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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#52 como mudar de casa pode melhorar a nossa vida

 

A F. propôs-me escrever um artigo comigo sobre um tema que, apesar de toda a confusão recente com a reportagem da RTP, me interessa particularmente. Eu, que preciso de paz, calma e harmonia como contraponto de todas as personagens que vivem no meu cérebro: as que interpreto, as que leio, as que crio. 

 

Há inúmeros motivos para mudarmos de casa. Porque vamos casar ou juntar os trapinhos com alguém, porque vamos trabalhar para outra cidade, porque a família vai aumentar e precisa de mais uma divisão para o bebé, porque temos vontade de mudar para melhor. Tudo coisas boas, portanto. Não vou aqui enumerar os piores motivos possíveis, que também são válidos. O assunto é, precisamente, os impactos positivos que uma mudança pode trazer às nossas vidas.

© Christopher Harris 

 

Mudar de casa = balanço da vida

A experiência da mudança não passa apenas por arrumar panelas, móveis e roupas, mas também por arrumar as nossas memórias e lembranças, abraçando o futuro que temos pela frente com os nossos sonhos e previsões. De fato, ao escolhermos o que vamos levar para a nova fase da nossa vida, e o que deixamos definitivamente para trás, estamos também a escolher o que vamos querer que a nova vida nos traga. Mesmo que não seja intencional, este processo de seleção natural acaba por ser automático e ajuda-nos a entender o que é realmente necessário ou não para a nossa vida. Há uns tempos, vi uma reportagem em que uma mulher que depois de anos de consumismo exacerbado e aditivo, testemunhou que “less is more”. E tantas vezes é. Senti-me leve ao vê-la sentada num sofá branco, com os filhos ao lado, a dizer isso com uma expressão facial de quem encontrou paz.

© Bench Accounting

 

Mudar de casa = criar novos hábitos e manter apenas o que faz bem

É assoberbante a quantidade de coisas desnecessárias que guardamos sem nos apercebermos e como esses objetos se evidenciam aos nossos olhos quando estamos a fazer uma mudança. “Porque é que eu guardei isto?” pode ser uma das perguntas mais frequentes quando se trata de fazer uma mudança!

Por isso, uma mudança é um excelente momento para nos livrarmos do que não precisamos. E quem sabe até fazemos alguém feliz? Porque o que não é útil para nós pode ser muito importante para outra pessoa. Por isso, toca a doar! Essa “limpeza” faz muito bem. Aliás, devíamos fazê-la de vez em quando, reorganizando a nossa casa periodicamente, pois até ser mais fácil manter a casa organizada quando apenas temos o que nos é útil.

© Jeremy Cai

 

Faça um pequeno exercício. Pare uns minutos e observe o que realmente precisa no ambiente onde se encontra. Depois pense nas outras divisões e, por último, vá pensando nos hábitos necessários e que são bons para a sua vida. Descarte ou doe o que não tem qualquer funcionalidade para si e fique mais leve!

 

Mudar de casa + a ajuda de profissionais

Queria apenas deixar aqui uma ressalva para que a mudança seja um processo prazeroso e não uma real dor de cabeça! Se quiser garantir que tudo corre bem e com alguma tranquilidade, o ideal é contratar empresas de mudanças. Se preferir pode transportar algumas coisas fáceis e pessoais, como roupas, livros, eletrodomésticos, etc. Assim sempre poupa alguns trocos. No entanto, transportar por conta própria móveis grandes e outros que precisam de ser desmontados, sofás, espelhos, etc. acaba por ser uma loucura! Ah, e se por fim conseguirmos deixar o resto para associações como APAV, Crinabel ou a Reto à Esperança, o ciclo fecha-se com perfeição. O brilho nos olhos e os agradecimentos de quem me veio tão pronta e simpaticamente buscar móveis na última mudança ficará para sempre alojado nos meus. Só coisas boas.

 

 

#51 avanca, a capital deste fim-de-semana

 

Foi o nosso primeiro filme em conjunto, meu, do Tiago, da Patrícia, do Miguel, do João, e de outros tantos mais. Não foi o primeiro filme de ninguém individualmente, mas como num relacionamento, cada filme é um filme e é sempre o primeiro quando a equipa é outra. Idealmente, gostava de repetir as mesmas 19 pesssoas envolvidas e fazer assim um segundo filme.

 

Até lá, este primeiro faz o seu caminho. Em Abril, a ante-estreia incrível (deu vontade de fazer mais filmes só para fazer mais festas assim) e a estreia na nossa pérola do atlântico. Mais tarde, exibição no Shortcutz Lisboa e estreia internacional no famigerado Festival Internacional de Huesca. Até aqui, tudo maravilhoso. Mas felizmente, ficámos a saber que não terminou por aqui. Cada selecção oficial para um festival é motivo de celebração, quais adolescentes numa festa de aniversário. Desta vez, no Festival de Cinema de Avanca.

 

 

#50 FODMAP, sim, escrevi bem

 

CONTEXTO

Não estou certa se já referi isto no blog, mas creio que sim: sou alérgica a uma data de coisas mais um par de botas. Desde quase todas as frutas aos pólens e animais, tenho todo um espectro de alergias e rinites e conjuntivites alérgicas para completar o pacote. Se a minha mãe me lavou demasiado as mãos quando era pequena? Duvido, todas as minhas semanais visitas a castelo de paiva eram regadas a mãos pretas de terra e a bocas de cenouras por lavar. O meu irmão ficava fechado em casa e está rijo, vá perceber-se. Por volta dos dezanove anos, comecei a ter manifestações que ultrapassavam as habituais comichões na língua quando comia ananás e passei aos sintomas graves, os que me proibiram de continuar a ingerir toda uma lista de alimentos. Estou habituada e, quem sabe, à minha boleia ainda se descobrirá uma vacina qualquer de dessensibilização a estes alergéneos. Até lá, confesso as saudades de beber um sumo laranja natural e vivo a minha vidinha, aproveitando este presente em que ainda posso comer frutos silvestres. A alergia aos alimentos pode sempre crescer, portanto, em vez de chorar pela laranja, delicio-me com a amora. 

 

Bacalhau à Brás do Chef Bertílio Gomes - Restaurante Chapitô à Mesa

 

 

#49 o meu post dava uma reportagem - errata RTP

 

Alguns dizem "a minha vida dava um livro". Hoje digo "o meu post dava uma reportagem". E deu! Aqui.

Não consigo, contudo, completar a sensação de dever cumprido se não clarificar este assunto:

 

A RTP contactou-me para fazer uma reportagem depois de terem lido o meu post no blog. O tema interessou-os e ainda bem. Fui entrevistada na qualidade de blogger, falei sobre o Miliuma, os meus objectivos com o blog, o post em si, dei as minhas dicas sobre o assunto das burlas nos arrendamentos. Tenho respeito e carinho pela jornalista que fez a reportagem e já a informei da minha sincera opinião sobre a reportagem, opinião que ela compreende. Fui informada pela mesma que a peça foi cortada para caber no Telejornal e que, nessa edição final, tinham retirado todas essas partes. E cortar é um acto de sensibilidade. Rapidamente, passei a ser a Helena que está à procura de casa. E não é bem assim.

 

Quero, assim, elucidar-vos: não estou à procura de casa para ir morar com o meu namorado, eu vivo actualmente com o meu companheiro, procuro casa há muito tempo e continuarei a procurar durante uns anos, até encontrar "o" lugar. Não fui vítima de burla de arrendamentos e a única razão pela qual fui entrevistada é porque o meu post deu origem à reportagem, ainda que isso não tenha aparecido no corte final. Lamento que o mesmo não tenha sido identificado, nem o meu sobrenome, nem eu como autora. Fica aqui, para quem ler. E ficam os conselhos e o alerta, que no meio de tudo isto, é o mais importante.

 

Obrigada.

 

#48 somos todos refugiados

 

Somos todos qualquer coisa todos os dias. Somos Charlie, somos Paris, somos Orlando, somos Iraque. Somos Iraque? Não tenho visto muitos #jesuisiraque, ainda que Iraque tenha passado por uma terrível desgraça recentemente. Ainda bem que somos todos isso tudo, não pensem que vou insinuar que somos todos movidos de uma hipocrisia constante e que é muito lindo colocar hashtags recostados no novo sofá com chaise-longue do ikea. Bom, não sei como é nas vossas casa, mas na minha - e na dos meus pais, enquanto crescia - sempre ajudámos à nossa maneira. Não vos maço com histórias bonitas e nostálgicas, hoje não é o dia.

 

No ano passado, o meu mais-que-tudo editou a revista da PAR, movido a suor e a essa vontade de minimizar a dor alheia, as injustiças, as disparidades. Foi aí que comecei a seguir o trabalho da Plataforma de Apoio aos Refugiados, fundado por associações da sociedade civil portuguesa que, antes que atirem pedras, também se dedicam a ajudar os nossos. Podia ser melhor que isto? Não, é mesmo uma plataforma muito bem criada e com excelentes iniciativas.

 

Sendo o cinema a minha praia, não podia deixar passar ao lado a mais recente parceria: 

"Ou Todos Ou Nenhum", uma história otimista sobre o sucesso da integração de uma família de refugiados, chega às salas de cinema no dia 7 de julho e uma percentagem das vendas de bilheteira reverterá a favor da missão PAR Linha da Frente@Grécia, um programa de voluntariado para apoio aos refugiados que chegam à Grécia, nomeadamente à ilha de Lesbos e a Atenas.

 

Win-win, estamos a ajudar enquanto ganhamos em cultura, em conhecimento e no lazer. Vi o trailer e fiquei convencida! Quem quer vir ao cinema?

 

© Reza Adama Pictures

 

E ainda: para que os franceses gostem um bocadinho mais de nós, uma rapariga antipática dos seus trinta e tal anos perguntou-me se eu sabia onde era o hostal "xis", procurei no google do telemóvel, acompanhei-a durante um quilómetro debaixo do sol da hora do almoço e ajudei-a com as malas. No fim, disse-lhe que ia voltar para trás porque ela me tinha apanhado à porta de casa. A francesa, que tinha passado o caminho todo a reclamar com Portugal e a vida, desfez-se em agradecimentos e ficou a sorrir. Ligeiramente. Vá lá.

 

 

#47 burla é crime!

 

Durante anos, a burla do príncipe nigeriano, mascarada de várias abordagens e fortemente apoiada pelo facilitismo da Western Union, enganou e roubou tanta e tanta gente que conheço. Desenganem-se, não foi só aos mais incautos. A famosa burla proliferou a nível global e foi, inclusivamente, alvo de graça em episódios de sitcoms como o “How I Met Your Mother”. Sites como CraigsList nos Estados Unidos, MercadoLivre no Brasil e OLX em Portugal são ninhos perfeitos para estas vespas peludinhas e venenosas, que tanto me tiram do sério. Falo por mim, 2013, uma câmara de filmar da Canon ficou algures no Brasil através do MercadoLivre, o dinheiro nunca vi, mas também não enviei o meu.

 

Sim, porque através de emails falsos e cópias perfeitas de sites de bancos, conseguem convencer as pessoas a enviar não só o material que estão a vender, mas tantas e tantas vezes dinheiro para equilibrar transações bancárias, ofertas chorudas em troca do equipamento e do troco. Estes pequenos animais não negociam, dão-nos o valor inicial sem discussão e ainda se oferecem para pagar os portes. Geralmente, não estão em Portugal, é melhor enviar para a casa da prima, que após uma pesquisa no Google Maps, mora num autêntico descampado nos arredores dos arredores de uma aldeia de 15 moradores. 

 

E assim fomos criando mecanismos de defesa: entregar câmaras fotográficas e lentes em mão, testar equipamentos em contra-entrega dos correios, falar com as pessoas ao telefone e fazer uma triagem minimamente intuitiva. Já toda a gente, acho eu, anda avisado das burlas que minam o bom intuito do OLX e de sites semelhantes.