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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#122 gula - ep.8

 

Tenho uma óptima Nitricionista e ela é a primeira a dizer-me que, com equilíbrio, devo experimentar tudo, para ver com o que é que me sinto melhor. Como tudo, neste fado desgraçado no nosso jardim à beira-mar plantado, o que funciona para uns não funciona para todos. Assim, comecei a ler sobre dietas e a que me encantou mais foi a dieta do paleolítico, embora não compre essa ideia de que temos que comer como os nossos antepassados, aliás, bom, enfim, sem comentários - mas que de facto a minha tia emprestada está com um corpo espectacular e magra com o paleo, lá isso está. E porquê? Porque, por exemplo, se cortam leguminosas quando se comem proteínas e se cortam comidas processadas e açúcares e isso não é só a Paleo, mas bom, vamos lá experimentar. E experimentei e comecei a desinchar mas não estava a sentir-me óptima com a ideia de ingerir tanta gordura nem tanta carne. Conclusão: o meu coração agradece e o planeta também. Fiz um workshop/masterclass do qual falei aqui e fiquei também interessada em coisas com o flexitarianismo, mas cada vez que falo ao meu Chef que penso cortar quase por completo na carne, sinto que o abandono nesta parceria de comedores de entrecosto suculento como só nós.

 

 

#119 gula - ep.7

 

Aqui vai um post pouco melódico, mas muito prático. Uma autêntica nota informativa, um atentado à poética, uma anti-insónia.

 

 

Para vencer determinado estigma e o receio de não ser chamada para teatro ou cinema depois dessa decisão, disse a mim própria a determinada altura: Se a Rita Blanco faz novelas, eu também posso. Ora, se o Miguel Esteves Cardoso já escreveu sobre a espiralização, eu também posso.

 

 

#118 nós não ganhamos para isto, senhores

 

Licenciados, com estágios e pós-graduações e workshops e formações caríssimas, com boas notas, com investimento. Chegados aos trinta, os nossos salários são inferiores a mil euros por mês. Para muitos, brutos. O IRS, a segurança social, a alimentação, a roupa, os transportes, a higiene, os produtos de limpeza da casa, o carro, os extras anuais que ninguém espera mas sempre acontecem.

 

 

Os dedos alternam-se entre o idealista, a casa sapo e o olx. 800€ por buracos de 60m2, longe do metro com cozinhas mais velhas que o meu falecido bisavô. Pintam as paredes e chamam-lhes renovadas, no título. T1 na Sé para venda, 75m2, 850.000,00€, sim, oitocentos e cinquenta mil euros. Para todos os infortunados que estão neste momento à procura de casa porque os seus contratos de arrendamento vão terminar dentro de semanas e o senhorio está interessado em mudar arraiais para o Airbnb, o meu abraço sentido e votos de boa sorte.

 

 

#115 gula - ep.5

 

Caros ouvintes e telespectadores:

A Gula (a rubrica, eu sou apenas gulosa de chamuças de caril e outras iguarias que tais) ausentou-se por uma semana a título de excepção. Sou só eu a gerir este estaminé e quando se está doente e com prazos para entregas de concursos de cinema, a coisa tem que ser levada com mais calminha. Após esta espécie de justificação e ridículo pedido de desculpa pela ausência, afirmo que uma imagem do Cristiano Ronaldo a dançar na televisão acabou de interromper o meu raciocínio.

 

 

Muito se tem falado dos termogénicos, suplementos e alimentos que aumentam o metabolismo e favorecem o emagrecimento. Ora, como não tomo nada sem consultar os génios da família e até regressei ao ginásio, pelo que seria interessante juntar as duas coisas (ginásio e suplementos), fui chatear, desta feita, o meu irmão para me ajudar numa investigaçãozinha.

 

 

#111 gula - ep.4

 

A primeira vez que provei sushi foi no Rio de Janeiro, em 2001, última refeição antes de regressar a Portugal. Não gostei nada. Hoje lembro-me da textura e percebo que não gostei porque era mal preparado. Em 2004, a medo, repeti a experiência e desde então nunca mais parei. Nos últimos treze anos, houve semanas após semanas em que nenhuma passava sem umas quantas fatias de sashimi. Mudei de morada para o outro lado do atlântico várias vezes, América do Norte, Caraíbas (onde quase só comi frango e lagosta), América do Sul. Foi em Los Angeles que comi o melhor temaki da minha vida.

 

©PAUL SIRISALEE

 

 

#108 gula - ep.3

 

 

 

Sou uma pessoa de muitas alergias. Garanto, contudo, que não escolhi ter nenhuma. Quase toda a fruta, alguns tipos de tomate, algumas árvores e relvas, pólen, pó, ácaros, gatos, cães, anestesias, medicação e alguma intolerância à lactose. Não posso beber um sumo de laranja há mais de dez anos e não sei o que é viajar sem levar um papel com números de emergência, um kit de adrenalina, seguro de saúde em viagem e muitas perguntas insistentes: I’m asking if the food has fruit, or the sauce was made with any kind of fruit. Caras de caso, compreendem-me, mas acham bizarro.

 

 

#105 gula - ep.2

 

Pátio da Galé, volta, estás perdoado! Será suficiente a possibilidade do regresso ao espaço anterior, para recuperar a excelente experiência de 2016? Ou agenda política e camarária veio estragar uma pérola nos eventos gastronómicos da cidade?

 

No ano passado fui ao Peixe Em Lisboa, pela primeira vez. E fui duas e fui três vezes na mesma semana. No Pátio da Galé, com bom tempo, coisas óptimas a descobrir, petiscos em conta, comprar senhas para ir levantar os petiscos não custava, ainda que no fim do mês o extrato da conta não fosse simpático. Mas tinha valido a pena, porque é só uma vez por ano, pensei, porque é incrível, dizia. E foi.

 

Este ano voltei ao Peixe Em Lisboa. Não voltei ao Pátio da Galé porque eles mudaram para o Pavilhão Carlos Lopes, aquela casa imponente no meio do Parque Eduardo VII. Com orgulho, levantei a minha primeira credencial de imprensa pedida por via do blog, este, o Miliuma, e entrei no Pavilhão.

 

É só isto? E era. Um salão com bebidas de um lado, comida do outro e as lojinhas no meio. Quase pequeno. Sem luz natural e um ligeiro cheiro a fritos. Sentei-me, pedi a uma família para me dar uma olhada nos pertences o que, felizmente, ainda é possível fazer no nosso país, e rumei directa ao Ribamar. Ai, os caranguejos de casca mole que me ficaram a atormentar o ano inteiro, ai, Ribamar, gosto tanto de vocês. E lá estavam eles, com molho de abacate e lima, à minha espera. Disse-me a menina: este ano estes são ainda melhores. Confirmo.

 

 

E assim acabou a minha belíssima experiência no Peixe Em Lisboa deste ano. Mais ou menos 15 minutos depois de ter começado. O resto foram duas horas de desconforto no meio de uma confusão de mesas e filas, pautada por outra alteração que tanto me desapontou: as doses, uma boa parte delas, aumentaram de tamanho e bastante de preço, também. A expectativa, não só minha, pois falei com mais gente sobre o assunto, era ir provar, petiscar ou degustar (como lhe quiserem chamar) diversas criações dos Chefs presentes no evento. Mas se me derem um prato que me enche o estômago, já nem vou conseguir provar os outros.

 

Com calma, perguntei-me se seria uma estratégia de eliminar a concorrência. Como: lançar no mercado um novo detergente da roupa e a marca de competição directa lançar uma promoção de leve 3 pague 1, para que eu só vá comprar o detergente novo passado um ano, quando já nem me recordar que foi lançado, quando já voltar a ter fome, neste caso. E no Peixe Em Lisboa, demoras um bocado até voltar a ter fome e quando dás por ela, já lá não estás. Ou eu, no caso, eu.

 

Enquanto isso, vou ali cozinhar uns hambúrgueres de novilho com espinafres, acompanhados de maionese caseira de manjericão e pimentas e ainda uma salada de maçã e nozes.

A Gula está a aquecer, nos próximos episódios há mais comidinha da boa e dicas, muitas, de como fazer coisas boas.

 

Au revoir!

 

Mais sobre Gula

Gula - ep.1 

 

#102 gula - ep.1

 

Só um pecado - o primeiro de muitos episódios.

 

Atualmente é isto, vai-se sabendo por aí que o homem cá da casa se tornou cozinheiro e até para workshops de cozinha me chamam. 

No outro dia, fui a uma espécie de master class de algumas horas com um dos finalistas de um programa de televisão de culinária estrangeiro, The Taste, em que se falou - ou ele falou - de forma meio aleatória sobre comida.

 

@asociedade.pt

 

A verdade é que gostei de quase tudo o que ouvi (e comi) naquela tarde.

Organizadas as minhas notas e traduzidas do inglês, aqui vão os tópicos que mais me interessaram:

 

1 - É boa ideia comermos alimentos não processados e inteiros, de preferência. Comam uma laranja em vez de beber um sumo de laranja natural feito de cinco laranjas. É demasiado para o nosso organismo. Se bebermos dois copos de sumo durante o dia, já ingerimos uma quantidade absurda de fruta. Eu não, que sou a alérgica à laranja, mas dois copos de sumo feitos de 20 morangos cada iam-me saber pela vida e fazer mal de certeza.

 

2 - A nossa dieta deve basear-se em alimentos frescos, orgânicos e sazonais - como os que a Quinta do Arneiro traz cá a casa. É imperativo deixarmos os químicos, os antibióticos e os alimentos geneticamente modificados. Estamos a destruir o nosso corpo.

 

3 - Mantermo-nos fiéis à tradição gastronómica - foi o ponto que achei mais interessante na conversa. E é tão simples perceber porquê: se no Alasca, por exemplo, alguém decidir tornar-se adepto da dieta do vegan rawfood, é capaz de passar um briol descomunal. Era virem de lá os senhores de kispo: bai ser vegan prá tua terra! - que eles têm, de certeza, um sotaque do norte como o meu.

 

4 - Dar ao corpo o que ele quer comer. Se ele pede espargos, assim à moda de desejos de grávida, vamos lá dar espargos. Não venham é com histórias de “mas o meu corpinho pediu três tabletes de chocolate branco”, que essa não pega.

 

5 - Óleo de côco para tudo. Já devem ter ouvido isto mil vezes, aqui veio a miliuma.

 

6 - Muito cuidadinho com os óleos vegetais! Não se sabe muito bem como são refinados e têm muitos componentes desnecessários. Mais uma vez, o truque é olhar para um rótulo e ler 100% de qualquer coisa - como coco.

 

7 - Cozinhar mais com comida naturalmente fermentada, o senhor da master class disse que faz bem à saúde e eu acreditei. Se quiserem saber porquê, este link ajuda:

Benefícios Comida Fermentada

Exemplos: tempeh, miso, kombucha, iogurte, kefir, kimchi. Qualquer dúvida, há disto no Miosótis em São Sebastião ou no BioMercado, na Avenida Duque d’Ávila, os dois em Lisboa.

 

8 - Adeus Molho de Soja, bem-vindo Tamari! Mais um link para saberem as diferenças entre cada um e o porquê de termos de trocar já para Molho Tamari. 

 

9 - Comprar manteiga sem sal, mas sempre manteiga e nada de substitutos falsos.

 

10 - E por fim, os doces: Açúcar de coco, Açúcar de Palma, Melaço de Romã ou Xarope de Bordo ou de Ácer (a.k.a. Maple Syrup) são, em quantidades controladas, a melhor forma de adocicar as coisas. Açúcares refinados, se faz favor, só quando o rei faz anos. 

 

©asociedade.pt 

 

À mesa, juntaram-se pessoas muito diferentes, mas estávamos todos deliciados a comer comida turca, um das origens do Chef alemão que conversava sobre a sua vida e sobre a comida na sua vida. Falava de Nova Iorque, onde estudou no Natural Gourmet Institute for Health & Culinary Arts e não só fiquei com água na boca com este nome, como fiquei com vontade de só comer ingerir coisas boas para o resto da vida.

 

Ao meu lado, uma rapariga simpática de nome Diva. Diva. À moda nova-iorquina, sem a conhecer, convidei-a para ir comer um ceviche depois da aula. Sem preconceitos, respondeu que sim. Comemos, bebemos pisco sour, seguimos ruas opostas. Ela, uma super jovem mulher, bonita, acabada de terminar um relacionamento e pronta para ir fazer as malas e, literalmente, viajar o mundo; eu, a pé para a casa que escolhi, depois de ter regressado de quase cinco anos pelo mundo, a casa que tornei o meu mundo, uma casa cheia de facas, armas brancas de amor afiadas, na qual me sinto segura como nunca antes senti.

 

Porque quis cozinhar para ele, ele quis cozinhar para mim e hoje cozinha para os outros como profissão. De mim aprendeu, dele aprendo. Reciprocidade.

 

 

 

#76 tudo sobre a ilha do sal - parte 2

 

CONTINUAÇÃO DA PARTE 1 

 

Quando voltei definitivamente para Portugal (definitivamente terá sempre um ponto e vírgula), há três anos, comecei quase de imediato os ensaios para uma peça que esteve no falecido Teatro Rápido do Chiado. Não, ainda não vimos o dinheiro que nos pertence. Bom, não tivesse estado na peça e a fazer produção cultural numa empresa que me ficou a dever ainda mais zeros que o teatro, e teria havido a (quizas remota) hipótese de integrar a produção de uma série chamada Sal, que iria ser gravada maioritariamente em Cabo Verde. As coisas não aconteceram assim, mas as quase-coincidências também ficam na memória. Nessa série, como actor, participou um tipo que é hoje dos meus melhores amigos. Produziu-a a minha actual sócia de uma coisa que lançaremos em 2017. E as sintonias continuam. Na série Sal, esse meu amigo interpretou a personagem “Emídio”, um homem que arranjava tudo o que era necessário a quem chegasse ao Sal, uma espécie de facilitador, um português simpático, dos que conhece toda a gente e o que é de melhor na ilha.

 

Há umas semanas, jantámos num restaurante com espectáculo de Burlesco na rua do poço dos negros, onde lhe disse que finalmente tinha escolhido o destino das minhas férias e que me tinha decidido pela ilha do Sal. Ele disse, fala com o Emídio, ele ajuda-te em tudo. Ri-me, claro. Sim, levas a tua personagem e ele que trate de mim. Não, Helena, há mesmo um Emídio, a minha personagem é real – disse o JC. Não queria acreditar, a viagem estava a ser deliciosa ainda antes de começar.

 

 

#57 somos o que comemos

 

À porta do Miss Jappa, no Príncipe Real, falava com uma portuguesa, uma brasileira e um espanhol sobre comida, enquanto esperávamos a nossa mesa. Referi que a minha alimentação se alterou para melhor nos últimos tempos. Desde que fiz trinta muito se alterou para melhor. Desde que tenho o blog, também. Escrever ajuda a organizar o pensamento.

Actualmente, em casa, consumo a maioria dos meus alimentos através destas três opções:

cabazes biológicos de entrega ao domicílio, mercados biológicos ou cultivo interior.

 

1 - Cabazes biológicos de entrega ao domicílio

Há sites, uns mais bonitos que outros, que nos deixam escolher que alimentos queremos colocar na nossa caixinha semanal (ou mensal ou até pontual) e receber com um sorriso em casa. São frutos e vegetais da época, cultivados em agricultura sustentável, entregues ao domicílio directamente pelo produtor. Não passam por cadeias de distribuição, não encarecem cinquenta vezes, não apanham porcaria do mercado abastecedor, não são produzidos em estufas cheias de químicos nem são importados (salvo raras excepções invariavelmente mencionadas nos sites). Não são maçãs para capas de revista. É fruta com ar verdadeiro, são alfaces que cheiram a alface desde o corredor do prédio, quando abrimos a porta ao senhor das entregas.

 

Quinta do Arneiro

Quinta da Pedra Branca

Prove

Mercado Saloio

Belong

Pede Salsa

Horta à Porta

Bioino

Quental Biológico

Quintinha

 

© fruverymas.com