Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MILIUMA

insónias | ideias | publicações

MILIUMA

#51 avanca, a capital deste fim-de-semana

 

Foi o nosso primeiro filme em conjunto, meu, do Tiago, da Patrícia, do Miguel, do João, e de outros tantos mais. Não foi o primeiro filme de ninguém individualmente, mas como num relacionamento, cada filme é um filme e é sempre o primeiro quando a equipa é outra. Idealmente, gostava de repetir as mesmas 19 pesssoas envolvidas e fazer assim um segundo filme.

 

Até lá, este primeiro faz o seu caminho. Em Abril, a ante-estreia incrível (deu vontade de fazer mais filmes só para fazer mais festas assim) e a estreia na nossa pérola do atlântico. Mais tarde, exibição no Shortcutz Lisboa e estreia internacional no famigerado Festival Internacional de Huesca. Até aqui, tudo maravilhoso. Mas felizmente, ficámos a saber que não terminou por aqui. Cada selecção oficial para um festival é motivo de celebração, quais adolescentes numa festa de aniversário. Desta vez, no Festival de Cinema de Avanca.

 

 

#50 FODMAP, sim, escrevi bem

 

CONTEXTO

Não estou certa se já referi isto no blog, mas creio que sim: sou alérgica a uma data de coisas mais um par de botas. Desde quase todas as frutas aos pólens e animais, tenho todo um espectro de alergias e rinites e conjuntivites alérgicas para completar o pacote. Se a minha mãe me lavou demasiado as mãos quando era pequena? Duvido, todas as minhas semanais visitas a castelo de paiva eram regadas a mãos pretas de terra e a bocas de cenouras por lavar. O meu irmão ficava fechado em casa e está rijo, vá perceber-se. Por volta dos dezanove anos, comecei a ter manifestações que ultrapassavam as habituais comichões na língua quando comia ananás e passei aos sintomas graves, os que me proibiram de continuar a ingerir toda uma lista de alimentos. Estou habituada e, quem sabe, à minha boleia ainda se descobrirá uma vacina qualquer de dessensibilização a estes alergéneos. Até lá, confesso as saudades de beber um sumo laranja natural e vivo a minha vidinha, aproveitando este presente em que ainda posso comer frutos silvestres. A alergia aos alimentos pode sempre crescer, portanto, em vez de chorar pela laranja, delicio-me com a amora. 

 

Bacalhau à Brás do Chef Bertílio Gomes - Restaurante Chapitô à Mesa

 

 

#49 o meu post dava uma reportagem - errata RTP

 

Alguns dizem "a minha vida dava um livro". Hoje digo "o meu post dava uma reportagem". E deu! Aqui.

Não consigo, contudo, completar a sensação de dever cumprido se não clarificar este assunto:

 

A RTP contactou-me para fazer uma reportagem depois de terem lido o meu post no blog. O tema interessou-os e ainda bem. Fui entrevistada na qualidade de blogger, falei sobre o Miliuma, os meus objectivos com o blog, o post em si, dei as minhas dicas sobre o assunto das burlas nos arrendamentos. Tenho respeito e carinho pela jornalista que fez a reportagem e já a informei da minha sincera opinião sobre a reportagem, opinião que ela compreende. Fui informada pela mesma que a peça foi cortada para caber no Telejornal e que, nessa edição final, tinham retirado todas essas partes. E cortar é um acto de sensibilidade. Rapidamente, passei a ser a Helena que está à procura de casa. E não é bem assim.

 

Quero, assim, elucidar-vos: não estou à procura de casa para ir morar com o meu namorado, eu vivo actualmente com o meu companheiro, procuro casa há muito tempo e continuarei a procurar durante uns anos, até encontrar "o" lugar. Não fui vítima de burla de arrendamentos e a única razão pela qual fui entrevistada é porque o meu post deu origem à reportagem, ainda que isso não tenha aparecido no corte final. Lamento que o mesmo não tenha sido identificado, nem o meu sobrenome, nem eu como autora. Fica aqui, para quem ler. E ficam os conselhos e o alerta, que no meio de tudo isto, é o mais importante.

 

Obrigada.

 

#48 somos todos refugiados

 

Somos todos qualquer coisa todos os dias. Somos Charlie, somos Paris, somos Orlando, somos Iraque. Somos Iraque? Não tenho visto muitos #jesuisiraque, ainda que Iraque tenha passado por uma terrível desgraça recentemente. Ainda bem que somos todos isso tudo, não pensem que vou insinuar que somos todos movidos de uma hipocrisia constante e que é muito lindo colocar hashtags recostados no novo sofá com chaise-longue do ikea. Bom, não sei como é nas vossas casa, mas na minha - e na dos meus pais, enquanto crescia - sempre ajudámos à nossa maneira. Não vos maço com histórias bonitas e nostálgicas, hoje não é o dia.

 

No ano passado, o meu mais-que-tudo editou a revista da PAR, movido a suor e a essa vontade de minimizar a dor alheia, as injustiças, as disparidades. Foi aí que comecei a seguir o trabalho da Plataforma de Apoio aos Refugiados, fundado por associações da sociedade civil portuguesa que, antes que atirem pedras, também se dedicam a ajudar os nossos. Podia ser melhor que isto? Não, é mesmo uma plataforma muito bem criada e com excelentes iniciativas.

 

Sendo o cinema a minha praia, não podia deixar passar ao lado a mais recente parceria: 

"Ou Todos Ou Nenhum", uma história otimista sobre o sucesso da integração de uma família de refugiados, chega às salas de cinema no dia 7 de julho e uma percentagem das vendas de bilheteira reverterá a favor da missão PAR Linha da Frente@Grécia, um programa de voluntariado para apoio aos refugiados que chegam à Grécia, nomeadamente à ilha de Lesbos e a Atenas.

 

Win-win, estamos a ajudar enquanto ganhamos em cultura, em conhecimento e no lazer. Vi o trailer e fiquei convencida! Quem quer vir ao cinema?

 

© Reza Adama Pictures

 

E ainda: para que os franceses gostem um bocadinho mais de nós, uma rapariga antipática dos seus trinta e tal anos perguntou-me se eu sabia onde era o hostal "xis", procurei no google do telemóvel, acompanhei-a durante um quilómetro debaixo do sol da hora do almoço e ajudei-a com as malas. No fim, disse-lhe que ia voltar para trás porque ela me tinha apanhado à porta de casa. A francesa, que tinha passado o caminho todo a reclamar com Portugal e a vida, desfez-se em agradecimentos e ficou a sorrir. Ligeiramente. Vá lá.

 

 

#47 burla é crime!

 

Durante anos, a burla do príncipe nigeriano, mascarada de várias abordagens e fortemente apoiada pelo facilitismo da Western Union, enganou e roubou tanta e tanta gente que conheço. Desenganem-se, não foi só aos mais incautos. A famosa burla proliferou a nível global e foi, inclusivamente, alvo de graça em episódios de sitcoms como o “How I Met Your Mother”. Sites como CraigsList nos Estados Unidos, MercadoLivre no Brasil e OLX em Portugal são ninhos perfeitos para estas vespas peludinhas e venenosas, que tanto me tiram do sério. Falo por mim, 2013, uma câmara de filmar da Canon ficou algures no Brasil através do MercadoLivre, o dinheiro nunca vi, mas também não enviei o meu.

 

Sim, porque através de emails falsos e cópias perfeitas de sites de bancos, conseguem convencer as pessoas a enviar não só o material que estão a vender, mas tantas e tantas vezes dinheiro para equilibrar transações bancárias, ofertas chorudas em troca do equipamento e do troco. Estes pequenos animais não negociam, dão-nos o valor inicial sem discussão e ainda se oferecem para pagar os portes. Geralmente, não estão em Portugal, é melhor enviar para a casa da prima, que após uma pesquisa no Google Maps, mora num autêntico descampado nos arredores dos arredores de uma aldeia de 15 moradores. 

 

E assim fomos criando mecanismos de defesa: entregar câmaras fotográficas e lentes em mão, testar equipamentos em contra-entrega dos correios, falar com as pessoas ao telefone e fazer uma triagem minimamente intuitiva. Já toda a gente, acho eu, anda avisado das burlas que minam o bom intuito do OLX e de sites semelhantes.