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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#46 o rio que não era meu

 

A minha família tem uma mistura incrível de origens, mas está tudo por provar e só começa na geração dos bisavós para cima. Os meus pais nasceram em Castelo de Paiva e cresceram no Porto, a minha (invicta) cidade.

 

Fazendo contas por alto às vezes que atravessei a ponte de entre-os-rios, ida e volta, ida e volta, até ao dia em que ela caiu, hei-de ter lá passado cerca de 1700 vezes. É isso mesmo, 1700 vezes a pensar, ai jesus que isto está com ar de que vai cair. Caiu. Não por culpa do tabuleiro, como eu pensava, mas pelo pilar que cedeu.

 

Lembro-me de cada minuto dessa noite. A minha mãe a chamar-me, o soco no estômago, o medo, as chamadas para a nossa família que não conseguíamos fazer -  a rede de telemóvel estava congestionada e as linhas dos telefones fixos caíram com a ponte - a noite em claro, o meu pai no Brasil, preocupado.

 

Conheci gente que estava num dos carros que ficou na parte inicial do tabuleiro e não caiu. A minha família toda, naquele domingo à noite, vinha para o Porto, como era habitual. Uns passaram cinco minutos antes, o resto chegou ao lugar pouco depois da tragédia. Todos que eram meus escaparam de raspão ao que poderia ter sido uma história completamente diferente na minha vida.

 

Por outras circunstâncias e vicissitudes, deixei de ir à terra dos meus pais. Nunca foi um lugar que eu gostasse particularmente, embora lhe reconhecesse a beleza natural. Hoje consigo olhar para este lugar encostado ao Douro com menos intensidade e até, ao atravessar a vila no regresso ao Porto, senti alguma saudade de quando brincava à porta de casa da minha tia T..

 

 

Ao caminhar os oito quilómetros dos passadiços, aguentei as tonturas das vertigens, o calor, o cansaço e a sede para poder ver, camuflada entre tantos outros turistas, as montanhas verdes que terminam no rio em que me banhei todos os verões, o rio que atravessei às cavalitas do V., com medo das aranhiças que saltitavam de pedra em pedra, o rio que durante toda a minha infância forneceu a água das torneiras da minha cidade do Porto, o rio que enchia as panelas de ferro onde os irmãos da A. faziam uma cabidela improvisada. 

 

Duas horas e meia depois, sorri e ri feliz, parecia uma prova de superação, como uma mini-maratona para os mais audazes. Foi um caminho quase todo feito em silêncio, a limpar as memórias nessa água cristalina e fugidia. Hoje, se me propusessem escrever uma frase com as palavras natureza, reconciliação e paz, eu ganhava o concurso. Primeiro prémio.

 

PS  - Vale a pena visitar. As reservas dos bilhetes têm de ser feitas com, pelo menos, duas semanas de antecedência. Comprem sempre a mais - só custa 1€ e na altura pode haver mais gente a querer acompanhar-vos na viagem. Porque é, realmente, uma viagem. 

 

#45 snapchat - a mensagem do fantasminha

 

Há um ano atrás fiz um curso na Universidade Nova de Lisboa de Gestão de Redes Sociais. Desde então, o Snapchat começou a criar uma curiosidade constante. Não percebia qual o interesse em fazer um snap que se esgotava na primeira vez que era visionado e durante meros segundos, a não ser o possível interesse de troca de efémeras imagens sexuais.

 

Há screenshots, contudo. De que serve o Snapchat identificar quem tirou o screenshot, se essa mesma imagem circular eternamente na internet sem a nossa autorização? Depois de entrar na rede, é mais difícil sair do que deixar a Índia após degustar um belo bife de vitela mal passado. Queremos ser a Scarlett Johansson? Sim, mas nem sempre.

 

Todavia, depois de se começar realmente a testar o dito programa, começa-se a entender que a efemeridade das imagens é necessária: quase nenhuma é assim tão impressionante ou tão indispensável à vida de outrem, que mereça ser eternizada numa cover photo do Facebook. Sendo assim, o melhor é ir reciclando. Coisa boa é que se vai partilhando em tempo real, sem grandes filtros nem grandes tretas, o que vai acontecendo numa vida menos editada em photoshop e re-enquadrada para a ocasião.

 

Dito isto, AQUI vai a explicação mais completa que alguma vez li para todos os meus amigos que ainda não se renderam ao Snapchat, a aplicação que promete ser “A” app de 2016.

Se quiserem uma versão mais simples, feita pelos comparsas brasileiros, também há! Basta clicar aqui!

 

Depois de quinze minutos a testar a aplicação que, dizem os boatos, foi criada para ser pouco intuitiva para os mais velhos (que raio!), fica-se a perceber que ela não varia muito mais do que : plim, filtro, escrever, a minha história, plam! No meio de tanto e tão pouco, adicionem-me!! Se não souberem como, é porque não leram os links que coloquei acima. Vão lá, vão. E até já!

 

 

SNAPCHAT PARA iOS

SNAPCHAT PARA ANDROID

 

#44 huesca, capital de huesca

 

Se tudo correr bem, no momento em que este post aparecer na minha timeline, estarei com o Tiago R. Santos em Huesca, após o que se avizinha ser uma longa e cansativa viagem de carro de Lisboa quase aos Pirinéus.

 

Aparte - Há uns anos assisti a uma palestra com Q&A (questions & answers) numa escola de representação que frequentei em Nova Iorque e cujo principal interveniente era Philip Seymour Hoffman. Ele disse e eu nunca esqueci: o actor está sempre a trabalhar, seja quando trabalha, seja quando procura trabalho. - 

 

Huesca, uma das principais cidades de Aragón (lembro-me logo do reino de Aragão estudado na escola), situa-se bem lá no fundo, com o País Basco de um lado e Barcelona do outro. Lá, o nosso filme (meu, do Tiago e das outras dezassete pessoas que nele participaram), a ser exibido num teatro para gente de todo o mundo. Serão muitos e muitos dias de festival, quatro dos quais estarei presente a ver dezenas de outras curtas-metragens. Por fim, o regresso a Lisboa. Não há tempo para viagens às cidades que não conheço no norte de Espanha, não há férias à vista. São Sebastião virá outro dia, outro ano. Até lá, a indiscutível felicidade deste trabalho.

 

 

 

 

 

 

#43 nos primavera sound dois mil e dezasseis

 

Na última noite estava calor. Eram três e meia da manhã e ainda a vestir uma t-shirt e um sorriso, sem pressa de terminar. O Primavera melhora a cada ano que passa e eu não soube bem perceber o porquê.

 

Ao chegar ao recinto, tudo estava igual aos anos anteriores, as diferenças eram tão imperceptíveis que parecia que tinha havido uma elipse temporal e o resto dos anos que existem entre um festival e outro, entre uma edição e outra, tinham desaparecido. Por isso não sei explicar o porquê de este ano ter sido ainda (e tão) melhor.

 

Em 2017 voltarei, certamente.

 

 © Joana Nunes

 

Até lá, resta-me partilhar três coisas:

1 - Não sabia quem era o Brian Wilson, esse nome em destaque no alinhamento. Quando o Brian Wilson, aliás, quando os Beach Boys começaram a tocar, não quis acreditar na minha sorte. Os Beach Boys ao vivo. Senti-me uma privilegiada.

2 - O Primavera apresenta-me sempre alguém novo. Moderat conquistou-me. Foi para compensar a desanimada actuação de Air. Ou para compensar as minhas expectativas.

3 - Com amigos (ou com amor) tudo é melhor! Dançámos, rimos e conversámos. Às vezes demos atenção à tecnologia e tirámos selfies, fizemos boomerangs e snapchats. O Primavera foi, graciosamente, um laboratório para novas descobertas das redes.

 

Hoje, curiosamente, fui gravar uma locução para o Continente e encontrei no estúdio a revista Gerador onde está publicada a minha crónica sobre o Primavera Sound. Se não quiserem ler essa, leiam outras, que a Gerador é incrível.

 

 

#42 la guagua de la media noche

 

O autocarro amarelo norte-americano com as palavras “school bus” a preto, no visor dianteiro, percorria as estradas mal alcatroadas que ligam La Habana a San Antonio. De vidro aberto, eu fumava um cigarro do maço de hollywood vermelho que, em 2009, custava menos de um euro. A fazer-me companhia, um bicho preto, parecido com o louva-a-deus na sua forma mas menos inquieto.

 

Ao fim-de-semana gostava de ir à capital, só ia ficar uns meses em Cuba e Havana tem muito para viver. Nessas noites, nesses regressos de 30km, todos fumávamos, todos de auscultadores a ouvirmos salsa. Quase ninguém tinha saudades de casa, da música de casa, da comida de casa, da roupa de casa, do cheiro de casa. Cuba anestesiava-nos nessa quinta onde dormíamos e estudávamos cinema, onde dançávamos e comíamos, onde vivíamos tempos irrepetíveis.

 

A meio do caminho o motorista, de nome Fidel em homenagem a El Comandante, colocava água no autocarro e voltávamos a fazer-nos à estrada, agora com menos fumo e cheiro a queimado. Aos sábados à noite, nos regressos à quinta, quase todos trazíamos pacotes de papel higiénico na mochila, não fosse o stock acabar outra vez e a ilha ficar mais ilha e todos nós ficarmos ainda mais longe do que o que estávamos habituados.

 

Fidel parava a viatura na portagem, um segurança entrava e olhava-nos nos olhos, um a um, conhecia a cara de todos estes estrangeiros que povoavam a quinta, sabia os nomes, as nacionalidades e o dia exacto em que os tinha de enviar de volta para o seu país. Em Cuba sabe-se tudo. Na portagem, quem tinha adormecido acordava, guardávamos todos os auscultadores e dois minutos depois parávamos à porta da escola. Adiós Fidel. Adiós mi amor, hasta mañana. No bar, havia sempre alguém que nos aguardava com umas colunas, a música pronta e o rum servido. As meias noites dos sábados de 2009 na Escola de Cinema de San António de los Baños eram mágicas, vinte metros quadrados albergavam-nos a todos, como uma família de amigos que acordam e se deitam todos juntos todos os dias, durante um período de tempo estanque, que só a eles e a mim pertenceu.

 

O autocarro arrancava com o Fidel ao volante para um lugar que nunca descobri qual. O Fidel também morava em San Antonio, talvez na mesma quinta que eu. Lembro-me da cara dele, moreno, de olhos claros, com sorriso de avô e olhar de menino. É a primeira vez que falo do Fidel, é talvez a primeira vez que penso nele ao longo destes anos. Escrever sobre Cuba é assumir que passou, aceitar a utopia desse universo como encerrada, escrever sobre Cuba é fechar um capítulo, escrever sobre Cuba é, para mim, escrever sobre liberdade.

 

 

 

 

 

 

#41 agendar a felicidade - parte II

 

 

Um dos meus primeiros posts teve como título “agendar a felicidade”. Quase três meses depois descobri o Blissbooker, que significa basicamente o mesmo.

 

Tudo começou quando fui ao meu cabeleireiro favorito em Lisboa e me deram um vale de desconto para a marcação seguinte. Tirando as hidratações e os cortes, é raro ir ao cabeleireiro, mas o desconto era enorme e pedi mais informações. Afinal, podia reservar o meu cabeleireiro em Lisboa através de um site que está com promoções constantes.

 

Voltei para casa e vi que estava uma promoção de hidratação da Shu Uemura a 50% do preço. Já falámos do Shu Uemura e desde que tive uma queda de cabelo muito acentuada por stress, passei a ter muito cuidado com o que alimento o meu couro cabeludo. Enfim, escolhi o dia e a hora, paguei online, recebi a confirmação e fui. No centro toda a gente já sabia de tudo, não havia problema de comunicação: o meu nome, o tratamento, que estava pago. Fácil. Depois, uma rapariga chamada Chica (nome fictício) ligou-me de Barcelona a perguntar como tinha sido a minha experiência. Acabámos o telefonema a trocar links de outros sites que também trazem felicidade ao cabelo e não só.

 

Também há uma app e um desconto logo na inscrição.

Neste último mês, já fui três vezes ao meu cabeleireiro através do Blissbooker. É só estar atento às promoções. O cabelo agradece.

 

 

(Não sei se é do nome, das meninas ou dos produtos, mas saio de lá sempre feliz.)

 

Os links que troquei com a Chica e que acho porreiro partilhar:

http://eu.feelunique.com

https://www.lovelula.com

http://www.organii.pt

 

 

 

 

#40 a culpa não é tua

 

Na sua voz rouca tão particular, a cantautora espanhola Bebe musicava em ritmo acelerado as palavras “Malo, malo eres, no se daña a quien se quiere, no”. Admirava-a por ter escrito esta letra, por ter lançado uma música despudorada na sua referência à violência. Mais tarde, dividi um apartamento em Cuba com uma espanhola que era amiga da Bebe e fiquei feliz por ser amiga de uma amiga da mulher guerreira. A ilha transpira sexualidade, o calor húmido, a salsa e o rum patrocinam o erotismo de um país que já foi (ou ainda é) destino de turismo sexual. Quando lá morei, Cuba tinha a taxa mais baixa de homicídio por violência doméstica da America Latina.

 

Nos quase cinco anos que estive fora de Portugal, morei um inteiro na cidade de São Paulo. São Paulo é deslumbrante e assustador ao mesmo tempo. É tenso, é quente e chuvoso. Nas carruagens de metro, cartazes da campanha “Homem de verdade não bate em mulher”. Brasil, um país onde 1 em cada 5 mulheres sofre ou sofreu de violência doméstica.

 

 

 

#39 criança ontem, criança hoje

 

Há uma criança em todos nós e não, não justifico por isso infantilidades.

 

Há uma criança porque já fomos uma criança, já todos passámos pelo processo do primeiro passo, da primeira palavra, do primeiro espirro. Todos nós já tivemos dentinhos a caírem, terrores nocturnos e cólicas. Mimo, carências, tristezas, hormonas de crescimento a baralharem as precoces convicções. Todos nós já sofremos e já entrámos numa quase-arritmia de felicidade, já recordámos o passado e ansiámos o futuro porque todos nós já fomos crianças e todos nós crescemos e estamos aqui hoje, a menosprezar o presente.

 

Há uma impaciência geral para o outro: no trânsito, na fila do supermercado, no erro inocente. A intolerância e a flexibilidade domina-nos. O rótulo mal medido, esse preconceito que permanece, construído sem alicerce, que abraça os desconhecidos e os divide em meia dúzia de categorias a maior parte das vezes erradas, não fôssemos todos diferentes. Para nos categorizarmos, precisaríamos de milhares delas e, mesmo assim, de fronteiras ténues.

 

Mas numa coisa somos todos iguais, todos já fomos crianças e se, no olhar distraído de um homem amargurado conseguirmos encontrar essa pureza, o exercício social começa a fazer sentido: encontrar o que há de melhor, não deixar escapar esse deslumbramento pelo novo e o bonito, ser a nossa própria criança mais do que uma vez ao dia.

 

 

 

#38 trinta e oito hashtags em três meses

 

© Chtcheglov

 

Faz hoje três meses que comecei este blog. Uma parte não funcionou, mas há mais coisas ainda que não arrancaram, por escolha. Tal como 2016, tal como os trinta anos que cavalgam para o fim, tudo me parece ainda cedo, criança, princípio, embrião. Parece que as resoluções dos trinta foram ontem, o grito de reveillon esta manhã e que adormeci após o almoço para acordar agora e perceber que ainda há tanto para fazer.

 

A minha ideia inicial era usar o meu Happiness Planner para tudo e a conclusão a que cheguei é que é demasiado volumoso para transportar comigo para todo o lado. Continuo a ser uma frequentadora de transportes públicos a mais de metade dos dias e carregadora (no geral) de malas pequenas, pelo que o diário vai ficando em casa e o tempo não me ajuda a preenchê-lo todos os dias. Não deixei, contudo, de dar uso aos autocolantes que, infantilmente, continuam lindos. A dieta, essa, mal comecei. Não que a Ni não seja uma excelente nutricionista, porque sei que é e porque me liga sempre que preciso para saber como me corre a dieta. E quando sigo o plano dela, sigo-o bem e sinto-me bem. O cérebro, o meu, é que não me deixa parar em casa e impulsiona-me para reuniões e projectos e saídas e conversas e, pouco esperto, faz-me acompanhar todos os momentos criativos de comida. Não me chega a Ni, preciso de ir buscar o livro dela e de começar a enfrascar as refeições, que os meus desejos de caranguejos fritos e a minha escolha de agricultura sustentável não me apoiam: o primeiro engorda e comer biológico não emagrece, é só melhor para a saúde. Por falar em saúde, nestes três meses duas coisas melhoraram: comecei a gostar de ter uma rotina de exercício e a culpa é do maravilhoso Rapid Fit&Well, se não fosse com eles não sairia do sofá; comecei a ir ao osteopata e até já cresci um centímetro (ou recuperei-o, como preferirem). Também posso dar o contacto, se quiserem.

 

Hoje o meu objectivo é divulgar, é desmistificar uma série de coisas e falar sobre outras tantas que me aprouverem.

 

De repetir quantas vezes as necessárias que, por agora, neste blog recém-nascido, quase ou todos os produtos e serviços que por aqui são recomendados, são pagos e experimentados por mim. Isto não é um negócio online criado com esse objectivo. Tudo o que transmito e aconselho é aquilo que é, hoje, bom para mim e que eu acho que será bom para quem estiver à procura de suplantar as mesmas necessidades que eu tenho. Falo de supermercados biológicos, de produtos de cabelo sem sulfatos, de restaurantes, de livros, de decoração e de carteiras e, até hoje e como é natural, todos fazem parte da minha rotina enquanto pessoa que paga pelos seus produtos e serviços como qualquer uma outra. Esta sou eu, a Helena, que tanto fala e pouco se cala. Se um dia as marcas me quiserem pagar para publicar sobre elas, que nunca se esqueça quem por aí vagueia nas minhas miliuma ideias, que jamais o faço ou farei sem consciência, que tudo continuará a vir de mim, das minhas preferências, das minhas ideias, da minha vontade. De outra forma não me interessa e só na garantia da integridade de um opinion-maker lhes devia interessar a elas também.

 

Em três meses ouvi uma vez uma frase muito bonita: gostamos do teu blog porque pensas fora da caixa. Percebi que estava a ser compreendida e fiquei satisfeitíssima. Se tantas pessoas utilizam as redes sociais para promoverem uma identidade que não corresponde à realidade, um produto de uma estratégia de marketing, um almejo de perfeição à qual o público sonha ascender, um crop da fotografia completa, eu não. Eu prefiro a realidade, a consciência. Às vezes embelezada, não tanto por mim mas mais pela minha memória, que teima em colocar um filtro cinematográfico aos meus dias e às minhas histórias.

 

Escreve mais, são essas coisas que eu quero ler, disse a P. sobre uma segunda-feira passada, cheia de fait-divers cómico-trágicos daqueles que parecem só acontecer a mim e a meia dúzia mais de gatos pingados. Está bem. Não prometo, mas…está bem. Que os próximos três meses sejam miliuma vezes mais felizes. Ou duas. Ou uma e meia, uma e meia chega.