Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Miliuma

insónias | ideias | publicações

#75 tudo sobre a ilha do sal - parte 1

 

“Já chegámos ao hotel. Está aquele bafo húmido e tropical, estamos no paraíso.” – esta foi a primeira mensagem que enviei ao meu pai, por volta das três horas da manhã. Eu, com saudades de Cuba, ele com saudades da Indonésia, descemos as escadas do avião de mão dada e o sorriso rasgou assim que sentimos o calor a colar na pele, ao mesmo tempo que expirávamos de alívio por voltar à tropicalidade do planeta. Não fomos feitos para o frio.

 

Um par de anos se passou desde que começámos a pensar em viajar para Cabo Verde. Foram mais de dois anos de cursos, empregos e projectos para ambos, com uma dificuldade em conciliar as férias merecidas. A expectativa era proporcional à espera. Nas únicas datas que tínhamos disponíveis, as opções eram poucas e acabámos por optar pela Ilha do Sal e o Hotel Oásis Belorizonte.

 

Não quero alongar-me na introdução, pelo que seguem neste post todas as considerações que considero úteis, para quem me leia e mesmo para mim, num futuro regresso ao SAL. Só não são miliuma porque nunca mais daqui sairíamos.

 

 

 

O transfer lá estava à nossa espera, do operador Sol Trópico. Um rapaz preenche com voz projectada os vinte minutos de camioneta que separam o aeroporto do hotel, naqueles paleios de animador turístico que me recordam porque não gosto de excursões. Passados esses vinte minutos há a deliciosa garantia que só se volta a ouvir a conversa no transfer de regresso. Dica nº 1 – Se voltar a voar no voo da noite da TAP, não apanharei um transfer de regresso, mas sim um táxi partilhado. O transfer vai para o aeroporto com uma antecedência de horas absolutamente desnecessária e trata-se de um espaço sem nada para fazer.

 

O primeiro impacto do Hotel é o pessoal que lá trabalha. Não podia ser mais simpático, digo. Toda a gente tem um sorriso e um bom dia para oferecer. Fomos para um Bungalow Superior pela simpatia de uma amiga de um amigo de Portugal, que nos fez upgrade do quarto. E fizemos check-out tardio pela mesma simpatia de amigos. Quem puder ajudar, na ilha, ajuda a troco de nada e isso não pode passar sem ser mencionado. Obrigada!

 

O Oásis Belorizonte está em remodelação e expansão e acredito que no futuro seja mais agradável, mas não poderia recomendá-lo. A falta de qualidade na alimentação e bebidas é escandalosa. Quando compro um regime de tudo incluído, faço-o por valer a pena a inclusão das refeições todas. Acabei por visitar muitos restaurantes (boas experiências) para fugir ao restaurante principal que era francamente pior que o refeitório da faculdade. Contudo, é dos hotéis mais bem situados na Ilha, a poucos metros do centro de Santa Maria, onde toda a animação se concentra. Por falar em animação, contem com uma programação de hotel simpática, em que não há qualquer pressão para entrar em actividades que não são do gosto de todos (eu, pelo menos, não sou fã de animações de resorts). Elas existem, nos espaços que lhes são atribuídos e só os hóspedes que querem é que participam. Thumbs up! Assim, se voltaria ao Belorizonte? Sem dúvida. Mas com regime de Pequeno-Almoço apenas, deixando o resto do orçamento para comer noutros lugares.

 

Segundo parece, come-se melhor no Riu Funaná (recentemente reaberto) e ainda no Oasis Salinas, mesmo ao lado do Belorizonte. Há resorts melhores, como o Meliá Dunas, mas que se localizam bastante longe da cidade e com praia não tão boa. Para isso alugava uma casinha em Tróia. Prefiro, de longe, caminhar para o pontão, ver os peixes a chegarem das pescas matinais, as negociações entre locais, os instrumentos nas mãos dos idosos que cantam a morna, as crianças a saltitarem à porta da escola e a lagosta a ser grelhada nas mãos de uma cabo-verdiana bonita como só elas. Eu e os meus milium neurónios curiosos.

Dica nº2 – Reservar um hotel em regime de Meia Pensão e ir com os nomes apontados dos restaurantes para jantar. Morabeza e Salinas são óptimas opções.

 

Apesar da distância do Oásis Belorizonte ao centro de Santa Maria e respectivo pitoresco pontão ser bastante reduzida (15 minutos a pé), à noite vem o cansaço, a preguiça ou até o receio de voltar por ruas nem sempre iluminadas. Um táxi do centro ao Belorizonte ou ao Salinas são apenas 200 escudos cabo-verdianos (ou arredondados 2€). Dica nº3 – perguntar antes de entrar no táxi quanto é, para não apanhar surpresas. Para este trajecto são sempre 200 escudos, não há taxímetro nem há que enganar (desde os resorts Riu já se cobram 3€, segundo me disseram).

 

 

No próximo post vou falar sobre como a série da SIC “Sal” me fez feliz nesta ilha, da música cabo-verdiana, dos restaurantes e da cachupa!

 

(Agora vou ali trocar o repelente pelo cachecol e já volto.)

 

 

3 comentários

comentar publicação