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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#37 consumismo do bom

 

Nos últimos dias tenho implementado mais mudanças na minha vida, das pequeninas opções que acredito virem a tomar proporções muito grandes no que diz respeito ao meu bem-estar. Nunca fui uma pessoa naturalmente feliz, sempre me acusaram de pensar demasiado. Hoje sou eu que dou esse conselho a tantas amigas (tantas das tão poucas que tenho), não penses tanto, mariquinhas.

 

A cada mês que fica para trás, o silêncio toma uma importância crescente no quotidiano. Aprecio o que me rodeia com ouvidos de ouvir, um lobo mau atento mas bem intencionado. Na nossa rua, por exemplo, comecei a reconhecer o barulho dos motores e as vozes dos vizinhos dos outros prédios. A culpa é do sol, que me traz rasgos de paz.

 

Troquei os chinelos de quarto por havaianas, o pijama pelo vestido de dormir, abri as janelas todas da casa e passei a usar o vaporizador da zara home que tanto gosto, voltei a encher a covete do gelo no congelador e arrumei o secador da roupa para um canto. Se os pássaros entrarem, vou ralhar-lhes a sorrir, sem me chatear realmente. Tudo porque hoje voltei a lembrar-me de uma conversa que tive há uns anos, em que dizia ao meu amigo que há truques para nos sobrepormos a este peso que o mundo nos coloca nos ombros e que comigo funciona fechar os olhos e respirar, de preferência, ao pé da rega de fim de tarde de um jardim com relva acabada de cortar.

 

 

Hoje, noutro contexto, admiti que tenho dúvidas, muitas. E que está tudo bem. Falei do post anterior e disse que sim, que ia escrever sobre recomeços, que às vezes errar é uma merda, mas que todos os dias me posso dar ao luxo de recomeçar. Ó, como roço os clichés e não queria. Estarei a descobrir aos trinta os chavões da vida?

 

Fechei os olhos e tinha o catálogo da LUSH nas mãos. Tantas folhas de papel a cheirarem tão bem, o meu consumismo a ganhar força, confesso. Mas será tão mau assim quando é para consumir coisas realmente boas? Produtos bons, que causam sensações tão a par desta minha primavera, sem teste em animais e vindos de agricultura sustentável? Porque eu ontem fui à Feira do Livro,  investi o meu dinheiro nesses blocos de felicidade e, à custa desse mesmo consumismo, ainda não parei de sorrir.

 

 

 

 

 

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