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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#128 costa alentejana e vicentina II

 

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O ferry parte daqui a uns minutos. Que sorte, pensámos. Comprámos dois cartões lisboa viva e seguimos viagem. (Pelos vistos, é possível levar cartões lisboa viva pré-carregados.) Enquanto esperávamos, ciganos simpáticos diziam: não têm medo de ciganos, pois não? Então levem lá estes óculos a vinteurinhos. A polícia uns passos à frente e a vontade era perguntar, a um dos dois, ou ciganos ou polícia, como é que isto acontecia.

 

Adoramos barcos, os dois. Até ferries. Eu, que comecei a andar de ferry por causa da tragédia de entre-os-rios para atravessar o Douro, gosto do vento do rio a levantar os cabelos das mulheres que saem dos carros e se dirigem à proa, onde observam a água revolvida pelos motores e a outra margem a aproximar-se. Tróia do outro lado, uma península estreita, o céu rasgado pelo hotel de cinco estrelas e casino. Lembro-me de Varadero. Todas as penínsulas estreitas me lembram Varadero. Já tinha estado em Tróia, há muitos anos, um fim-de-semana em casa de amigos do qual me lembro da casa, dos bifes grelhados, do mini-mercado estupidamente caro e da minha primeira experiência quase-suicida a andar de bicicleta com motor. Tinha esse visto na lista, seguimos caminho. A fome começava e a Comporta esperava-nos. Praia da Comporta, Comporta Café. Um sonho. Bonito, ementa variada, sem o pretensiosismo que eu achei que nos ia receber. Ficou pelo sonho, estava cheio. Ainda deu para fazer uma praia. Horas antes, a Madonna tinha colocado uma foto no instagram com cavalos e este cenário e, não, não foi por isso, na verdade a praia é convidativa e estávamos de férias, era meter os pés na areia até não aguentar mais. Percebo o apelo. Na praia da Comporta não havia meninos candidatos à Casa dos Segredos edição especial da barbatana número 243 e isso, hoje em dia, é uma mais-valia.

Seguimos pelos arrozais a caminho de Melides. Nunca tínhamos ido a Melides, era a caminho do nosso próximo destino e tinha lido num fórum que o Bar dos Tigres e a sua saladinha de polvo eram a não perder. Como nos aconteceu várias vezes nesta viagem, parece, por vezes, que uma nega nos leva a alternativas e descobertas muito mais interessantes. Bar dos Tigres fechado e o Melidense aberto. Meu rico Melidense, tão bem nos recebeste. Restaurante à moda antiga, cheio de tralha nas paredes para ir apreciando enquanto se espera. Barato e bom, como se espera do alentejo inteiro. Podem deixar a expectiva dos bons preços já em Melides, que se acham que pela viagem fora se vai comer muito bem e muito barato, estão muito enganados. Enfim, o Melidense agraciou-nos com um frango sim senhor, que até o cérebro me diz que tem fome só de recordar. Terminada a refeição, ele foi cortar o cabelo à barbearia recém-aberta mesmo do outro lado da rua e eu fui para o telhado tirar fotografias. Melides vale a passagem, quando a caminho do próximo destino, esse sim, merecedor de incontornável visita: a Herdade da Matinha. Fica o Bar dos Tigres por experimentar.

 

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Adelante, compañero, nos vamos a Cercal del Alentejo. Hasta Pronto!

 

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