais.

Tenho amigos heterossexuais.

Tenho amigos heterossexuais que estão tristes.

Tenho amigos heterossexuais que estão tristes porque não encontram uma pessoa para amar agora, neste momento.

Tenho amigos heterossexuais que estão tristes porque não encontram uma pessoa para amar agora, neste momento, devido à impaciência, egocentrismo e falta de tempo para cultivar relacionamentos e cuidá-los como a uma flor, que hoje afectam tanta gente.

 

Tenho amigos.

Eles são meus amigos e eu sou deles. E, numa esfera especial, amamo-nos.

Como podem, então, haver tantas e tantas e tantas pessoas a defenderem a anomalia, o preconceito e, pior, a fazerem de nojo bandeira, a usarem a religião como desculpa para não verem que tudo, absolutamente tudo, é uma questão de amor?

we are all the same.jpg

 

“No one is born hating another person because of the color of his skin, or his background, or his religion. People must learn to hate, and if they can learn to hate, they can be taught to love, for love comes more naturally to the human heart than its opposite.” Nelson Mandela

 

 

#117 as noites de ouro (e não os globos de ouro)

Eu sei que hoje os globos de ouro 2017 devem constituir os termos mais pesquisados em Portugal. Nada contra, pelo contrário, gosto muito de festas, de Portugal e de categorias como Cinema e Teatro serem premiadas. Mas as verdadeiras noites de ouro para mim e que tudo (e em tudo) têm a ver comigo ocorrerão a 7 e 8 de Junho.

Na cinemateca.

Em Lisboa.

 

 

 

#109 libertem o sarampo

 

Custa-me muito escrever isto, mas:

Liberdade, ponto e vírgula.

 

É muito lindo isto da liberdade e eu que sou toda sangue quente a defender a liberdade de tudo e mais alguma coisa, mas como é possível sentirmo-nos agora, perante a liberdade de escolha de não vacinar as crianças?

 

A menina morreu. Após 23 anos em Portugal sem nenhuma morte por sarampo. Morreu porque não era vacinada - fim da história.

 

Eu tenho um afilhado com 17 anos e nem consigo imaginar tal cenário. Ele, claro, vacinado, que essa questão lá em casa nem se coloca. Mas e se ele morresse por culpa minha? E se ele morresse por culpa de um idiota qualquer que pensa que sabe mais de medicina que os médicos e que é detentor de um conhecimento profundo de artigos da internet que falam sobre a conspiração da indústria farmacêutica e abre links com títulos como: “os medicamentos naturais que eles não querem que você conheça” ? O que faria eu, como poderia viver com tal revolta? Como vais viver tu, mãe da criança, tu e a tua homeopatia?

 

 

#102 gula - ep.1

 

Só um pecado - o primeiro de muitos episódios.

 

Atualmente é isto, vai-se sabendo por aí que o homem cá da casa se tornou cozinheiro e até para workshops de cozinha me chamam. 

No outro dia, fui a uma espécie de master class de algumas horas com um dos finalistas de um programa de televisão de culinária estrangeiro, The Taste, em que se falou - ou ele falou - de forma meio aleatória sobre comida.

 

@asociedade.pt

 

A verdade é que gostei de quase tudo o que ouvi (e comi) naquela tarde.

Organizadas as minhas notas e traduzidas do inglês, aqui vão os tópicos que mais me interessaram:

 

1 - É boa ideia comermos alimentos não processados e inteiros, de preferência. Comam uma laranja em vez de beber um sumo de laranja natural feito de cinco laranjas. É demasiado para o nosso organismo. Se bebermos dois copos de sumo durante o dia, já ingerimos uma quantidade absurda de fruta. Eu não, que sou a alérgica à laranja, mas dois copos de sumo feitos de 20 morangos cada iam-me saber pela vida e fazer mal de certeza.

 

2 - A nossa dieta deve basear-se em alimentos frescos, orgânicos e sazonais - como os que a Quinta do Arneiro traz cá a casa. É imperativo deixarmos os químicos, os antibióticos e os alimentos geneticamente modificados. Estamos a destruir o nosso corpo.

 

3 - Mantermo-nos fiéis à tradição gastronómica - foi o ponto que achei mais interessante na conversa. E é tão simples perceber porquê: se no Alasca, por exemplo, alguém decidir tornar-se adepto da dieta do vegan rawfood, é capaz de passar um briol descomunal. Era virem de lá os senhores de kispo: bai ser vegan prá tua terra! - que eles têm, de certeza, um sotaque do norte como o meu.

 

4 - Dar ao corpo o que ele quer comer. Se ele pede espargos, assim à moda de desejos de grávida, vamos lá dar espargos. Não venham é com histórias de “mas o meu corpinho pediu três tabletes de chocolate branco”, que essa não pega.

 

5 - Óleo de côco para tudo. Já devem ter ouvido isto mil vezes, aqui veio a miliuma.

 

6 - Muito cuidadinho com os óleos vegetais! Não se sabe muito bem como são refinados e têm muitos componentes desnecessários. Mais uma vez, o truque é olhar para um rótulo e ler 100% de qualquer coisa - como coco.

 

7 - Cozinhar mais com comida naturalmente fermentada, o senhor da master class disse que faz bem à saúde e eu acreditei. Se quiserem saber porquê, este link ajuda:

Benefícios Comida Fermentada

Exemplos: tempeh, miso, kombucha, iogurte, kefir, kimchi. Qualquer dúvida, há disto no Miosótis em São Sebastião ou no BioMercado, na Avenida Duque d’Ávila, os dois em Lisboa.

 

8 - Adeus Molho de Soja, bem-vindo Tamari! Mais um link para saberem as diferenças entre cada um e o porquê de termos de trocar já para Molho Tamari. 

 

9 - Comprar manteiga sem sal, mas sempre manteiga e nada de substitutos falsos.

 

10 - E por fim, os doces: Açúcar de coco, Açúcar de Palma, Melaço de Romã ou Xarope de Bordo ou de Ácer (a.k.a. Maple Syrup) são, em quantidades controladas, a melhor forma de adocicar as coisas. Açúcares refinados, se faz favor, só quando o rei faz anos. 

 

©asociedade.pt 

 

À mesa, juntaram-se pessoas muito diferentes, mas estávamos todos deliciados a comer comida turca, um das origens do Chef alemão que conversava sobre a sua vida e sobre a comida na sua vida. Falava de Nova Iorque, onde estudou no Natural Gourmet Institute for Health & Culinary Arts e não só fiquei com água na boca com este nome, como fiquei com vontade de só comer ingerir coisas boas para o resto da vida.

 

Ao meu lado, uma rapariga simpática de nome Diva. Diva. À moda nova-iorquina, sem a conhecer, convidei-a para ir comer um ceviche depois da aula. Sem preconceitos, respondeu que sim. Comemos, bebemos pisco sour, seguimos ruas opostas. Ela, uma super jovem mulher, bonita, acabada de terminar um relacionamento e pronta para ir fazer as malas e, literalmente, viajar o mundo; eu, a pé para a casa que escolhi, depois de ter regressado de quase cinco anos pelo mundo, a casa que tornei o meu mundo, uma casa cheia de facas, armas brancas de amor afiadas, na qual me sinto segura como nunca antes senti.

 

Porque quis cozinhar para ele, ele quis cozinhar para mim e hoje cozinha para os outros como profissão. De mim aprendeu, dele aprendo. Reciprocidade.

 

 

 

#96 a fobia da justificação

 

Eu sento-me no computador e ele, ao meu lado, olha distraído e de passagem. Algo o chama a atenção no ecrã, pergunta o que é, respondo. Depois começa a ler o que estou a escrever, inocente curiosidade de um amigo que também é marido e que sabe que não tenho nada a esconder. Conhece os meus desejos mais secretos e os nojos que mais me envergonhariam se alguma vez ditos em voz alta; sabe de mim e sobre mim o que nunca ninguém soube e, mesmo assim, contei-lhe nem metade das histórias que contei aos outros namorados, alguns em particular que pediam muito muito para saber de todas as histórias, todas as histórias. Com esses, um dia cansámo-nos e esse cansaço durou para sempre. Com este está tudo bonito e ainda não temos cansaços humanos. Não comenta nem condena. Eu olho para ele e digo-lhe para parar de ler as conversas. Ele diverte-se, muitas vezes, com o que lê e acha que não faz mal. Eu digo-lhe que faz, até porque as outras pessoas não estão a falar com ele mas comigo. E aí veste o respeito e afasta-se.

 

Na casa dos meus pais, o ecrã do computador está de frente para a porta do quarto que me pertence, o meu na casa deles. O meu pai entra, esquece-se que já passei dos trinta e entra como se eu fosse uma menina, batendo à porta a meio do caminho da entrada. Queres vir jantar uma francesinha? Ah, que interessante, o que é isso que estás a fazer no computador?

 

 

#94 ciclos e coisas que não interessam a ninguém

 

Em 2013, Maio, ele foi embora para a Holanda. Foi ser feliz.

Eu, em Outubro, com ainda 17 anos, lembro-me perfeitamente do momento em que cheguei à Estação de Santa Apolónia, franzina de 50 quilos, com uma mala de cada lado de, à vontade, 25 quilos cada.

 

Na minha vida, os ciclos de começo e fim, acompanham quase sempre os períodos do meu aniversário e do natal. Quem sabe se é porque faço um balanço para ver quem é importante, o que me faz bem, quem me faz mais bem que mal. Depois, sem querer forçar escolhas naturais, há os avarios esporádicos.

 

Começa pela máquina da roupa, depois a bateria do carro, contas em atraso que ninguém tinha topado os envelopes, roupa tingida, dores de barriga, um quisto ou outro que aparece aqui ou ali, médicos, perdemos um cartão, dois cartões, partimos o jarro de água favorito e ainda acompanhamos a onda com uns quantos nãos e desilusões. É, certamente, panca minha, pois da última vez não começou com a máquina da roupa, mas, na minha ideia, começa quase sempre com o raio da máquina da roupa que avaria e aí já sabemos que vem um turbilhão de mudanças e podemos acabar a viver no dubai, se não estivermos atentos.

 

O que fazer nestas alturas?

Não faço a mínima ideia. Eu costumo piorar e ignorar a onda de má sorte e continuar a fazer miliuma coisas, com todas a correrem altamente mal e acabo cansada, de pança mais gorda, recostada no sofá ao fim de mês, mês a meio a pensar: preciso de férias.

 

Contudo, a bateria do carro é nova, os exames estão feitos e está tudo bem, temos dois ou três jarros novos de água e o cartão há-de estar a chegar ao correio. No turbilhão, pessoas deixaram de ser importantes e, com isso, deixaram de ser amigas. Outras, no meio de festas inesperadas, surgem, sem saber de nada, “há tanto tempo helena, não desapareças, gosto tanto de ti”. 

 

Os nossos pais levam-nos ao aeroporto. Catorze anos depois, continuam de olhos marejados na viagem.

Enquanto o meu avião da ponte aérea Porto-Lisboa faz a curva para se posicionar para a descolagem, passo pelo meu irmão a entrar no seu avião da British Airways, que partirá pouco depois do meu. Na autoestrada, a uns metros da pista, estaria a passar o carro deles, de coração e estômagos apertados, como se nos deixassem fora do ninho pela primeira vez.

 

 

#78 nunca é tarde para começar

 

Passaram-se quase vinte e cinco anos até finalmente conhecer o meu avô. Quando nos vimos, foi paixão à primeira vista. A história completa está aqui.

 

Na última vez que o vi, levei-lhe uma fotografia. Nas costas, escrito com a minha letra: “Nunca é tarde para amar”.

 

Hoje comecei uma nova aventura. Sozinha, sem cobranças nem exigências, decidi dedicar alguns minutos da minha semana a aprender um novo instrumento. Provavelmente só daqui a dez anos tocarei alguma coisa de jeito. Mas, como ele sempre diz, “não faz mal”.

 

Olho para ela e sorrio, bonita, à espera dos meus dedos. Estou apaixonada.

 

 

 

#77 tudo sobre a ilha do sal - parte 3 e última

 

Hoje termino esta viagem de três posts sobre a nossa viagem à Ilha do Sal (redundância, ou meta-viagem? fica a questão).

PARTE 2

PARTE 1

 

Parece que ainda ontem voltámos, está a ser difícil habituar-me a este inverno e céu cinzento. E hoje jantaria um bucho de atum no Barracuda com todo o prazer.

Para que estas memórias me sirvam de mais que uma fatia de histórias para contar e uma vivência a dois, partilho convosco dicas para que estejam mais informados na altura de marcar e de viajar - e comigo própria, para uma viagem futura a Cabo Verde que, mais tarde ou mais cedo, terá de acontecer.

 

 

Dica nº 6 – Ir ao Relax comer Cachupa lá pras 10h30, 11 da manhã. Imaginem que é um Brunch, pronto. Sobre a cachupa, ao que parece, esta não é assim tão simples de preparar. Há a rica e há a pobre, a rica com diversas carnes e a pobre com peixe, devido à abundância de peixe na ilha. Convenhamos que é tudo relativo, porque em Portugal uma Cachupa com um bom peixinho pode sair muito mais cara. Ainda assim, deixo-vos um link para uma receita que me pareceu muito boa e semelhante à que nos descreveram na Ilha do Sal:

 

 

#71 como fazer trinta e um anos

 

Não sei, simplesmente chega o dia e não há nada a fazer.

 

Conversava com o T. sobre como sentimos a passagem do tempo. Para ele, tudo parece há trinta anos atrás. A mim, tudo parece ante-ontem. Cheguei a Lisboa ante-ontem, com dezassete. Acabei o curso ante-ontem, em dois mil e oito. Fiz trinta e um anos ante-ontem, mas, em boa verdade, já foi há quase duas semanas. E assim corre, foge o tempo. E eu, que nada sei do meu futuro, não sei se algum dia voltarei a fazer uma festa, por todas as razões explicadas aqui. Sei, todavia, que ainda que tente, nunca voltará a ser igual a que este ano aconteceu.

 

Enquanto recebia o A. e ele me perguntava onde se devia sentar, olhei para o restaurante e vi quase quarenta pessoas bonitas de coração. Emocionada, disse-lhe para se sentar onde quisesse. Perguntou-me, surpreendido, se o restaurante inteiro era meu convidado. Eu disse que sim.

 

Obrigada "A Maria Não Deixa" pela simpatia, pela ajuda e pela forma como nos receberam em vossa casa.

Obrigada às trinta e oito pessoas que jantaram ao meu lado, no meu dia.