Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Miliuma

insónias | ideias | publicações

#34 groselha

 

Quando escrevi o post sobre o meu carinho por carteiras, recebi elogios muito simpáticos de se lerem. Alguém deve ter estado atento e, duplicando a simpatia, convidou-me para ir ver em primeira mão a nova colecção da Furla e da Guess. E eu fui e vi malas com pêlo para abraçar nos dias cinzentos do inverno que ainda não foi embora mas já se antecipa nesta minha ansiedade congénita. E inspirações orientais, como eu adoro. E outras coisas mais, que não esperava.

 

 

Nessa tarde, antes de chegar ao edifício da Brodheim, passei por um acidente muito feio, um carro destruído, pessoas que eu não percebi se estavam vivas, a camisola vermelha da mulher de meia idade que, inanimada, estava dentro do veículo. Eu, devagar, contornei o carro acidentado e o camião dos bombeiros e segui caminho, a respirar fundo e a procurar pelo retrovisor a cara dos outros condutores que, como eu, contornaram em silêncio aquele cenário.

Quando cheguei ao lançamento das novas colecções, tudo o precisava era de um abraço. E esse abraço chegou de pessoas que desconhecia, mas que também têm dias - às vezes - tão maus e que, naquele tempinho, se permitiram a sorrir com as flores da nova colecção, porque se não servir para embelezar os nossos dias, para que serve então o desenho de moda?

 

Quando estava quase a vir embora, a brand manager perguntou-me porque é que eu tinha olhado tantas vezes para o espaço da Timberland e não tinha explorado. Expliquei-lhe que a marca não é muito o meu estilo. E ela explicou-me que a marca mudou. E eu, a mesma menina que com quatro anos experimentou groselha a medo e lambeu os beicinhos de felicidade no fim, caminhei com a senhora e falei das botas, das marcas, das crianças, da maternidade, do trabalho e da vida. Tirei uma fotografia às minhas favoritas, um dia destes serão minhas.