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MILIUMA

insónias | ideias | publicações

MILIUMA

#44 huesca, capital de huesca

 

Se tudo correr bem, no momento em que este post aparecer na minha timeline, estarei com o Tiago R. Santos em Huesca, após o que se avizinha ser uma longa e cansativa viagem de carro de Lisboa quase aos Pirinéus.

 

Aparte - Há uns anos assisti a uma palestra com Q&A (questions & answers) numa escola de representação que frequentei em Nova Iorque e cujo principal interveniente era Philip Seymour Hoffman. Ele disse e eu nunca esqueci: o actor está sempre a trabalhar, seja quando trabalha, seja quando procura trabalho. - 

 

Huesca, uma das principais cidades de Aragón (lembro-me logo do reino de Aragão estudado na escola), situa-se bem lá no fundo, com o País Basco de um lado e Barcelona do outro. Lá, o nosso filme (meu, do Tiago e das outras dezassete pessoas que nele participaram), a ser exibido num teatro para gente de todo o mundo. Serão muitos e muitos dias de festival, quatro dos quais estarei presente a ver dezenas de outras curtas-metragens. Por fim, o regresso a Lisboa. Não há tempo para viagens às cidades que não conheço no norte de Espanha, não há férias à vista. São Sebastião virá outro dia, outro ano. Até lá, a indiscutível felicidade deste trabalho.

 

 

 

 

 

 

#33 erro-código-erro

 

Fotografia: Chtcheglov  |  Montra: na Avenida da Liberdade.  |  Mão: a minha.

 

 

Tudo se resolve meu amor, diz-me ela, seguido de um coração digital a tantos quilómetros de distância. Ela, que tem vivido estes trinta anos tão desacomodada quanto eu. E depois lembro-me de um dia meterem dito para não me acomodar. E, até hoje, segui isso tanto à risca que não absorvo o descanso. O meu corpo rejeita o conforto do edredon, dói nas horas em que pára, parece que se enche de peso de consciência em estar parado e cansa-me mais, não me deixando levantar de manhã.

 

Vais errar muito, disseram-me os dois, numa pausa entre o prato e a sobremesa e enquanto fumavam cigarros e eu, ex-fumadora, os observava por entre nuvens de fumo e lhes explicava que o meu blog ia ser sobre mil e uma coisas e eu não teria de me a resignar só a um tema, porque há coisas mais importantes na vida às quais me tenho resignar, como o pagamento às finanças pelo irs ou levar o carro ao mecânico.

 

Escreve posts pequenos, para que ninguém se canse, oh, disseram-me várias pessoas de quem muito gosto mas a quem pergunto: porquê? não quero uma resposta técnica, nem que me quantifiquem o alcance dos posts através de uma comparação percentual entre mancha de imagem e mancha de texto. pergunto: porque é que eu quero que ninguém se canse? Eu gosto de sair de um filme cansada e fechar a última página de um livro em silêncio e precisar de tempo para recuperar. Isto não é (mas também pode ser) apenas entretenimento.

 

O dinheiro não é o mais importante, digo a mim própria. Sei disso quando me despeço dos meus pais antes de entrar no comboio de regresso a casa, sei disso quando ele me abraça na estação do Oriente. Sei disso quando os meus amigos me pagam uma cerveja e perguntam onde estou. Sei disso quando ela, a tantos quilómetros de distância, me envia corações digitais como se eles curassem as minhas feridas. O dinheiro não é sequer importante. Viveria de vouchers de supermercado, da praia e de fazer filmes. O telemóvel partiu, o irs deu-me más notícias, tenho o carro por arranjar e não sou paga pela maior parte do trabalho que faço, pelo que não posso investir em tantos projectos artísticos quanto gostaria, nem posso reclamar com as finanças porque elas só comem mais e mais e mais dinheiro e eu visito os meus pais e eles oferecem ajuda e eu digo que não, porque com esta idade simplesmente não é justo não poder construir um mínimo de património pessoal. 

 

Ela despede-se com xxx porque está em Londres e lá isso significa beijinhos. E eu lembro-me que viveria de vouchers de supermercado, da praia e de fazer filmes se todos eles continuassem (vivos e) aqui.

 

 

#30 chegou o calor

 

Começo a segunda com esta sensação de que é quinta, cinco da tarde, e ainda falta tanto para fazer e tenho tao pouco tempo até ao fim de semana, em que quase me obrigo a não trabalhar, em que exerço o poder de ser patroa de mim própria e me mando para casa, vai helena, está na altura de descansares. E eu, que divido o cargo de gerência com o de faz-tudo lá do sítio, vou para casa, transportando-me da mesa para a chaise longue do sofá, onde não dá jeito nenhum usar o computador, e passo dois dias a alternar entre trabalhar um bocadinho às escondidas e fingir que descanso enquanto penso em todas as coisas que ainda tenho para fazer, que aposto que esta segunda-feira vai começar e me vai parecer que é quinta. Durmo até mais tarde na segunda porque posso, não porque tenha sono, afinal passei o domingo na chaise-longue, mas porque tem de haver alguma vantagem nisto de trabalhar por conta-própria. Por falar em trabalhar por conta-própria, hoje foi diferente, hoje acordei a pensar no IRS. Vivam as segundas-feiras, viva Maio, viva o dia do trabalhador!

 

© Fabrice Pinto

 

O texto poderia acabar assim, com a aparente amargura do início da semana. Trata-se exactamente do oposto. Os dias correm, o IRS faz-se, o dinheiro esgota-se e o sorriso continua, enquanto houver esta luz de fim de quinta-feira na Avenida a iluminar-me. Obrigada Sr Fotógrafo, bela cápsula de memória.

 

 

#20 a ante-estreia

 

A prova de que em pouco tempo se conseguem criar grandes emoções. - Fernando Fragata

 

Bela, cruel e hipnótica, “Vícios para uma família feliz” é a ficção da pior realidade que todos escondemos sobre nós próprios. - Nuno Duarte

 

Terminou em Março. Daqui a duas semanas rumamos à Madeira para a estreia oficial. Em Maio estará, sozinho, em Cannes.

O nome "Vícios Para Uma Família Feliz" esteve dois anos e meio nas nossas cabeças; saiu das nossas mãos e do nosso sangue. (ler mais sobre o processo aqui)

E desde sexta-feira, dia 8 de Abril, que ele tem a sua própria vida e já não nos pertence só a nós. 

 

A ante-estreia à porta fechada (um filme em circuito de festivais não pode ser exibido publicamente) foi, com todo o carinho, alimentada pelo Pito do Bairro, do Olivier e acolhida no maravilhoso Cargo 111, no Bairro Alto, em Lisboa. 

 

 

© Bruno Veiga

 

A todos os presentes, a todos os que morreram um pouquinho por não terem conseguido estar presentes, a todos que me perguntam quando posso ver, quando posso ver:

Muito obrigada.

 

www.addictionsforahappyfamily.com

 

 

 

#11 o gin miliuma e a primavera

 

Assim foi, no dia 23 de Março de 2016, no Gin Lovers | Embaixada, que eu presenteei os meus amigos com gins e amêndoas e fui presenteada por dezenas deles, ali, a apoiar-me com um sorriso e tantos elogios:

 

 

Foi como fazer anos, mas melhor.

 

 

A apresentação não foi mais do que uma explicação rápida sobre de que trata este blog. Entre mais de cinquenta pessoas, visitou-me o único que conhecia o meu primeiro e antiquíssimo blog, o João Tordo, que me perguntou porque estávamos a fazer uma festa passados tantos anos e se eu tinha mudado o nome ao dito cujo e, ainda, o político José Magalhães, que carinhosamente me ofereceu um livro da sua autoria, autografado e dedicado a mim. 

 

Para jantar, sobraram 30 e poucos resistentes, que juntei, em alguns casos, de forma imprevisível. Acabámos a noite com gargalhadas e, enquanto fechávamos a porta do edifício como últimos a sair, recebi frases como "para além de ter sido espectacular, ainda conheci gente tão, mas tão fixe. obrigada, helena".

 

Ainda estou a recuperar de tanta felicidade. Estas seis horas ficaram para a vida.

 

 

Deste dia, só coisas boas. Obrigada a todos que presentearam os meus quase trinta e um anos de vida e o meu primeiro projecto com tanta alegria - não sabia que eram (éramos) tantos; desde os amigos recentes aos que já conheço há mais de uma década, na noite de 23 de Março de 2016 senti-me em casa.

 

#miliumablog

 

 

#10 a primavera de 2016 e o começo do miliuma

 

Como prometido, chegou a Primavera que o novo acordo ortográfico teima em escrever com minúscula inicial. E com ela, o festejo.

 

No dia 1 de Março abri este adorado conjunto de zeros-e-uns e anunciei prontamente que celebraríamos mais lá para os dias quentes. Passa rápido. É já na quarta-feira. Celebremos a Primavera, as novas resoluções, a amizade e a capacidade de fazermos o que desejamos, sem pensar muito em quanto tempo durará nem qual o resultado final.

 

Não faço promessas, não é uma campanha eleitoral. A minha única quase-regra está no fundo da página do blog, escrita a branco por cima de um bloco de cor de cimento, que para quem tem dificuldade em deslizar os dedos no rato, eu copio após a imagem. 

 

Estão todos convidados a vir dar-me um abraço e a conhecer o Gin Lovers® na Embaixada, se é que ainda não conhecem. Atenção: não esperem nada para além de um bom convívio à moda antiga, com amigos, copo de Gin Miliuma na mão e converseta até à hora de jantar. Até lá.

 

 

Copyright © Miliuma 2016 All Rights Reserved

Ficarei muito grata com partilhas, desde que devidamente assinalada a sua origem com o link do post em questão. As opiniões vão mudando de tempos a tempos e nunca deixam de ser apenas opiniões - é favor as não levarem demasiado a sério. Finalmente, é importante salientar que apenas promovo produtos ou serviços nos quais acredito e os quais aprecio e usufruo, sendo que nenhum post sobre marcas, produtos, restaurantes ou outros serviços são necessariamente associados a ofertas e incluem-se as situações de falar positivamente sobre marcas com as quais nunca contactei e das quais adquiro produtos sem qualquer desconto ou benefício. Só assim considero que vale a pena! Obrigada.