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Miliuma

insónias | ideias | publicações

#106 óbidos e o oeste

 

 

80 quilómetros são o suficiente para ouvir Mallu Magalhães, o Pitanga, do princípio ao fim, pontuada por Aretha Franklin e um pouco de Ray. Quando damos por ela já saímos da auto-estrada em direcção ao Vau.

 

80 quilómetros é a distância que se percorre, num piscar de olhos, entre Lisboa e Óbidos, ou arredores lá no Oeste. Planícies, um cheiro diferente, uma calma praticamente impagável. Porque, literalmente falando, paga-se para ter acesso a este paraíso. Só que não é assim muito.

 

 Para quem reside em Lisboa - e desculpem-me os demais, mas tenho de fazer deste ponto de partida da viagem o mesmo que o meu - ir passar duas noites ao Oeste é ter o luxo de desfrutar de um cenário completamente diferente do da capital, é como se viajássemos para outro país e chegássemos lá num instantinho.

 

Quando cheguei ao apartamento que reservámos, no Bom Sucesso Resort, ele disse que não queria sair mais dali e eu pensei, por breves instantes, se poderia percorrer esses 80 quilómetros todos os dias. Talvez aí se tornasse cara a brincadeira, terei de deixar a calma e o sossego para os fins-de-semana livres. No fim dessas duas noites e três dias tão bem aproveitados, percebi que os fins-de-semana, que no nosso caso foi de segunda a quarta, são quando o homem quiser e que vou ter de os conseguir mais vezes. Tenho a certeza - se fosse tangível, mostrava - que ganhei anos de vida nesta viagem.

 

Dois pisos, um closet, um jardim privado, a piscina à frente da casa, lagos perdidos pela relva, ninguém para nos chatear, horizonte à vista, as cigarras a cantarem, as estrelas todas à mostra sem poluição ou luzes a encobri-las, o vinho, o queijo e os dois copos elegantes à nossa espera. Só de pensar nisso, já tenho vontade de sair disparada a meio do texto, ligar o spotify na Mallu Magalhães e rumar para lá.

 

O tempo dilatado; o dia dava para tudo. Passeámos por Óbidos e jantámos no Petrarum Domus, famoso e, ainda assim, Português. Deliciei-me com um polvo estupidamente bem servido e um cheesecake de ginga de Óbidos, do qual não posso lembrar-me em demasia, a ausência de mais fatias faz mal à alma. A conta em conta, valeu a pena e recomendo.

 

No dia seguinte jantámos no The Literary Man, de imprescindível visita. É só entrar e percorrer as galerias carregadas de livros, tocar-lhes, pegar-lhes, lê-los. No The Literary Man, é possível perdermo-nos e é mais que permitido - é incentivado. Com um staff de elevada simpatia, enquanto lá estivermos a apreciar o espaço, o espaço é nosso. Servem gins e refeições. A comida, contudo, é demasiado cara e mal confeccionada, pelo que não recomendo, de todo, para jantar. Mas vale ir com tempo e vale ir sem tempo, a visita ao The Literary Man é uma boa experiencia das duas maneiras.

 

Fizémos as outras refeições no apartamento. A cozinha estava equipada com tudo o que era necessário e, segundo a apreciação do Chef cá da casa, as facas estavam aprovadas. Assim, com um Pingo Doce à entrada de Óbidos, num instante se levam meia dúzia de coisas, uma garrafa de vinho e muito amor. Como não aproveitar um terraço na relva, com horizonte verde e ar limpo?

 

Como dizia, no Oeste o tempo dilata. Ainda tivémos oportunidade de ter aulas de Hipismo (também havia paddle, laser tag e outras coisas igualmente originais à là série americaine), dormir sestas à tarde e horas à noite, fazer massagens no Spa e passear de carro pelas estradas que, às vezes, se pareciam com as de Sesimbra, às vezes, com as do Douro e tantas outras vezes com nenhumas que tenha visto antes. Portugal, quando quer, é enorme.

 

 

P.S. - ficaram por visitar o Solar dos Amigos, para um belo guisado perto de Óbidos, o Real Taverna, por trás da igreja de Santa Maria, o Bar Cave do Vale, ao pé do The Literary Man e ainda terminar a viagem com uma passagem nas Caldas da Rainha para trazer um cabaz cheio de coisas boas do mercado ao preço da chuva. Só este post-scriptum merece mais umas visitas. E, claro, mais umas publicações.

 

 

 

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