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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#116 gula - ep.6

 

Outra vez a falar sobre comida, alimentação, gastronomia, gula?

Pois a semana passou a correr e eu faço por manter esta rubrica semanal, ainda que não tenha tempo para mais nada, nomeadamente ir buscar a roupa à costureira que é a oitenta metros de casa.

 

© fotografia: OBSERVADOR 

 

El Clandestino, no Príncipe Real. Não tenho fotografias bonitas para apresentar da minha autoria, mas tenho um bouquet de sensações ainda presentes. El Clandestino pode anunciar-se no Zomato como mexicano - peruano mas, para mim El Clandestino foi o melhor de Cuba que já tive em Lisboa. 

 Passei oito meses da minha vida em Cuba e é uma segunda casa que continua a fazer-me bater, em arritmia, um lado deste coração viajante. Cuba foi o primeiro destino sozinha, o mote para sair de Portugal e só assentar arraiais em Lisboa cinco anos depois; foi a descoberta, foi a mudança de mentalidade, a tolerância, a simplicidade. Cuba foi utopia e realidade. 

 

Confesso estar a passar por umas semanas muito complicadas de trabalho, prazos e pouca saúde e  o El Clandestino foi a ligeireza de amor de verão que eu precisava.

Entrámos juntos e ele perguntou pela esplanada. Não há, apenas um pátio ali ao fundo. Podemos comer lá? Sim! Assim se fez, de caras, a melhor escolha da noite. E que pátio! 20h30h e não estava ninguém nesse pátio a não sermos nós, ao contrário de um restaurante completo. Decoração deliciosa e uma harmonia qualquer no ar que não sabíamos identificar. Creio que foi uma paixão oriunda do conjunto de tudo. Música: cubana, porto riquenha, letras que eu sabia de cor, partituras que tinha no coração. Meneava-me sentada enquanto esperava pelos pratos e comia nachos caseiros, quentinhos e estaladiços, acompanhados de um bom pico de gallo e uma excelente pasta de frijoles negros, tal e qual como a sopa que comia em Havana.

 

Ceviches bem servidos, peixe do bom (ou do bem, dizer do bem agora está na moda!), tacos que não me convenceram naquela noite. Bons, mas não perfeitos. E o resto estava perfeito. Terminámos com um belíssimo (belíssimo) jardim de churros. Ele gosta de sobremesas, eu nem tanto. Não sei se era da música, mas fiquei apaixonada por aqueles churros com doce de leite num jardim com terra de cogumelos. Tanto que ontem à noite, imaginei que ia comer mais daqueles churros, como se fosse possível que eles me aparecessem em casa agora. Agora. Agora comia mais daqueles churros.

 

Acompanhámos tudo com água, estou, como disse, a meio de trabalho e o El Clandestino foi a pausa perfeita. Para a próxima, acompanharei com Coronas ou cocktéis e escreverei mais um pouquinho sobre a clandestinidade desta paixoneta gastronómica, para onde me apetece fugir agora mesmo.

 

 

 

Rua da Rosa, 321, Lisboa.

É mesmo no Príncipe Real, ao lado d' O Asiático, do Chef Kiko.

Reservas: 915035553

 

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