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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#48 somos todos refugiados

 

Somos todos qualquer coisa todos os dias. Somos Charlie, somos Paris, somos Orlando, somos Iraque. Somos Iraque? Não tenho visto muitos #jesuisiraque, ainda que Iraque tenha passado por uma terrível desgraça recentemente. Ainda bem que somos todos isso tudo, não pensem que vou insinuar que somos todos movidos de uma hipocrisia constante e que é muito lindo colocar hashtags recostados no novo sofá com chaise-longue do ikea. Bom, não sei como é nas vossas casa, mas na minha - e na dos meus pais, enquanto crescia - sempre ajudámos à nossa maneira. Não vos maço com histórias bonitas e nostálgicas, hoje não é o dia.

 

No ano passado, o meu mais-que-tudo editou a revista da PAR, movido a suor e a essa vontade de minimizar a dor alheia, as injustiças, as disparidades. Foi aí que comecei a seguir o trabalho da Plataforma de Apoio aos Refugiados, fundado por associações da sociedade civil portuguesa que, antes que atirem pedras, também se dedicam a ajudar os nossos. Podia ser melhor que isto? Não, é mesmo uma plataforma muito bem criada e com excelentes iniciativas.

 

Sendo o cinema a minha praia, não podia deixar passar ao lado a mais recente parceria: 

"Ou Todos Ou Nenhum", uma história otimista sobre o sucesso da integração de uma família de refugiados, chega às salas de cinema no dia 7 de julho e uma percentagem das vendas de bilheteira reverterá a favor da missão PAR Linha da Frente@Grécia, um programa de voluntariado para apoio aos refugiados que chegam à Grécia, nomeadamente à ilha de Lesbos e a Atenas.

 

Win-win, estamos a ajudar enquanto ganhamos em cultura, em conhecimento e no lazer. Vi o trailer e fiquei convencida! Quem quer vir ao cinema?

 

© Reza Adama Pictures

 

E ainda: para que os franceses gostem um bocadinho mais de nós, uma rapariga antipática dos seus trinta e tal anos perguntou-me se eu sabia onde era o hostal "xis", procurei no google do telemóvel, acompanhei-a durante um quilómetro debaixo do sol da hora do almoço e ajudei-a com as malas. No fim, disse-lhe que ia voltar para trás porque ela me tinha apanhado à porta de casa. A francesa, que tinha passado o caminho todo a reclamar com Portugal e a vida, desfez-se em agradecimentos e ficou a sorrir. Ligeiramente. Vá lá.

 

 

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