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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#123 pedrógão grande, portugal

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O meu filho conhece um casal que foi de lua-de-mel para França e deixou o filhote com os tios, tinham ido para a praia fluvial, provavelmente viram o fumo e decidiram ir embora, se eles soubessem, o fogo nunca chegou à praia fluvial, coitados - disse-me o motorista do Uber que acabei de apanhar para vir pra casa, depois de ter entregue um saco cheio de ligaduras no quartel da Rua das Flores. A criança morreu? Sim, respondeu-me. E os tios também, morreram todos. Ficámos os dois emocionados, eu, trémula, repetia que ninguém recupera disso, ninguém recupera de tal tragédia. 

 

#122 gula - ep.8

 

Tenho uma óptima Nitricionista e ela é a primeira a dizer-me que, com equilíbrio, devo experimentar tudo, para ver com o que é que me sinto melhor. Como tudo, neste fado desgraçado no nosso jardim à beira-mar plantado, o que funciona para uns não funciona para todos. Assim, comecei a ler sobre dietas e a que me encantou mais foi a dieta do paleolítico, embora não compre essa ideia de que temos que comer como os nossos antepassados, aliás, bom, enfim, sem comentários - mas que de facto a minha tia emprestada está com um corpo espectacular e magra com o paleo, lá isso está. E porquê? Porque, por exemplo, se cortam leguminosas quando se comem proteínas e se cortam comidas processadas e açúcares e isso não é só a Paleo, mas bom, vamos lá experimentar. E experimentei e comecei a desinchar mas não estava a sentir-me óptima com a ideia de ingerir tanta gordura nem tanta carne. Conclusão: o meu coração agradece e o planeta também. Fiz um workshop/masterclass do qual falei aqui e fiquei também interessada em coisas com o flexitarianismo, mas cada vez que falo ao meu Chef que penso cortar quase por completo na carne, sinto que o abandono nesta parceria de comedores de entrecosto suculento como só nós.

 

 

#121 o meu mito de santo antónio

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Foi há treze anos, a minha primeira noite de Santo António em Lisboa. Aceitei o convite de uma amiga, encontrei-me com ela no Campo das Cebolas e subi, subi, subi. Uma multidão inundava esta área da cidade que eu nunca havia visitado. Curvas loucas e piso que me fugia das sandálias rasas, pouco dinheiro na carteira, como estudante que era, medo de me perder das minhas amigas no meio de tanta gente. A minha vida longe de casa contava com apenas sete meses, oito no máximo, Lisboa ainda era estrangeiro para mim. As pessoas cantavam as músicas pimba com convicção, enquanto se apinhavam em quiosques de cerveja sagres durante vinte minutos para pedir um fino. E eu não percebia porquê.

 

 

#120 os acalorados

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Podia começar por dizer no meu tempo não era assim, mas estamos efectivamente no meu tempo, visto estar a falar-se de adultos aqui. O Frexting ( friends + texting ), pelos vistos, existe há uma porrada de tempo e eu não conhecia - mais de um ano, tendo em conta a efemeridade das tendências das redes sociais, é uma porrada de tempo.

 

 

#119 gula - ep.7

 

Aqui vai um post pouco melódico, mas muito prático. Uma autêntica nota informativa, um atentado à poética, uma anti-insónia.

 

 

Para vencer determinado estigma e o receio de não ser chamada para teatro ou cinema depois dessa decisão, disse a mim própria a determinada altura: Se a Rita Blanco faz novelas, eu também posso. Ora, se o Miguel Esteves Cardoso já escreveu sobre a espiralização, eu também posso.

 

 

#118 nós não ganhamos para isto, senhores

 

Licenciados, com estágios e pós-graduações e workshops e formações caríssimas, com boas notas, com investimento. Chegados aos trinta, os nossos salários são inferiores a mil euros por mês. Para muitos, brutos. O IRS, a segurança social, a alimentação, a roupa, os transportes, a higiene, os produtos de limpeza da casa, o carro, os extras anuais que ninguém espera mas sempre acontecem.

 

 

Os dedos alternam-se entre o idealista, a casa sapo e o olx. 800€ por buracos de 60m2, longe do metro com cozinhas mais velhas que o meu falecido bisavô. Pintam as paredes e chamam-lhes renovadas, no título. T1 na Sé para venda, 75m2, 850.000,00€, sim, oitocentos e cinquenta mil euros. Para todos os infortunados que estão neste momento à procura de casa porque os seus contratos de arrendamento vão terminar dentro de semanas e o senhorio está interessado em mudar arraiais para o Airbnb, o meu abraço sentido e votos de boa sorte.

 

 

#117 as noites de ouro (e não os globos de ouro)

Eu sei que hoje os globos de ouro 2017 devem constituir os termos mais pesquisados em Portugal. Nada contra, pelo contrário, gosto muito de festas, de Portugal e de categorias como Cinema e Teatro serem premiadas. Mas as verdadeiras noites de ouro para mim e que tudo (e em tudo) têm a ver comigo ocorrerão a 7 e 8 de Junho.

Na cinemateca.

Em Lisboa.

 

 

 

#116 gula - ep.6

 

Outra vez a falar sobre comida, alimentação, gastronomia, gula?

Pois a semana passou a correr e eu faço por manter esta rubrica semanal, ainda que não tenha tempo para mais nada, nomeadamente ir buscar a roupa à costureira que é a oitenta metros de casa.

 

© fotografia: OBSERVADOR 

 

El Clandestino, no Príncipe Real. Não tenho fotografias bonitas para apresentar da minha autoria, mas tenho um bouquet de sensações ainda presentes. El Clandestino pode anunciar-se no Zomato como mexicano - peruano mas, para mim El Clandestino foi o melhor de Cuba que já tive em Lisboa. 

 

 

 

 

#115 gula - ep.5

 

Caros ouvintes e telespectadores:

A Gula (a rubrica, eu sou apenas gulosa de chamuças de caril e outras iguarias que tais) ausentou-se por uma semana a título de excepção. Sou só eu a gerir este estaminé e quando se está doente e com prazos para entregas de concursos de cinema, a coisa tem que ser levada com mais calminha. Após esta espécie de justificação e ridículo pedido de desculpa pela ausência, afirmo que uma imagem do Cristiano Ronaldo a dançar na televisão acabou de interromper o meu raciocínio.

 

 

Muito se tem falado dos termogénicos, suplementos e alimentos que aumentam o metabolismo e favorecem o emagrecimento. Ora, como não tomo nada sem consultar os génios da família e até regressei ao ginásio, pelo que seria interessante juntar as duas coisas (ginásio e suplementos), fui chatear, desta feita, o meu irmão para me ajudar numa investigaçãozinha.

 

 

#114 o salvador (sobral) de portugal

 

©Reuters

 

Pelo meio de tantas vidas normais, surge a voz de um jornalista da RTP a relatar o concurso da Eurovisão e a vibrar-lhe a voz cada vez que pronuncia: Salvador. Apaixonado pelo nome, pela pessoa, solta leves risadinhas nervosas quando a câmara aponta para o concorrente e este está de óculos e uma expressão cómica, concentrada e visivelmente inocente.

 

Salvador é o Salvador de Portugal, é a nossa essência de cauda da Europa, de país que não quer entrar em guerra, de nação virada para o mar. Nós, que só queremos abraços e amor e primavera e música bonita na nossa língua, melancolia e sorrisos ternos, abandonámos em conjunto e sintonia as nossas vidas normais para nos emocionarmos com o Salvador, irmão da Luísa. Demos as nossas mãos em filinha pirilau e chegámos juntos a Kiev, numa emoção limpa, sóbria, sem os gritos e as litrosas dos jogos da selecção nacional mas com igual contentamento genuíno. É isso que amamos em nós, às vezes pacóvios mas mais vezes genuínos. Salvador de Portugal é genuíno e é o homem mais amado do dia de hoje. 

 

Parabéns, rapaz. Hoje percebi o porquê de tanta efervescência.