Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Miliuma

insónias | ideias | publicações

#28 cemitério de películas

 

Escrevo este post na cama, enquanto me imagino daqui a umas horas a percorrer a promenade madeirense, sentir a brisa e pensar neste mar de ideias que nunca conhecem esta luz.

 

Há filmes que ficaram na memória de pouco mais gente do que aquela que os criou. São como affairs terminados com o mesmo secretismo do começo, guardados em arquivos, dentro de arquivos, fechados a palavras-passe.

 

Aqui, a minha personagem chorava a morte do melhor amigo e doía-se por saber que ia ter de contar a notícia à mãe deste, sem piedade que a pudesse ajudar no momento.

 

Aqui, interpreto a actriz que quer mais do que fazer slow motions aleatórios com instrumentos na mão, um meta-filme sobre as dificuldades de cada membro de uma produção sem orçamento.

 

Nos dois, o cheiro do dia, a temperatura no corpo, as condições que antecederam o "acção" e resultaram do "corta" e nos fazem, só a nós, perceber porque tudo aconteceu assim.

 

 

 

 

#27 o português das três ruas abaixo

 

Primeiro, ler a notícia aqui!

 

Este português é meu amigo.

O meu amigo mais antigo, o mais parecido com o meu único irmão (de sangue).

São os dois muitíssimo inteligentes, ganharam bolsas de doutoramentos em universidades prestigiadas e trabalham em Inglaterra. Duvido que alguma vez se vejam ou tomem café em Londres ou em Oxford, onde o Diogo e o meu irmão estão. Mas se eu fizer um post menos bem formulado no facebook e a puxar para a tecnologia ou ciência, é vê-los no meu mural a discutirem em concordância, verdadeiros acrescentos de conhecimento ao comentário imediatamente anterior.

 

O meu irmão praticava karaté e mais tarde ganhou um prémio de Tai-Chi Chuan. Agora é a vez do Diogo ganhar um prémio de Jiu Jitsu. Em tudo o que fazem são excelentes,  têm namoradas atléticas, de cabelo claro e pele bonita. Um em Londres, o outro em Oxford, a representarem esta raridade em cada uma das cidades. Somos os três do Porto e eu, em Lisboa, sinto a falta dos dois, com humores tão distintos, risos tão diferentes e personalidades incomparáveis, embora, ainda há pouco, pudesse parecer que era mesmo isso que eu estava a fazer.

 

 

 

 

#26 o champô não é para comer

 

A minha nova amiga R. disse a um colega actor: a Helena agora tem um blog muito giro, de culinária. Como assim? O meu blog não é de culinária… não estarás a misturar o facto de ter um namorado que é Chef? Não, Helena, até agora só li posts de comida e gastronomia, mas às tantas não tenho tido sorte. E lá começou a R. a fazer scroll. E realmente parece que falo muito sobre essa maravilha que é a gastronomia e suas ramificações.

 

Há uns anos assisti a uma master class do Saul Williams, que afirmava contundentemente que o nosso trabalho e criatividade são definidos pelo nosso input: o que lemos, o que comemos, o que consumimos. Essa frase marcou-me. Mais do que o jantar no restaurante vegetariano e o facto de termos ido para o Musicbox com uma data de pessoal talentoso nessa noite. Afinal, não é todos os dias que se sai à noite com o Saul Williams. Pelo menos, eu não saio. 

 

Depois desse dia, comecei, a pouco e pouco, a consumir menos químicos e, dadas as duas quedas enormes que já sofri, comecei pelo cabelo:

(ok, hoje em dia também tento fazer isso com a alimentação, mas não estou autorizada a falar de comida neste post)

 

 

A Shu Uemura tem muitos poucos químicos e, portanto, fui fazer um abastecimento.

Também uso John Masters Organics (à venda na Organii) e, em tempos de orçamentos apertados, Jason.

 

(As flores? São umas flores giras que a minha mãe me deu e que caíram ali na mesa para que a fotografia se tornasse mais agradável aos olhos.)

 

 

#25 conta-me tudo

 

A S. disse: então o teu blog? Tenho escrito, disse eu. Não quero saber do teu lifestyle. Tens piada, gosto do que escreves mas quero as tuas histórias. Onde estão as tuas histórias?

 

E em dois segundos o meu cérebro invadiu-se de memórias e mais memórias e mais memórias e fiquei cansada, cansada, cansada. Dormi mal. Acordei mal. Dor de cabeça. Levantei-me, lavei os dentes e caminhei por Lisboa fora, cinco, seis quilómetros. Tenho tantas memórias, tantas tão boas de descrever e tantas tão más de se esconder.

 

Hoje o Conta-me Tudo volta a acontecer, mas com novos intervenientes. Da última vez, estive lá eu e, em tom de improviso, contei uma parte de mim. Aqui segue a imagem verdadeira desta história cem-por-cento verdadeira. Têm quinze minutos para mim?

 

(à escolha!)

Ep 9 iTunes

Ep 9 Buzzsprout

Ep 9 Mixcloud

 

 

 

#24 peixe em lisboa

 

Foi o primeiro ano em que ouvi falar do Peixe em Lisboa. A atenção selectiva tem destas coisas, não é que não gostasse de peixe, mas mais rapidamente teria dado ouvidos a uma rota de tapas ou uma convenção de pintxos bascos.

 

Tinha credencial e, armada em altruísta, achei que devia pagar a minha entrada para contribuir. Sim, é óptimo contribuir para que as organizações se mantenham de pé, o problema é que ninguém me avisou que eu devia guardar o meu copo para os dias seguintes e quando entrei com credencial no segundo dia (não estavam à espera que pagasse duas entradas podendo não o fazer, certo?), lá tive de pagar três euros pelo meu copo outra vez. A única real borla que tive foram três senhas pequeninas do Joe Best e da Ana Rosa, duas criaturas com uma simpatia que nunca cessa.

 

E lá me abandonaram numa mesa - não, eu é que quis ficar - onde se juntaram uma cambada de tipos simpáticos, metade meus conterrâneos, que eu não conhecia e que, prazerosamente, passei a conhecer naquela noite. Chefs, tatuadores, senhores de vinícolas, tudo mais novo que eu, a comer comigo em mesas corridas e a fazer daquela noite um gasto de dinheiro altamente justificado. É caro? Não, senhores, não é barato, mas vale a pena cada cêntimo. Dou graças por não haver Peixe em Lisboa todos os meses. Não me cansaria, não. Seria uma paixão para durar.

 

Achava que estava tudo bem assim, mas pelos vistos havia uma porta mágica com as palavras Mercado Gourmet por cima. Passei essa porta e todo um mundo de tendinhas estava ali, petiscos para provar, vinhos para degustar (não esquecer o tal copo), azeites, queijos, doces, lojas de utensílios de cozinhas e conservas portuguesas, ai, as conservas.

 

Fiquei ali, a ser mimada por um rapaz e uma rapariga sorridentes, da Conserveira do Sul. Falámos sobre paladar, sobre sabor, sobre comida. Ela disse-me que o rapaz da embalagem era o tio avô dela. Emocionei-me, como tanto me emociono com as histórias dos estranhos e me contenho para ver se ninguém repara. Como eram simpáticos, os dois. Comprei logo umas latas de conservas e ofereceram-me um iô-iô de madeira, pintado de amarelo, como antigamente. Disseram-me que nem sempre fizeram aquilo, que tinham formação em audiovisual. Li os nomes nas plaquinhas identificativas das t-shirts, juntei os nomes com a proveniência (olhão), as caras, o curso e ainda o blog de comida que mencionaram pelo meio da conversa e fez-se luz.

 

Dois dias depois da ante-estreia do filme “Vícios Para Uma Família Feliz” encontrei ali, no meio da cavala com malagueta e do atum com limão, os fotógrafos do poster da peça de teatro “Vícios Para Uma Família Feliz”, na qual, obviamente, se baseou o filme. Dois dias de uma coisa, dois anos da outra. E a vida a contar-se com números quando nada disto interessa, passou o tempo e estamos todos diferentes; não interessa se tive de pagar três euros por outro copo, agora o copo está comigo e eu tenho vontade de repetir aqueles caranguejos de casca mole do Ribamar.

 

 

1 - Chef Kiko

2 - Tasca da Esquina (Vítor Sobral)

3 & 4 - Conserveira do Sul

5 - Four Seasons (Chef Pascal)

6 - Chapitô à Mesa (Bertílio Gomes - tão simpático, obrigada!)

 

#23 contagem decrescente

 

Nunca te visitei, Madeira, mas já gosto tanto de ti.

Não sei se é este abismo hipnotizante das fotografias pelas quais vagueio no Google, se é do nevoeiro que parece pousado de propósito para o quadro.

Eu tenho vertigens e anseio subir-te, ignorar a tontura e o enjoo, encostar-me a uma montanha e olhar-te de frente, sentir o ar rarefeito do topo do Pico e, bom, e se realmente corresponderes à expectativa, sorrir.

 

Só falta uma semana para pisar-te. Saberás tão bem quanto eu como correu, se esse será o primeiro de muitos dias, se será a primeira de muitas viagens.

 

Não sei se é deste verde que te emoldura, Madeira, bonita, não sei se é por saber que após tantas montanhas e tanto nevoeiro vou conseguir ver o teu mar. 

 

© desconhecido

 

E, claro, aceito dicas para a viagem e truques úteis. Vou estar no Madeira Film Festival (com o Vícios Para Uma Família Feliz) todos os dias e, tenho a certeza, bastante e muito bem ocupada. Mas e coisas como: mosquitos, temperatura e etc? Transportes? Contactos importantes dos que não se encontram na internet? Agradeço!

 

Chega de romantismos, é hora de ir gravar! 

 

 

 

#22 matching sets & co-ords

 

Há um ano, o meu mais querido disse não sei quê Taylor Swift e eu respondi: - quem? Ele disse, aquela que canta e que anda sempre muito bem vestida, nem que seja comprar o pão. Confirmo.

 

 

Na noite passada, em vez de passear, dei por mim a fazer pesquisas que pareciam não terminar sobre co-ords and matching sets. Gostava muito de encontrar uns quantos a preços simpáticos em Portugal. Sugestões?

 

 

#21 a canção de lisboa

 

 

Fui lá gravar um olá especial à câmara, pela graça. 

E foi tão bom, mas tão bom, que no dia seguinte o meu PT preferido do Rapid Fit, o André *, até disse que eu parecia o Rocky.

 

Porque é que foi assim tão bom?

Porque me trataram bem, desde o primeiro ao último minuto. Com cuidado, com carinho e com profissionalismo. Pelo primeiro nome, com calma, com silêncio, sem a confusão de tantas produções. Fiquei deliciada.

 

Obrigada!

 

 

* o André subornou-me para dizer que ele é o meu PT preferido. Não confirmo nem desminto.

 

 

#20 a ante-estreia

 

A prova de que em pouco tempo se conseguem criar grandes emoções. - Fernando Fragata

 

Bela, cruel e hipnótica, “Vícios para uma família feliz” é a ficção da pior realidade que todos escondemos sobre nós próprios. - Nuno Duarte

 

Terminou em Março. Daqui a duas semanas rumamos à Madeira para a estreia oficial. Em Maio estará, sozinho, em Cannes.

O nome "Vícios Para Uma Família Feliz" esteve dois anos e meio nas nossas cabeças; saiu das nossas mãos e do nosso sangue. (ler mais sobre o processo aqui)

E desde sexta-feira, dia 8 de Abril, que ele tem a sua própria vida e já não nos pertence só a nós. 

 

A ante-estreia à porta fechada (um filme em circuito de festivais não pode ser exibido publicamente) foi, com todo o carinho, alimentada pelo Pito do Bairro, do Olivier e acolhida no maravilhoso Cargo 111, no Bairro Alto, em Lisboa. 

 

 

© Bruno Veiga

 

A todos os presentes, a todos os que morreram um pouquinho por não terem conseguido estar presentes, a todos que me perguntam quando posso ver, quando posso ver:

Muito obrigada.

 

www.addictionsforahappyfamily.com

 

 

 

Pág. 1/2