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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#113 o monstro da pílula


Que todos os homens que se armam em esquisitos com o preservativo fiquem em abstinência sexual involuntária até expulsarem o egoísmo por completo. Para as mulheres, o preservativo também é desconfortável, caros senhores. Podia sugerir que tomassem a pílula masculina, mas tenho sérias dúvidas do seu empenho em manter horários ao longo dos meses, sem falhas. Não que esteja a atribuir um selo de incompetência, mas é mais fácil lembrarmo-nos da gravidez indesejada se é a nossa própria barriga que vai aumentar vinte quilinhos ao nosso esqueleto.

 

 

Acessíveis à leitura, com esta coisa às vezes boa da internet, têm surgido inúmeros artigos sobre os malefícios da pílula contraceptiva feminina. Ora, todas nós mulheres sabemos de muitas histórias de amigas que não toleram a medicação e quase todas já tivemos de saltar de fórmula em fórmula para encontrar algo que nos fizesse menos mal. Apenas menos mal. Poucas somos as que vivemos 20 anos de contracepção oral sem efeitos secundários.

 

 

O artigo da Dazed & Confused começa com “Apesar da repetida insistência por parte das mulheres ao longo dos anos que a pílula contraceptiva tem um efeito negativo na saúde mental e física, o primeiro estudo abrangente sobre o efeito do anticoncepcional hormonal no bem-estar das mulheres só agora foi publicado. O estudo, realizado pela faculdade de medicina Karolinska Institutet, em Estocolmo, revelou que, sem surpresa, os contraceptivos orais reduzem a qualidade de vida de mulheres saudáveis.”

 

 

 

A gravidade do problema

 

Passo a vida a defender os médicos, o meu pai é médico e tão boa gente que me custa a crer que haja espécies menos bondosas e competentes que ele. Mas dizem que sim, lamentavelmente. Uma série de mulheres - imagino que também uma grande quantidade por Portugal fora - queixou-se da indiferença e descrença por parte de médicos, quando os abordavam relativamente a efeitos secundários que estas associavam à toma da pílula.

 

Tonturas, aumento de peso, retenção de líquidos, aumento da pressão arterial, perigo de coagulação e trombose, são apenas alguns dos mais comuns. Hoje começou-se a falar de depressão. Assusto-me com a dificuldade de identificação do intangível. Tal como a violência psicológica, a depressão é difícil de identificar e desconsiderada na sua importância e grande frequência. É possível, para a maior parte das pessoas, passar uma vida sob o condão da depressão e funcionar perfeitamente em sociedade, sem sinais de alerta. Dói pensar que essas pessoas podem estar a viver em tristeza e mal-estar mental profundo há anos. Dói muito mais quando se conclui que muitas mulheres vivem mal por causa da pílula contraceptiva.

 

As questões impõem-se: por que razão não é uma prioridade criar uma alternativa inócua a este comprimido usado há tantos anos e por tantos milhões de mulheres, se já há clonagem e carros voadores? Será a pílula uma silenciosa responsável por décadas de ansiedade e depressão numa grande percentagem de nós, indivíduos, afectando indirectamente o amor, o trabalho e a vida familiar de todos nós?

 

 

 

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