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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#6 nas nuvens

 

Hoje ligaram-me para me convidar para contar uma estória para uma plateia. E eu, atarantada no meio de uma grande confusão à hora do jantar, disse que à partida não havia problema, mas que tinha de confirmar na agenda porque já tinha tantas coisas para fazer e ainda me pus a abrir um blog há uma semana atrás. O rapaz (até aos 60 são todos rapazes) responde: sim, eu sei, eu li-o. Pimba. Sorriso. Como dizer que não vou contar uma história se admiti logo no terceiro post que tinha miliuma histórias para contar?

- As minhas histórias têm muitas vezes ilegalidades. Não vou sair de lá algemada, pois não?

E o rapaz descansou-me. Com ilegalidades referia-me a cruzar riscos contínuos, não sei em que é o deixei a pensar.

 

Tudo para dizer que as melhores histórias que tenho ouvido são no Uber, que eu tanto tanto uso, visto que o maravilhoso pavimento lisboeta me anda a lixar o carro todo e nem com dístico consigo lugar à noite.

 

Hoje está frio. Falei de botijas de água quente para aquecer os pés na cama e disse que não uso porque tenho medo que rebente e me queime os pés. Também conversei sobre o conforto de um cobertor eléctrico, mas não, nunca comprei que às tantas ainda há um curto-circuito e ele arde.

 

Também falei de aviões com o A., o motorista. Ele tinha vindo da indústria farmacêutica e percorreu o mundo de avião. Disse-me que tudo menos aviões, que odeia voar. E eu disse-lhe que não há nenhum transporte que me faça sentir tão bem e tão em casa. Adormeço antes de levantar voo, qual criança na cama da mãe a descomprimir de uma semana barulhenta. No espaço desta semana vão ser quatro voos porto-lisboa. E isso traz-me cá um descanso, até parece que me passa o frio.