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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#76 tudo sobre a ilha do sal - parte 2

 

CONTINUAÇÃO DA PARTE 1 

 

Quando voltei definitivamente para Portugal (definitivamente terá sempre um ponto e vírgula), há três anos, comecei quase de imediato os ensaios para uma peça que esteve no falecido Teatro Rápido do Chiado. Não, ainda não vimos o dinheiro que nos pertence. Bom, não tivesse estado na peça e a fazer produção cultural numa empresa que me ficou a dever ainda mais zeros que o teatro, e teria havido a (quizas remota) hipótese de integrar a produção de uma série chamada Sal, que iria ser gravada maioritariamente em Cabo Verde. As coisas não aconteceram assim, mas as quase-coincidências também ficam na memória. Nessa série, como actor, participou um tipo que é hoje dos meus melhores amigos. Produziu-a a minha actual sócia de uma coisa que lançaremos em 2017. E as sintonias continuam. Na série Sal, esse meu amigo interpretou a personagem “Emídio”, um homem que arranjava tudo o que era necessário a quem chegasse ao Sal, uma espécie de facilitador, um português simpático, dos que conhece toda a gente e o que é de melhor na ilha.

 

Há umas semanas, jantámos num restaurante com espectáculo de Burlesco na rua do poço dos negros, onde lhe disse que finalmente tinha escolhido o destino das minhas férias e que me tinha decidido pela ilha do Sal. Ele disse, fala com o Emídio, ele ajuda-te em tudo. Ri-me, claro. Sim, levas a tua personagem e ele que trate de mim. Não, Helena, há mesmo um Emídio, a minha personagem é real – disse o JC. Não queria acreditar, a viagem estava a ser deliciosa ainda antes de começar.

 

 

No dia seguinte a chegarmos à ilha, contactei o Emídio, o verdadeiro. Disse que era amiga do actor que fez de Emídio, o falso. Num piscar de olhos estávamos a tomar um café matinal numa esplanada sobre o mar e noutro piscar de olhos se passou o dia, na companhia dele, mais tarde da companheira e de mais amigos que se foram juntando. Eu, o meu Z. e um mar de portugueses simpáticos que residem na Ilha do Sal e que nos mostraram onde comer, onde beber um copo e nos acompanharam na comida e na bebida. Uma maravilha a descoberta, não tem outro nome. Depois disto, considero que devia haver um Emídio em cada país que se visita pela primeira vez.

  

Dica nº 4 – assim que chegarem ao Sal, dirijam-se ao pontão e perguntem pelo Emídio Simões. O seu submarino turístico é uma forma de ver peixinhos e o cristo dos mares (está tudo na série da SIC!) e se forem pessoas incríveis como ele, trazem convosco um amigo.

 

Demos uma volta de umas horas no barco de pesca do Emídio. Trouxemos dois peixinhos de aproximadamente trinta centímetros. Vegans, matem-me, eu sei. E agora que falámos dos peixinhos, vamos lá à comida.

 

Onde comer em Santa Maria, na Ilha do Sal? Eu digo-vos. Mas digo-vos antes: se tinham a ideia romântica que iam para lá comer peixe, lagosta e gambas até cair para o lado por preços simbólicos, desenganem-se. As refeições são caras e as doses extremamente pequenas para uma pessoa. Na nossa primeira noite fomos ao Odjo D’Água, que é lindo para caramba, mas de um sugestivo “bacanal de peixe” (nome do prato, não tenho culpa), surgiu-me um prato branco de porcelana com três postinhas singelas sem acompanhamento. Acabámos o jantar a pagar 75 euros e a correr para o terrível buffet do hotel para comer frango e batatas fritas. Se vale a pena ir ao Odjo D’Água ver as vistas? Sim!! Mas para jantar, levem uma carteira recheada.

 

 

Dica nº 5 – Restaurantes Barracuda, Pubim, Americo’s e Caranguejo.

As vezes que forem precisas. Se eu voltar ao Sal, fico-me por estes. E talvez pelo Rei do Marisco, que no dia que lhe havíamos designado a visita, estava fechado.

 

O Barracuda é o meu favorito. Se assistirem à série, reconhecerão a gerente do restaurante. Come-se estupidamente bem e por preços mais que justos.

 

No Pubim, as doses são pequenas mas com entrada e sobremesa já fica toda a gente satisfeita. Aqui, sim, comi aquele arroz de marisco que tem mais marisco que arroz. Com umas gotinhas de picante cabo-verdiano e o céu desce à terra. Ao jantar no Pubim, vivemos a bonita experiência de jantar na esplanada singela de uma rua típica e transversal à principal, sem grande turismo nem adornos, ao som da morna de um músico talentoso e das crianças que brincavam por ali. E, claro, sem tirar o mérito ao arroz de marisco com as tais gotinhas de picante, sem ele não havia quadro idílico para contar.

 

No Americo’s comi um belíssimo polvo grelhado e aconselho. Os preços não são os mais simpáticos, mas não são tão inflacionados como em outros restaurantes e come-se realmente bem,

 

Por fim, o Caranguejo, onde o Tataki de Atum me conquistou. É um restaurante português de um português, mas é cool, com bons preços e para além da comida portuguesa tem o tal Tataki e ainda uma carta de pizzas que nos aguçou a curiosidade. Ah! E tem francesinha, amigos conterrâneos, não vá a saudade incomodar.

 

 

Bolas, estou a ficar cheia de fome. Parece que vamos ter de passar a cachupa para outro post. E os bares típicos e a volta à ilha.

Até já :)