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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#109 libertem o sarampo

 

Custa-me muito escrever isto, mas:

Liberdade, ponto e vírgula.

 

É muito lindo isto da liberdade e eu que sou toda sangue quente a defender a liberdade de tudo e mais alguma coisa, mas como é possível sentirmo-nos agora, perante a liberdade de escolha de não vacinar as crianças?

 

A menina morreu. Após 23 anos em Portugal sem nenhuma morte por sarampo. Morreu porque não era vacinada - fim da história.

 

Eu tenho um afilhado com 17 anos e nem consigo imaginar tal cenário. Ele, claro, vacinado, que essa questão lá em casa nem se coloca. Mas e se ele morresse por culpa minha? E se ele morresse por culpa de um idiota qualquer que pensa que sabe mais de medicina que os médicos e que é detentor de um conhecimento profundo de artigos da internet que falam sobre a conspiração da indústria farmacêutica e abre links com títulos como: “os medicamentos naturais que eles não querem que você conheça” ? O que faria eu, como poderia viver com tal revolta? Como vais viver tu, mãe da criança, tu e a tua homeopatia?

 

 

Não tenho dedos nas mãos para contar o número de pessoas que já me disse que as minhas alergias se curariam facilmente com medicação homeopática e meditação. A todos remetia um sorriso e o silêncio. Hoje, dedico-vos este post.

 

Sim, vamos todos deixar de vacinar o pessoal, vamos deixar de tomar antibióticos, vamos curar disfunções da tiróide com beterraba e podem fechar o IPO porque o cancro cura-se com dieta alcalina. Não digo que novas descobertas da nutrição não ajudam a prevenir e até na cura de muitas doenças, mas o equilíbrio é uma coisa tão bonita.

 

A internet, essa pólvora, trouxe-nos a informação de forma democrática. Apoia-se na liberdade, mas não sabe escolher tolos. Os tolos é que têm de escolher a internet e, ao fazer uma escolha consciente dos artigos a ler, ao fazer um equilíbrio entre informação e verdade, deixariam de ser tolos. E a tolice dos outros, rouba a nossa liberdade. 

 

Seus arrogantes licenciados na web: se forem para a universidade, também não sairão de lá a acreditar em tudo o que os professores vos disseram, mas sim com o espírito crítico desenvolvido. Com a internet pode acontecer mais ou menos a mesma coisa, é só serem humildes e não acreditarem em tudo o que lêem. Agora corram para o centro de saúde, que o vosso boletim de vacinas por esta altura já deve estar informatizado. Sim, corram, ou podem ser responsáveis pela continuação de uma desgraça que hoje se iniciou. Em caso de dúvida, consultar o artigo 283º do código penal português, que prevê pena de prisão a quem propagar doença contagiosa. O que escrevi faz mais sentido agora?